Feeds:
Posts
Comentários

10 menções honrosas (em ordem alfabética)

Arctic Monkeys – AM

arctic-monkeys-amA NME tratou como o disco da década, enquanto os blogueiros cults tiraram onda da situação. A verdade é que AM é o melhor trabalho dos macacos do ártico até o momento, o que o deixa nessa posição de “apenas” honrosa. Quase ficou de fora, mas me peguei ouvindo-o escondido várias vezes.

Top 2: Do I Wanna Know? / Fireside

Baths – Obsidian

bathssO geek amadureceu, e muito bem por sinal. Minimalismo sentimental de um pobre rapaz que perdeu a namorada sem nunca ter tido uma. Nem Star Wars o tira dessa fossa.

Top 2: Ironworks / Miasma Sky

Chvrches – The Bones of What You Believe

chvrches

Já que o álbum do Franz Ferdinand foi uma porcaria, tive que escolher esse aqui pra representar Glasgow.

Top 2: Gun / We Sink

David Bowie – The Next Day

bowieÁlbum mais aguardado do ano, talvez. Nada de mais  quando comparada com a discografia do camaleão, mas é um ótimo disco de rock setentista num ano particularmente fraco no que se refere ao rock de verdade. Deve ser por isso que gostei bastante: faz tanto tempo que não ouço esse tipo de sonoridade que caiu como nostalgia. Mentira, Bowie é deus e entrou de qualquer jeito.

Top 2: Love Is Lost / Where Are We Now?

Foxygen – We Are The 21st Century Ambassadors of Peace & Magic

foxygenOs filhos de Mick Jagger com Ray Davies dentro da banheira do The Mamas & The Papas nos indos e vindos de uma São Francisco legalize.

Top 2: No Destruction / Shuggie

Janelle Monáe – The Electric Lady

janellePromessa pra ganhar o The Voice escolhida por Carlinhos Brown. Claudinha Leite iria dizer que falta originalidade: “meias brancas com sapatos pretos foram usados por Michael Jackson”. Daniel ficaria com autoestima baixa e Lulu é fofoqueiro, feminista e polêmico.

Top 2: Electric Lady (feat. Solange) / Can’t Live Without Your Love

Mikal Cronin – MCII

mikalA melhor forma de curtir o dia ensolarado da Califórnia sem sair de casa, com direito a pegar um jacarezinho no mar e azarar as gatinhas.

Top 2: Weight / Change

Nick Cave & The Bad Seeds – Push The Sky Away

push-the-sky-away

O velho e bom Nick Cave contando suas estórias e fritando geral. Quase uma trilha sonora de filme.

Top 2: Jubilee Street / Higgs Boson Blues

Rhye – Woman

rhye

“Uhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh, make love to me?”

Top 2: The Fall / Last Dance

Wire – Change Becomes Us

wire

Você não vai ver em nenhuma lista, então coloquei para que lembre que Wire ainda é uma banda foda.

Top 2: Re-Invent Your Second Wheel / As We Go

***

Top 20

20º – Autre Ne Veut – Anxiety

autre

Aproveitando a alta do R&B experimental, Autre Ne Veut lança um disco pop demais e estranho demais. O jeito largadão que o cara canta se destaca, o suficiente pra entrar no top 20.

Top 2: Play By Play / Counting

19º - Kurt Vile – Wakin On A Pretty Daze

kurt

Um indie rock inofensivo que virou dos mais seguros, quase um álbum conceitual, o progressivo do lo-fi. Que contradição meu caro Kurt Vile.

Top 2: Wakin On A Pretty DayKv Crimes

18º - Justin Timberlake – The 20-20 Experience

justin

Pô! O cara era do clube do Mickey e do ‘N Sync! O passado te condena, mas essa beleza aqui  compensou todos os pecados.

Top 2: Suit & TieTunnel Vision

17º – Danny Brown – Old

danny

O melhor álbum de hip hop do ano. O do Kanye West eu ainda não descobri de que gênero se trata.

Top 2: Dip / Side B (Dope Song)

16º – Blood Orange – Cupid Deluxe

blood

Esse disquinho do Blood Orange é a síntese do porquê o pop se saiu melhor do que o rock esse ano: simplesmente as músicas são melhores.

Top 2: You’re Not Good Enough / Uncle ACE

15º – My Blood Valentine – mbv

mbv

mbv parece ter sido gravado em meados da década de 90 e ter sido lançado só agora. O My Blood Valentine não mudou nada, e nisso nós agradecemos.

Top 2: Only Tomorrow / New You

14º – Bill Callahan – Dream River

bill

O homem com cara de santo e voz de quem já vendeu a alma pro diabo ataca novamente. Muito bem arranjado, Green River traz mais uma vez o paradoxo de como Bill Callahan consegue ser sereno e poderoso ao mesmo tempo.

Top 2: Spring / Summer Painter

13º - Darkside – Psychic

darkside

Nicolas Jarr, agora na companhia de Dave Harrington, mostra mais uma vez que está na frente de seus colegas quando o assunto é música eletrônica. Muito charme, muita sensualidade. A mistura entre a passarela chique e o cabaret abandonado.

Top 2: Golden Arrow / Paper Trails

12º - Iceage – You’re Nothing

iceage

PRESSURE! PRESSURE! PRESSURE! Oh God No!

Top 2: Ecstasy / Burning Hand

11º - Phosphorescent – Muchacho

Phosphorescent-Muchacho

Muchacho é uma guinada significativa na carreiro da Phosphorescent. Álbum redondinho e muito entregue, daqueles que só víamos na era de ouro do Wilco.

Top 2: Song For Zula / The Quotidian Beasts

10º - James Holden – The Inheritors

holden

Em tempos que Fuck Buttons já não é mais novidade, James Holden precisa apelar para a fritação pesada até as últimas consequências. O resultado é genial.

Top 2: Renata / Gone Feral

9º - Youth Lagoon – Wondrous Bughouse

youth

O álbum de indie rock de uma banda relativamente nova que a NME deveria superestimar. Isso só não acontece porque o Youth Lagoon parece ser maduro demais para a publicação.  Denso e magicamente construído, Wondrous Bughouse já pode servir de referência pra muita banda nova do gênero.

Top 2: Mute / Pelican Man

8º - Savages – Silence Yourself

Savages

Ian Curtis reencarnou como mulher e montou sua banda feminina. Já é o suficiente.

Top 2: She Will / City’s Full

7º - Disclosure – Settle

disclusure

Revelação pop-eletrônica do ano. Conseguiram agradar todo mundo, até os playboys piraram. Não tive saída.

Top 2: LatchWhite Noise

6º - Daft Punk – Random Access Memories

4e6c6fb2

Há tanta coisa pra falar desse álbum que nem sei por onde começar. Então vou ficar por aqui mesmo. Esse disco não precisa mais de marketing (e nem de mais paródias de Get Lucky, por favor).

Top 2: Get Lucky / Beyond

5º - Vampire Weekend – Modern Vampires of the City

Vampire-Weekend

Sempre subestimei a força excessiva do publico e da crítica com relação ao Vampire Weekend, mas me entrego com esse álbum aqui. A banda só melhora, tanto nas melodias quanto nas letras, e soube amadurecer sem perder o estilo.

Top 2: Ya Hey / Step

4º - Julia Holter – Loud City Song

julia

Encantador e hipnótico. O álbum cabeçudo dessa lista aqui.

Top 2: Maxim’s I / Horns Surrounding Me

3º - Kanye West – Yeezus

kanye west

Mais uma vez o álbum do Kanye West será o primeiro colocado de todas as listas. Deixei em terceiro só pra provocar. Mas uma coisa é certa: ousado esse menino!

Top 2: I Am A God / Blood On The Leaves

2º - The Knife – Shaking The Habitual

knife

Tem uma faixa de 20 minutos ali no meio que eu sempre pulo, mas tirando isso fica perfeito.

Top 2: Full Of Fire / Raging Lung

1º - Arcade Fire – Reflektor

Arcade-Fire-Reflektor

Gosto muito mais de Reflektor do que de The Suburbs #prontofalei

Top 2: Reflektor / Afterlife

10 Menções Honrosas (em ordem alfabética):

Daughn Gibson – All Hell

daughn

 

 

Top 2:

1. Rain On A Highway

2. Tiffany Lou

 

 

Jessie Ware – Devotion

Jessie-Ware

 

 

Top 2:

1. Wildest Moments

2. Swan Song

 

 

Killer Mike – R.A.P. Music

KILLER MIKE

 

 

Top 2:

1. Untitled (Feat. Scar)

2. Reagan

 

 

Liars – WIXIW

liars_wixiw-1_1

 

 

Tops 2:

1. No.1 Against The Rush

2. His And Mine Sensations

 

 

Lower Dens – Nootropics

Lower-Dens-Nootropics

 

 

Top 2:

1. Brains

2. Alphabet Song

 

 

Metz – Metz

Metz

 

 

Top 2:

1. Wet Blanket

2. Headache

 

 

The Men – Open Your Heart

the men

 

 

Top 2:

1. Open You Heart

2. Turn It Around

 

 

Wild Nothing – Nocturne

wildnothing

 

 

Top 2:

1. Paradise

2. Shadow

 

 

Tindersticks – The Something Rain

tindersticks-4

 

 

Top 2:

1. Frozen

2. Slippin’ Shoes

 

 

Titus Andronicus – Local Business

Titus-Andronicus

 

 

Top 2:

1. Still Life With Hot Deuce On Silver Platter

2. My Eating Disorder

.

 

Os 20 melhores álbuns de 2012

20º - Andy Stott – Luxury Problems

LUXURY-PROBLEMS-575x575Top 2:

1. Numb

2. Luxury Problems

19º Lambchop – Mr. M

lambchop

Top 2:

1. Gone Tomorrow

2. Betty’s Overture

18º - Lotus Plaza – Spooky Action At a Distance

lotus plaza

Top 2:

1. Monoliths

2. Jet Out Of The Tundra

17º – Grimes – Visions

grimes

Top 2:

1. Oblivion

2. Genesis

16º - Death Grips – The Money Store

death grips

Top 2:

1. I’ve Seen Footage

2. Hacker

15º - Japandroids – Celebration Rock

japandroids-celebration-rock

Top 2:

1. The House That Heaven Built

2. Fire’s Highway

14º - The Walkmen – Heaven

WalkmenHeaven

Top 2:

1. Heaven

2. The Witch

13º - El-P – Cancer for Cure

el-p

1. The Full Reatard

2. Stay Down (feat. Nick Diamonds)

12º - Animal Collective – Centipede Hz

animal

Top 2:

1. Monkey Riches

2. Wide Eyed

11º - Godspeed You! Black Emperor – ‘Allelujah! Don’t Bend! Ascend!

gospeed

Top 2:

1. Mladic

2. We Drift Like Worried Fire

10º - Sharon Van Etten – Tramp

sharon

Top 2:

1. Give Out

2. Serpents

9º - Dirty Projectors – Swing Lo Magellan

dirty

Top 2:

1. Gun Has No Trigger

2. Maybe That Was It

8º - Tame Impala – Lonerism

Tame-Impala-Lonerism

Top 2:

1. Apocalypse Dreams

2. Elephant

7º - Swans – The Seer

Swans-The-Seer2

Top 2:

1. Mother Of The World

2. The Seer Returns

6º - Chromatics – Kill For Love

kill for love

Top 2:

1. Lady

2. These Streets Will Never Look the Same

5º – Beach House – Bloom

beach-house-bloom

Top 2:

1. Myth

2. Wishes

4º - Grizzly Bear – Shields

Grizzly-Bear-Shields

Top 2:

1. Yet Again

2. A Simple Answer

3º - Fiona Apple – The Idler Wheel…

fiona

Top 2:

1. Werewolf

2. Left Alone

2º - Frank Ocean – Channel Orange

Channel-Orange1

Top 2:

1. Pyramids

2. Sweet Life

1º - Kendrick Lamar – Good Kid M.A.A.D City

kendrick-lamar-good-kid-maad-city

Top 2:

1. Backstreet Freestyle

2. M.A.A.D City (Feat. MC Eiht)

Quando o ano de 2011 acabou havia ouvido apenas 5 álbuns nacionais, uma decepção se comparado aos anos anteriores. Muito se explica pela minha falta de tempo no ano que já passou, no qual abandonei o blog. Em 2012 as coisas mudaram (não, o blog não voltará). Os dois primeiros meses do novo ano tive tempo de sobra para correr atrás de como andou o cenário alternativo/independente da música brasileira. De maneira muito fria, selecionei 60 álbuns para analisar de maneira rápida, buscando aquelas obras mais comentadas pelos portais afora.

Abaixo fiz pequenos cometários dos discos que ouvi, selecionando ao final os 10 melhores álbuns e as 20 melhores músicas nacionais do ano de 2011. Antes, porém, faço a minha ressalva de como anda a música alternativa brasileira. É comum vermos gente idolatrando o novo cenário da música nacional e blogs que simplesmente não conseguem falar mal de uma obra. Falta exigência da crítica (tanto profissional quanto daqueles que, assim como eu, apenas escrevem em blogs suas impressões). Estou acostumado a ser exigente com aquilo que ouço. Acho imprescindível que o artista/banda saia da sua zona de conforto e de  apenas fazer o correto. Temos muitos artistas bons, mas a grande maioria ainda não aprendeu a fazer a diferença.

Daí que a música indie nacional se encontra num dilema: muito superestimado por quem vive no meio e muito subestimado por quem não está inteirado. Temos muito álbuns bons, mas poucos que realmente marcarão com o tempo. No ano de 2011 então, nenhum disco obteve nota maior do que 4 estrelas em 5. Vejo também tendências claras do novo cenário: a força da MPB paulistana e a sempre interessante música de Pernambuco, sendo os dois lugares em que mais se produzem obras significativas neste país. De resto, os pequenos comentários sobre cada álbum abaixo mostra o que eu realmente sinto pela música tupiniquim atual.

A Banda Mais Bonita da Cidade - A Banda Mais Bonita da Cidade

Um vídeo fofinho, um versinho viciante, fãs ajudando para pagar o disco. A consequência disso tudo foi o álbum mais frustante da música nacional. A Banda Mais Chata da Cidade não fez apenas um álbum ruim, fez canções que causam sensações de vergonha alheia. Alguns deveriam pedir o dinheiro de volta. Nota: 1.0/5.0

Matanza – Odiosa Natureza Humana

A fórmula do Matanza há tempos já estava desgastada, mas pelo menos ainda rendia alguns momentos divertidos e alguns riffs que chamavam atenção. Com Odiosa Natureza Humana a banda fracassa por completo, as ideias acabaram e a graça também. Nota: 1.5/5.0

Cachorro Grande – Baixo Augusta

A Cachorro Grande até tentou dar uma repaginada no visual, trocando o som mais rock clássico para algo mais, digamos, moderninho. Não adiantou, a banda continua sem salvação. Nota: 1.5/5.0

Agridoce – Agridoce

Vixe, Pitty entrou no mundo indie. Juro que não tive nenhum preconceito antes de ouvir o projeto paralelo da cantora baiana, o problema simplesmente reside no álbum em si: um indiezinho mela cueca do caralho. Nota: 1.5/5.0

My Midi Valentine – The Fall Of Mesbla

Até gosto da sinceridade nerd, reclusa e excluída da sociedade da dupla My Midi Valentine, porém, mais chata do que a rotina desses caras é o tipo de música que fazem. Fazer algo caseiro com barulhinhos de video-game nem sempre da certo, meu amigo. Poucas coisas se desenvolvem como algo realmente criativo e interessante. Nota: 2.0/5.0

CSS – La Liberación

Se tinha algo que chamava atenção na música do CSS era sua tendência eltropunk divertida e trash. Com La Liberación (e também com o álbum anterior) a produção fala mais alto e o que diferenciava a banda já não diferencia mais. O pop perdido na multidão, a história se repete. Nota: 2.0/5.0

Copacabana Club – Tropical Splash

Irmão do CSS, copiando a mesma fórmula. Parece que o Brasil ainda não aprendeu a fazer pop. Nota: 2.0/5.0

Violins – Direito de Ser Nada

Mais um típico álbum dos Violins, mas que anseia por uma sonoriade mais pop e letras mais leves. Não pega. Nota: 2.0/5.0

Tiê – A Coruja e o Coração

O disco fofinho, bonitinho e felizinho do ano, que apela para covers de músicas recentes para funcionar. Pra que fazer uma versão de “Só Sei Dançar Com Você”, de Tulipa Ruiz? Pra mostrar o quanto é inferior? Nota: 2.0/5.0

Banda Uó – Me Emoldurei de Presente Pra Te Ter EP

Acho muito interessante uma banda brasileira (e goiana!) encarar o pop escrachado à la Diplo. Coisa raríssima! Alguns momentos até funcionam muito bem (como o sampler do refrão envolvendo “Shake de Amor”). Mas a forçação de barra para soar brega e hipster tenta a todo custo esconder as fracas canções (irritantes em alguns casos). As canções! É isso que importa! Nota: 2.5/5.0

Eddie – Veraneio

Veraneio é o irmão mais novo de As Novas Lendas da Etnia Toshi Babaa, lançamento do Mundo Livre S/A. Ambos possuem o mesmo clima divertido e povoado, muita gente, muitos instrumentos, muito swingue. Mas é daí que vemos quando uma obra vale ou não a pena. Apesar da qualidade, a música de Eddie é um passatempo vago. Esquecível. Nota: 2.5/5.0

Chico Buarque – Chico

O que mais me incomoda no disco do Chico nem são as fracas letras da maioria das canções, e sim como o grande gênio se acomoda. Por isso engrandeço muito artistas como Tom Zé, ou até mesmo Caetano Veloso. Pode ser que não façam algo como nos velhos tempos, mas pelo menos ainda tentam e se arriscam, inquietam-se. O disco do Chico só me faz pensar como ele foi bom um dia. Nota: 2.5/5.0

Mallu Magalhães – Pitanga

É evidente a melhora de Mallu diante de seus dois péssimos álbuns anteriores, digamos que as coisas se tornaram mais coesas. Acontece que a artista apenas conseguiu o primeiro passo, e muito por causa do tom conservador do disco: vamos apelar pro samba e outras bossas. A apatia domina. Nota: 2.5/5.0

China – Moto Contínuo

Aqui e ali o próprio China tenta justificar a falta de ambição de seu disco. Canções que dizem que a música “só serve pra dançar” e de uma garota que não se sensibiliza por seus versos apaixonados, criando “mais um sucesso pra ninguém”. É isso mesmo, vamos virar a página e esquecer, facilmente. Nota: 2.5/5.0

Los Porongas – O Segundo Depois do Silêncio

Rock manso e conservador. Vi muita gente falando bem do segundo álbum dos acreanos Los Porongas e colocando em boas posições nas listas pelos blogues afora, mas só me fez causar sono e desinteresse. Na maioria das vezes (a boa faixa de abetura é uma excessão) achei as letras fracas, sonoridade convencional, vocal que não convence. Nota: 2.5/5.0

Bande Dessinée – Sinée Qua Non

Na onda indie fofinha, os pernambucanos da Bande Dessinée aposta toda a sua fofisse em climas nostálgicos e em idiomas que se misturam entre o francês, italiano e o próprio português. Aí eu te pergunto: até quando? Nota: 2.5/5.0

Cassim & Barbária – II

O Cassim & Barbária atira para todos os lados, buscando sempre sons exóticos e movimentos à mercê da loucura. Dito isso, o disco pode até soar divertido, mas fraco diante de suas inexpressivas experimentações. Nota: 2.5/5.0

Mariana Aydar – Cavaleiro Selvagem Aqui Te Sigo

Cantora de bonita voz faz um monte de cover em formato samba. Até quando? Nota: 2.5/5.0

Fábios Góes – O Destino Vestido de Noiva

Disco bem produzido, mas a serviço de muitas baladinhas sentimentais de dar sono. Ideal para trilha sonora de novela insossa. Nota: 2.5/5.0

Júlia Says – Violência

É raro encontrar artistas brasileiros que se arrisquem na eletrônica mais pesada e roqueira de um Chemical Brothers ou The Prodigy, algo que a dupla pernambucana Júlia Says tenta fazer, merecendo destaque por isso. Pena que o resultado seja algo bastante superficial e de pouco impacto. Nota: 2.5/5.0

Camarones Orquestra Guitarrística – Espionagem Industrial

Não sou contra o puro rock instrumental, mas quando a banda apenas grava riffs e melodias convencionais que poderiam ser acompanhados facilmente por letras, não há muito do que aproveitar. O Camarones Orquestra Guitarrística toca bem, mas apenas o básico. Não vejo lógica. Nota: 2.5/5.0

Vanguart – Boa Parte de Mim Vai Embora

Incrível como o Vanguart tem tudo para dar certo mas não dá. Mais uma vez o álbum da banda cuiabana começa muito bem, com canções realmente boas, mas que aos poucos vai se enfraquecendo. Num contexto geral acaba soando fraco. Nem eu sei mais o que falta pra essa banda engrenar. Nota: 3.0/5.0

Cícero – Canções de Apartamento

O disco é bom, mas a forma como plagia Caetano Veloso (“João e o Pé de Feijão”), a manjada maneira de fazer poesia (elefantes brancos, vagalumes cegos/elefantes cegos, vagalumes brancos) e as canções sempre formuláicas à la Beirut (começam simples e explodem no final) me incomodaram bastante. Há carência de originalidade. Nota: 3.0/5.0

Nevilton – De Verdade

O EP anterior prometia uma grande banda indie, mas “De Verdade” comprova que ficou mais pra promessa. É competente, bem tocado, mas falta brilho nas canções. A música mais marcante (“Pressuposto”) era do EP. Nota: 3.0/5.0

Quarto Negro – Desconocidos

Bom disco de estreia dos paulistas do Quarto Negro, que de primeira já mostra uma banda bastante madura. Há canções realmente boas aqui, mas como um todo o disco acaba soando cansativo diante de seus excessos. Mais longo do que deveira ser, às vezes o álbum mostra mais firulas do que momentos de real catarse. Nota: 3.0/5.0

Adriana Calcanhotto – O Micróbio do Samba

Vi muita gente chamando o samba de Calcanhotto de heterodoxo, mas acho que a palavra só se adequa pra quem realmente só vive de samba. As músicas são bem escritas e bem arranjadas, mas o formato se repete (e se repete…) e não estou acostumado a se conformar com pouco. Acho bonito, mas passageiro, até modesto. Se isso for heterodoxo, deve ser a ortodoxia da heterodoxia. Nota: 3.0/5.0

Marcelo Camelo – Toque Dela

Marcelo Camelo mais feliz, radiante e “losermado” do que antes. Não tem o clima mais profundo e denso que tanto admirei em “Sou”, o que acaba deixando o disco mais água com açúcar. Porém, a banda de apoio (Hurtmold) ainda continua fazendo a diferença. Agora com metais. Nota: 3.0/5.0

Nuda – Amarénenhuma

Típica banda que possui boas ideias, mas que são desperdiçadas diante da fraca produção.  Acredito que nas mãos de um bom produtor o som sairia melhor e mais coeso. O peso da banda acaba perdendo força diante das “bagunças” sonoras, algumas firulas desnecessárias. Nota: 3.0/5.0

Gloom – Gloom

Com um som bem característico das bandas indies dos últimos anos (comparações com Móveis Coloniais de Acaju são inevitáveis), o Gloom faz um disco de estreia bem simpático e até divertido. Falta a originalidade pra deslanchar. Nota: 3.0/5.0

Autoramas – Música Crocante

A banda não mudou nada. Música simples, rock pra cima e ritmos grudentos. Perde ponto por não sair do lugar comum, ganha ponto por manter o interesse em riffs pegajosos. Nota: 3.0/5.0

Marisa Monte – O Que Você Quer Saber De Verdade

Talvez o disco mais irregular do ano. Marisa Monte está perfeita em momentos mais emocionantes como “Depois” e terrivelmente chata na simplicidade melancólica de faixas como “Amar Alguém” e “Lencinho Querido”.  Se cortasse as metades das músicas seria um gande disco. A voz (sempre a voz) salva. Nota: 3.0/5.0

Passo Torto – Passo Torto

Reunindo alguns dos músicos mais destacados da nova MPB paulistana, o quarteto Passo Torto segue bem aquilo que vemos nos trabalhos de Romulo Fróes: samba de qualidade e boas letras. Acontece que, como na maioria das reuniões musicais como essa, o trabalho acaba sendo inferior ao individal de cada. Um bom que não se destaca. Nota: 3.0/5.0

Pública – Canções de Guerra

Apesar de não oferecer nada de mais, Canções de Guerra é um bom e consistente álbum de rock, sem os excessos dos discos anteriores da banda. Nota: 3.0/5.0

Boss In Drama – Pure Gold

Apesar de repetitivo e de seguir uma fórmula já batida há tempo, Pure Gold é o álbum pop nacional mais consistente do ano, uma surpresa por ser o trabalho de estreia de Boss In Drama. O “sucesso” está por conta do clima dançante setentista, que sempre funciona em uma pista de dança. Porém, o que faz do artista realmente ter relevância no ano é a falta de concorrência no Brasil. Nota: 3.0/5.0

Anelis Assumpção – Sou Suspeita, Estou Sujeita, Não Sou Santa

A moça sabe interpretar o samba, e só. É cruel e fora de contexto a comparação, mas falta a inventividade do pai. Nota: 3.0/5.0

Gui Boratto – III

A fórmula do Gui Boratto permanece, o mesmo minimalismo house de sempre. Em III, porém, vemos um disco bastante irregular, com momentos marcantes quando resolve  ir para caminhos mais sujos e outros que não evoluem para lugar algum. No Brasil, continua sendo um raro talento da eletrônica. Nota: 3.0/5.0

Graveola e o Lixo Polifônico – Eu Preciso De Um Liquidificador

Álbum simpático, que utiliza todos os recursos de uma banda indie que tem “Blocodo Do Eu Sozinho” como referência principal. Aquela toada. Nota: 3.0/5.0

Junio Barreto – Setembro

O samba de Junio Barreto é muito bem instrumentado e possui algumas boas canções, porém, não sai de sua zona de conforto. Nota: 3.0/5.0

Momo – Serenade of a Sailor

Marcelo Frota (que se denomina Momo) busca em Serenade of a Sailor os sentimentos de uma marinheiro em alto-mar para representar a solidão e a esperança de voltar em terra firme. Acontece que apesar de belo e bem produzido, algumas faixas pouco nos angustia nessa jornada. É um bom disco, mas que não se aprofunda tanto assim. Nota: 3.0/5.0

Beto Só – Ferro-Velho de Boas Intenções

Bonito álbum do Beto Só. Bem pessimista e autocrítico, o cantor brasiliense vai cuspindo suas palavras de melancolia em melodias tocantes e momentos que realmente sensibilizam. Nota: 3.5/5.0

ruído/mm – Introdução à Cortina do Sótão

O rock intrumental do ruído/mm sai do lugar comum de apenas fazer rock sem letras e explora ambientes diversos, dos mais calmos aos mais pesados e sempre com muita técnica. Boas melodias, mas que acabam se tranformando numa trilha sonora sem filme, incompleta. 3.5/5.0

Silva – Silva EP

Apesar de inofensivo, um bom EP de estreia de Silva, que tenta uma sonoridade bem próxima do indie encontrado lá fora. Dá para acreditar em um bom disco pela frente. Nota: 3.5/5.0

Lê Almeida – Mono Maçã

Disco bastante ousado. Não me lembro de outro artista entrar com tanto afinco no mundo lo-fi quanto Lê Almeida. E o cara fez tudo sozinho, grande revelação. Nota: 3.5/5.0

Bixiga 70 – Bixiga 70

Disco intrumental swingado e delicioso de ouvir, daqueles com cheiro de África e repleto de metais. Não sai muito do lugar comum do que vários artistas renomados já fizeram, mas sempre vale a pena. Nota: 3.5/5.0

Lirinha – Lira

É até surpreendente como Lirinha conseguiu se despregar do Cordel do Fogo Encantado em seu primeiro álbum solo. Um disco que mostra a sua força mais pela sonoridade do que pelas letras em si, algo estranho para um artista que prima tanta pela poesia quanto Lirinha. Apesar da irregularidade de algumas canções, o disco acaba funcionando por  suas inquietações. Nota: 3.5/5.0

Romulo Fróes – Um Labirinto Em Cada Pé

Possui belas letras e uma intrumentação bem elaborada, o que já deixa o álbum de Romulo Fróes acima de muitos do ano. Pena que toda essa eficiência acaba não funcionando de maneira marcante em formato de música, com ritmos pouco inspirados, ao contrário do que acontecia em “No Chão Sem O Chão”, o ótimo disco anterior do músico. Nota: 3.5/5.0

Ogi – Crônicas da Cidade Cinza

Um bom disco de hip hop com versos e rimas muito bem boladas por Ogi. A cidade de São Paulo e as dificuldades das pessoas que moram lá mais um vez é o tema, o que cairia em desgaste se não fosse o talento do rapper. Faltou um capricho maior na produção e nos samplers. Nota: 3.5/5.0

Sobre a Máquina – Areia

Interessante amostra de música eletrônica brasileira. O som do Sobre a Máquina vai fundo nas experimentações de climas e texturas, alternando os seus momentos densos e sombrios com batidas que até chegama a ser “dançantes”. O resultado é hipnotizante. Nota: 3.5/5.0

Gal Costa – Recanto

Gal Costa pega as letras de Caetano e brinca com chiados, guitarras distorcidas, batidas eletrônicas, autotune e dá um banho na nova geração de cantoras. Peca por causa de algumas canções/letras pedantes, mas é um exemplo de artista consagrada que dessa vez resolveu não se acomodar. Nota: 3.5/5.0

Karina Buhr – Longe de Onde

Karina Buhr confirma a sonoridade ousada que a revelou em seu primeiro disco. Longe de Onde até possui momentos bem voltados para o rock, pensados de maneira bastante criativa, o que muitas bandas de rock nacionais estão longe de conseguir fazer. Nota: 3.5/5.0

OS 10 MELHORES ÁLBUNS:

10° - Pélico – Que Isso Fique Entre Nós

Disco muito simples e intimista, mas que possui muita força devido a performance de Pélico. O vocal do cantor está no ponto, que se destaca em suas variações e demonstra todo o sentimento envolvido. Nota: 3.5/5.0

9º - Emicida – Doozicabraba e a Revolução Silenciosa

 Emicida mais afiado do que antes e que tenta a todo momento se autoafirmar, principalmente no atual momento em que todos olham para ele. Em termos sonoros, um álbum mais produzido e conciso, o que melhora o talento natural do rapper. Nota: 3.5/5.0

8º - Constantina – Haveno

Álbum instrumental de muita sensibilidade. Os mineiros da Constantina se apoiam nos instrumentos e em alguns barulhinhos eletrônicos para formar sons suaves, mas com momentos de catarse. Como a própria capa demonstra, a intenção aqui é representar o mar e todas as suas proesas. Nota: 4.0/5.0

7º - Lula Queiroga – Todo Dia É O Fim Do Mundo

O veterano Lula Queiroga lança um álbum criativo e atual. Todo Dia É O Fim Do Mundo mostra que o final dos tempos nada mais é do que o nosso ordinário cotidiano, casos que terminam e amores que se vão. Toda a experiência de crises do homem moderno é levada com muita criatividade por Lula, que aposta nos diversos ritmos em marcantes melodias para criar um dos melhores discos nacionais do ano. Nota: 4.0/5.0

6º - São Paulo Underground – Três Cabeças Loucuras

O álbum instrumental experimental que tanto amamos. São Paulo Underground mostra muita competência na elaboração de sua música misturada por vários ritmos e estilos. Um disco instrumental que vale a força de ser instrumental. Nota: 4.0/5.0

5º - Wado – Samba 808

Não é o melhor do artista, mas muito bem feito e agradável como qualquer disco do Wado, lembrando do clima do ótimo “Terceiro Mundo Festivo”. Ainda vemos um claro avanço na produção, que é completada por uma excessiva participação de grandes nomes da música indie atual. Nota: 4.0/5.0

4º - Mundo Livre S/A – As Novas Lendas da Etnia Toshi Babaa

Bom como sempre, o Mundo Livre aposta em ritmos mais pop e muitos barulhinhos eletrônicos. Um álbum bem povoado, muitos intrumentos e canções excelentes para ouvir com os amigos. A banda continua se destacando, mesmo quando abandona temas mais profundos para soar mais divertido. Nota: 4.0/5.0

3º - Bonifrate – Um Futuro Inteiro

Álbum muito bonito e bem tocado. Possui elementos ainda pouco explorados pelas bandas nacionais, como o country rock de teclados e slide de guitarra pra tudo quanto é lado. Boas letras e sonoridade marcante fazem do Bonifrate uma das grandes bandas do ano, apesar de terem sido ignorados pela maioria da crítica especializada pelo seu teor ainda muito independente. Nota: 4.0/5.0

2º - Kassin – Sonhando Devagar

Belo álbum de Kassin! Sonoridade diversificada, canções muito boas, letras divertidas e muito bem produzido. Um álbum bastante eclético que passeia muito bem pelas variações da música brasileira, além de ser o disco que mais se arriscou do ano. Nota: 4.0/5.0

1º - Criolo – Nó Na Orelha

A grande sensação do ano não possui um disco perfeito, muito por causa do conjunto de canções muito díspares, que enfraquecem o poder de concisão da obra. Mas é inegável que as melhores músicas do ano se encontram aqui, e as várias facetas (hip hop, baladas, bolero…) revelam um disco brasileiríssimo e muito agradável. Quer queira, quer não, quando alguém perguntar qual era o disco de 2011, o do Criolo será a resposta. Nota: 4.0/5.0

AS 20 MELHORES MÚSICAS:

20º –  Lirinha – Sistema Lacrimal

19ºEmicida – Pequenas Empresas

18ºLula Queiroga – Unha e Carne

17ºKarina Buhr – Pra Ser Romântica

16ºRomulo Fróes – Ditado

15ºCícero – Tempo de Pipa

14ºGaby Amarantos – Xirley

13ºMarisa Monte – Depois

12ºPélico – Recado

11ºSilva – 12 de Maio

10ºLê Almeida – Transporpirações

09ºGal Costa – Neguinho

08ºVanguart – Mi Vida Eres Tu

07ºEmicida – Viva

06ºKassin – Calça de Ginástica

05ºCriolo – Subirusdoistiozin

04ºBonifrate – A Farsa do Futuro Enquanto Agora

03ºMundo Livre S/A – O Velho James Brouse Já Dizia

02ºWado – Com A Ponta Dos Dedos

01ºCriolo – Não Existe Amor em SP

10 Menções honrosas (ordem alfabética):

  • Danny Brown – XXX
  • Lykke Li - Wounded Rhymes
  • Panda Bear - Tomboy
  • Radiohead - The King Of Limbs
  • Sepalcure – Sepalcure
  • Shabazz Palaces - Black Up
  • TV on the Radio - Nine Types of Light
  • WU LYF – Go Tell Fire to the Mountain
  • Wild Beasts - Smother
  • Wild Flag - Wild Flag

20 – The Antlers - Burst Apart

Ouça: Parentheses

19 - Washed Out - Within and Without

Ouça:  Amor Fati

18 - PJ Harvey - Let England Shake

Ouça:  The Words That Maketh Murder

17 - Gang Gang Dance - Eye Contact

Ouça: Adult Goth

16 - tUnE-yArDs - w h o k i l l

Ouça: Bizness

15 - Handsome Furs - Sound Kapital

Ouça: Bury Me Standing

14 - Yuck – Yuck

Ouça: The Wall

13 - Nicolas Jaar - Space Is Only Noise

Ouça: Space Is Only Noise If You Can See

12 - Kurt Vile - Smoke Ring For My Halo

Ouça: In My Time

11 - M83 - Hurry Up, We’re Dreaming

Ouça: Midnight City

10 - Toro Y Moi - Underneath The Pine

Ouça: Elise

09 - Destroyer - Kaputt

Ouça: Kaputt

08 - Fucked Up - David Comes to Life

Ouça: Queen Of Hearts

07 - Girls - Father, Son, Holy Ghost

 Ouça: Vomit

06 - Smith Westerns - Dye It Blonde

Ouça: Fallen In Love

05 - The Weeknd - House of Balloons

Ouça: Wicked Games

04 - James Blake - James Blake

Ouça: The Wilhelm Scream

03 - Bon Iver - Bon Iver

Ouça: Calgary

02 - St. Vincent - Strange Mercy

Ouça: Surgeon

01 - Fleet Foxes - Helplessness Blues

Ouça: Bedouin Dress

Não, essa não é a lista dos melhores álbuns de todos os tempos e nem a dos mais importantes (apesar de muitos aqui encaixarem nessas categorias). É simplesmente a lista dos 50 discos mais importantes ou que mais apareceram na minha vida. O detalhe é que são obras que ainda admiro muito, que enxergo que foram decisivos para modelar o meu gosto musical. A minha infância vergonhosa regada a Mamonas Assassinas e as lembranças que tenho do sertanejo e de Claudinho e Bochecha e afins não contam, nem mesmo uma pequena passagem que tive com o nu metal, disso eu não carrego mais.

Mesmo assim, vale anotar mais algumas ressalvas. É evidente que álbuns importantíssimos ficarão de fora (Nevermind, Loveless, Pet Sounds…), é uma lista feita de coração. O que vale aqui é pra mim! Outros artistas que tiveram muita importância na minha vida como Raul Seixas, Mutantes, Neil Young, Tom Waits, The Doors e etc não entraram, pois na minha vida se destacaram mais pelo conjunto da obra do que por uma obra específica (pelo menos entre os 50 primeiros). Lembrando, a lista é de álbuns! Já outros discos que gosto muito também não entraram por falta de espaço. Só cabe 50! Mas deixo aqui uma menção honrosa sem ordem alguma: Bitches Brew (Miles Davis), Hot Rats (Frank Zappa), Late Registration (Kanye West), Mezzanine (Massive Attack), Sound of Silver (LCD Soundsystem), Merriweather Post Pavilion (Animal Collective), Double Nickels On The Dine (Minutemen), Spiderland (Slint), Everbody Knows This is Nowhere (Neil Young with Crazy Horse), Deserter’s Songs (Mercury Rev), Master of Reality (Black Sabbath), Odelay (Beck) e The Velvet Underground & Nico (The Velvet Underground).

Vamos a lista:

50 – Arnaldo Baptista – Loki? (1974)

Em uma lista sincera dos discos que fizeram parte da minha vida, não poderia faltar o álbum mais sincero e entregue de todos os tempos. A vida de Arnaldo Baptista é tão conturbada que já até virou filme, daqueles com começo, reviravoltas e clímax. Loki? não tem o surrealismo, a tropicália e até mesmo a genialidade que tanto marcou Os Mutantes, mas pela primeira vez enxerguei em um álbum de 10 faixas o poder do que é ser verdadeiro “de verdade”, daqueles que dizem: “estou nas últimas, minha vida é uma merda, me ajude por tudo que é mais sagrado”, sem firulas, sem poesia, sem interpretações e sem ajuda de dicionário. Tudo é cuspido da forma ordinária que tanto identifico em um álbum que não soa forçado para mostrar os seus sentimentos. E quando vemos que o nosso herói tem as mesmas simples e aterrorizantes crises que todos nós temos, quem irá nos ajudar? Arnaldo, em algum momento, dá a pista: “não sou perfeito, nem mesmo você é”.

As faixas: Desculpe e Será Que Eu Vou Virar Bolor?

 

49 - King Crimson – In the Court of the Crimson King (1969)

Na minha adolescência, quando comecei a perceber o que era música de verdade, tive uma aproximação muito forte pelo rock progressivo. Pra mim o punk era simples de mais, e naquela época eu ainda não entendia que a simplicidade era importante e blá blá blá. Eu queria ver o troço pegar fogo, as guitarras viajarem em solos virtuosos, a psicodelia chegar até as últimas consequências. O debut do King Crimson tinha tudo aquilo que mais gostava. A começar pela capa, o que até hoje me desperta o desejo de obter o LP de In the Court of the Crimson King só para apreciar o desespero em tamanho grande e real. O interessante é que por trás desse terror o álbum esconde faixas até belas demais. Baladas emocionantes de 8 minutos, mas com o solinho de guitarra no final, é claro.

As faixas: 21st Century Schizoid Man e Epitaph

 

48 – The Avalanches – Since I Left You (2000)

Houve um período em que tentava sem muito sucesso fazer as melhores mixtapes de todos os tempos. Selecionava faixas interessantes, que poucos conheciam, e via se ficaria adequado em uma pista de dança. Não ficava. Rapidamente percebi que não daria pra isso. Por bem ou por mal a culpa era de Since I Left You, essa sim, a melhor mixtape de todos os tempos. Incrível como o The Avalanches seleciona, mistura e mixa sem parecer piegas os melhores sons em uma estrutura de produção coesa e marcante. Uma aula de como ser DJ de bom gosto. Os vários estilos musicais e os vários trechos de outras canções famosas se perdem num emaranhado de sons que se tornam únicos. Parece que você está ouvido tudo aquilo pela primeira vez, e a verdade é bem essa mesmo.

As faixas: Since I Left You e Frontier Psychiatrist

 

47 – Sly And The Family Stone – Stand! (1969)

A primeira vez que ouvi Sly and The Family Stone foi em uma cena marcante do filme Zodíaco, de David Fincher, na ocasião era o clássico “I Want to Take You Higher”, e logo associei que era algo que já tinha ouvido e não sabia de quem era. Hoje, a única cena que lembro do filme é essa. Logo, Stand! foi a minha iniciação no funk de metais pesados dos Estados Unidos. Virei fã de James Brown, Funkadelic, War e The Temptations, mas ninguém alcançou em disco o poder sonoro de guitarras wah wah de Stand! Percebi que o funk tinha um poder instrumental maior do que simplesmente fazer as pessoas dançarem.

As faixas: I Want to Take You Higher e Sing A Simple Song

 

46 – Tim Maia – Racional Vol. 1 (1975)

Discos cheios de histórias e polêmicas já nos fascinam por si só. Toda a viajem cósmica de Tim Maia envolvendo os seus dois volumes de Racional já seria o suficiente para chamar a atenção, mas a verdade é que Tim nunca foi tão perfeito musicalmente quando estava sóbrio. Sóbrio com relação a sua saúde, mas ludibriado de forma total em uma grande bobagem. Para mostrar que a força musical de Tim em nada tinha a ver com a energia racional, a melhor faixa do disco é um bônus disfarçado de clássico: “Ela Partiu”, que sempre emociona. Racional Vol. 1 sempre me marcou nas viagens com os amigos, paródias envolvendo “Bom Senso” e “O Grão Mestre Varonil” e churrascos em que demorávamos umas 3 horas para conseguir acender o fogo. Descontração total, embalada na beleza da voz do maior homem do mundo.

As faixas: Ela Partiu e Bom Senso

 

45 – Jay-Z – The Blueprint (2001)

Tratava o hip hop com distanciamento. Demorei a entender o pop falado que tocava nas rádios, o que não foi muito culpa minha, o hip hop que toca lá definitivamente não presta. Jay-Z pra mim era uma figura que tinha feito parceria com Linking Park e que pegava a Beyoncé. Sem chance.  Mas as coisas mudam, meu caro. The Blueprint não foi o primeiro disco do gênero que senti atraído, mas foi o primeiro que exclamei: “puta que pariu!”. O rapper americano faz tudo perfeito aqui, não atribuindo a sua força apenas nas letras, mas com samplers marcantes e sonoridade agradável. Depois de The Blueprint virei especialista de bons álbuns de hip hop, mas esse fica como um marco.

As faixas: Takeover e Girls Girls Girls

 

44 – Queens of the Stone Age – Songs for the Deaf (2002)

Mesmo há um bom tempo sem ouvir Songs for the Deaf, nunca me esqueço do clima de urgência que o disco proporciona. Um álbum pesado, mas de fácil digestão, tudo que uma banda de rock atual sonha em fazer. Disco essencial por ter me levado a sons mais alternativos, com riffs de guitarras memoráveis levados à velocidade de um carro americano clássico e esportivo. Aqui, o Queens of the Stone Age tentou ensinar como se faz rock cheirando a álcool de forma mais pop e acessível, o que parece não ter dado certo, pois pouquíssimos de fato aprenderam.

As faixas: Go With The Flow e No One Knows

 

43 – Blur – Parklife (1994)

Daquela rivalidade que existia entre Oasis e Blur, eu sempre apoiava a segunda, a banda que melhor definia o britpop. Os irmãos Gallagher sempre faziam poses de valentões, enquanto Damon Albarn era o amigo nerd. Não era difícil se apaixonar e se identificar pelo jeitão jovial do Blur com faixas como “Song 2″ e um clipe que tinha uma fofa caixinha de leite andante. Porém, o disco que define a banda e as memórias de todos daquele período de fato é Parklife, que selecionava as melhores faixas da banda em um só lugar. Um disco diretamente encomendado por toda uma nova geração de adolescentes ingênuos sedentos por um rock grudento, leve e manso.

As faixas: Girls & Boys e This is a Low

 

42 – Metallica – Kill ‘Em All (1983)

Já tive a minha época do metal, mas nada muito forte e que durou por pouco tempo. Entrei nessa muito por influência de amigos do colégio que queriam por tudo me levar para o lado negro da força. O primeiro disco do Metallica que ouvi foi o álbum preto, o mais indicado pra iniciantes, mas confesso que só senti algo realmente acontecendo em Kill ‘Em All. A guitarra aqui parecia a partida de um carro sempre engasgado, e isso pra mim era revolucionário. Não a toa é o disco que marca o começo do thrash metal. “Whiplash” e “Seek and Destroy” ficaram pra sempre na minha memória a ponto de defini-las como o auge do metal. Se alguém me perguntar qual é o disco que melhor representa o rock, mesmo irracionalmente eu logo responderei: Kill ‘Em All! Mothafoker!

As faixas: Whiplash e Seek and Destroy

 

41 – New Order – Power, Corruption & Lies (1983)

Cresci com a mentalidade de que a década de 1980 era a década perdida. A new wave e o synthpop eram tratados como lixo no meu ciclo social, e o sintetizador era a praga da humanidade. Na música, isso pode ser tratado como a maior de todas as falácias de quem não entende ou talvez por quem nunca ouviu Power, Corruptions & Lies, a obra-prima do New Order. O que mais me aproximou da banda foi o modo de como eles continuaram seguindo em frente após o fim trágico do Joy Division. Ainda há resquícios sonoros da banda antiga, mas adaptado por aquilo de novo que existia. Batidas dançantes, mas escondidas em atmosferas deprimentes. Uma maravilha.

As faixas: Age of Consent e Your Silent Face

 

40 – Iggy Pop – Lust for Life (1977)

Quando ouvi “The Passanger” pela primeira vez logo veio a indagação: “mas essa música não é do Capitão Inicial?”. Não, não era. A partir daí entendia o que era se aproveitar fazendo adaptações de artistas consagrados. A música me apresentou para o ótimo Lus for Life, o disco mais marcante de Iggy Pop. Após o fim dos Stooges, Pop estava completamente drogado e acabado. David Bowie, o cara, deu aquela força e produziu os dois primeiros discos solos que salvaram a carreira (e a vida) do pai do punk rock. Lust fo Life é daqueles discos redondinhos, no qual todas as faixas são ótimas, pra cima e empolgantes. Um disco de melodias e refrões que ficam pra toda vida, daqueles que constantemente sofrem versões criminosas de bandinhas brasileiras.

As faixas: Lust for Life e Sixteen

 

39 – The Velvet Underground – Loaded (1970)

O primeiro disco do Velvet Underground de fato é um dos mais importantes e influentes de todos os tempos, e pensando de forma racional sem dúvidas é o melhor. Mas nem tudo na vida caminha de maneira racional, principalmente numa lista dessa. O debut de 1967 era avançado de mais pra mim na época em que comecei a ouvir a banda, enquanto que Loaded caía como uma luva. O Velvet Underground nunca foi tão pop e acessível como aqui, um álbum cheio de hits e memorável de início ao fim. A própria intenção da banda era essa, libertar-se da áurea de Andy Warhol e tocar nas rádios. Não sei se funcionou na época, mas pra mim foi a estratégia perfeita.

As faixas: Sweet Jane e Rock & Roll

 

38 – Beck – Sea Change (2002)

Sea Change se enquadra naquele conjunto de álbuns belos de tão tristes e sinceros que são. Mais precisamente na categoria de fim de uma grande paixão. Beck, um cara sempre chegado a muitas colagens eletrônicas, ritmos animados e gêneros variados, surpreendeu muita gente (e a mim especialmente) ao trazer toda a sua experimentação sonora em um álbum muito comovente. São aulas de como os arranjos podem influenciar a sensibilidade de comoção do ouvinte. Até hoje, após um milhão de audições, arrepio quando ouço “Lonesome Tears”. Que música! Que Disco!

As faixas: Lonesome Tears e Paper Tiger

 

37 – R.E.M. – Murmur (1983)

O pop rock nunca soou tão novo e maduro ao mesmo tempo quanto ao primeiro álbum do R.E.M. Murmur tem todos os aspectos de disco clássico feito por uma banda muito experiente, com sons e melodias tecnicamente simples, mas muito seguras de si. Lembro que não chegou a ser um amor à primeira vista pra mim (apesar de a faixa de abertura, “Radio Free Europe”, ser um clássico certeiro), mas que foi me conquistando aos poucos ao ponto de achá-lo perfeito. Tudo se encaixa bem aqui: a produção, a ordem das músicas, as letras… Daqueles prodígios que já tiram um 10 logo de primeira.

As faixas: Radio Free Europe e Talk About The Passion

 

36 – Happy Mondays – Pills ‘n’ Thrills and Bellyaches (1990)

Dizem se tratar de um dos álbuns mais chapados de todos os tempos, quando a banda mesmo diz que conheceu o ecstasy. Pra mim foi a descoberta de que o rock poderia misturar com o funk, dub, hip hop, jazz e música latina para formar um disco dançante com letras sobre uma vida ordinária. É um álbum que sonoramente está mais para os anos 80, mas com o estilo de vida dos anos 90. Mais um exemplar em que todas as faixas agradam, perfeito para um clima descontraído entre amigos que irão conversar sobre nada de importante.

As faixas: Kinky Afro e Step On

 

35 – David Bowie – Aladdin Sane (1973)

David Bowie tem tantos álbuns bons e fases diferentes que as opiniões de qual seria o melhor disco do cara são muito divergentes. Uns preferirão o mais profundo e comovente Hunky Dory, outros preferirão a fase de Berlim com Low, os mais tradicionais preferirão o perfeitinho Ziggy Stardust, e por aí vai. O meu preferido é o discaço Aladdin Sane, talvez o mais roqueiro do camaleão do rock.  O álbum ainda pega a fase andrógena e glam de Bowie, mas de uma forma mais suja e com muita guitarra. Porém, o que mais me faz gostar do disco é a presença da faixa “Drive In Saturday”, melodia perfeita e uma letra que me fez passar um dia inteiro pesquisando e decifrando do que se tratava.

As faixas: Drive In Saturday e Aladdin Sane

 

34 – Caetano Veloso – Transa (1972)

Exilado em Londres, Caetano Veloso gravou aquele que seria o melhor álbum de sua carreira. Transa difere um pouco daquilo que veríamos de Caetano no futuro, não porque boa parte de suas músicas são cantadas em inglês, mas sim pelo clima solto das gravações do disco, que contaram com a presença de nomes como Jards Macalé e Moacyr Albuquerque. O disco trazia as ideias inspiradas do cantor baiano inseridas em várias jam sessions descoladas de muita fritação, criando faixas longas e cheias de improvisos como “Triste Bahia”. Transa foi o primeiro álbum que ouvi de Caetano, quando finalmente entendi a importância que o mesmo representa não só para o Brasil, mas como para toda música. Lembro que ficava admirado com aquelas misturas de idiomas que significavam tudo: “I’m alive and vivo muito vivo, vivo, vivo”. Jogos de armar, já diria Tom Zé.

As faixas: Mora Na Filosofia e Nine Out of Ten

 

33 – The Cure – Disintegration (1989)

Em meados da década de 1980, o The Cure passou de uma banda sombria e impenetrável para algo mais comercial. Os seus clipes passavam na MTV e músicas como “In Between Days” eram sucessos. Tudo levava a crer que entrariam no piloto automático, mas houve o retorno denso com Disintegration, definitivamente o melhor álbum da banda. O disco tem aquilo que mais me fascina do The Cure: o obscuro aliado a paixão. Robert Smith é daqueles caras bem esquisitos de imagem gótica, mas de coração entregue (“Loversong” é um presente de casamento para a sua mulher). Desintegration é todo assim: denso, quase suicida, mas apaixonante.

As faixas: Fascination Street e Lullaby

 

32 – The Band – The Band (1969)

Também tive a minha fase de country rock, é claro. Passei muito tempo ouvindo Neil Young, um pouco de The Byrds e Creedence. Mas nenhum desses teve um disco tão marcante quanto a melhor banda de apoio de Bob Dylan: o álbum autointitulado de 1969 da The Band. Acho que já deu pra perceber que discos em que todas as músicas são ótimas me atraem, com esse clássico da The Band não poderia ser diferente. A obra possui as melhores interações entre músicas animadas e tocantes sobre a América. Cada faixa é uma paulada, ou pra divertir ou pra derrubar o seu coração. Tudo, claro, muito bem elaborado instrumentalmente por artistas que já até apoiaram Bob Dylan.

As faixas:  Up on Cripple Creek e Whispering Pines

 

31 – Wilco – Yankee Hotel Foxtrot (2002)

O que mais intriga em Yankee Hotel Foxtrot é pensar como um disco desse foi rejeitado pela própria gravadora (que ironicamente comprou o projeto novamente). Fato é que o Wilco nunca mais conseguirá produzir outra pérola tão perfeita como essa, já um clássico para a geração pós-2000. Como ser deste século, é inegável o poder que o disco trouxe sobre a minha personalidade musical. Já adepto ao country rock mais tradicional, o álbum abriu novos caminhos para o gênero em minha cabeça, com faixas que se desintegram em parafernálias sonoras. E são exatamente os momentos de maior risco, quando a banda fica inquieta, que fazem de Hotel Foxtrot um marco, algo que os executivos de gravadoras nunca entendem.

As faixas: Jesus, etc. e Ashes of American Flags

 

30 – Pink Floyd – Wish You Were Here (1975)

Quem me conhece sabe que a minha banda favorita é o Pink Floyd. Hoje, quase não ouço, mas fiz uma promessa pra mim mesmo de que nunca a tiraria do pedestal. É daquelas bandas que sei de tudo, conheço a discografia de forma detalhada e até batalhei pra ir a um show do Roger Waters gastando dinheiro que não tinha. Haverá outros álbuns deles nessa lista, mas vamos falar deste. Gostar da faixa “Wish You Were Here” já virou um grande clichê, mas o disco continua surpreendendo até hoje pela construção da grande música presente aqui: “Shine On You Crazy Diamond”. A canção já nasceu do mito de que Syd Barrett apareceu no estúdio durante a gravação e todos ficaram emocionados, e trás consigo os melhores solos da guitarra sempre lenta de David Gilmour. Nunca me esqueço de soltar a risadinha que logo aparece depois do primeiro verso de Shine On. Uma banda cheia de detalhes.

As faixas: Shine On You Crazy Diamond (parts I-V) e Wish You Were Here

 

29 – Arcade Fire – Funeral (2004)

Pra muitos, o disco definitivo dos anos 2000. Enquadro Funeral mais como um marco da música indie atual. Assim como o Los Hermanos influenciou uma pá de novas bandas no Brasil, o Arcade Fire veio para mostra ao mundo a tendência de como seria o indie de 2004 pra frente. Porém, mais do que a sua importância, o disco tem a essência de pegar o ouvinte de jeito. Impossível não ser atraído por Funeral e declarar amor incondicional pela banda. Por que nos sentimos tão próximos do Arcade Fire? Talvez seja por causa do clima nostálgico e das melodias que sempre encontram um ponto de catarse (quase um orgasmo sonoro). O que sei é que Funeral já faz parte de qualquer lista que envolva alguma coisa da música.

As faixas: Neighborhood #1 e Wake Up

 

28 – Chico Buarque – Construção (1971)

Construção não é apenas um dos discos brasileiros mais importantes de todos os tempos, como também destoa de toda a discografia de Chico Buarque. O álbum não é apenas corajoso nas suas letras de confronto explícito a ditadura militar, como também mostra uma sonoridade moderna e surpreendente para a carreira de Chico. Construção sai da zona de conforto do sambinha e bossa nova do cantor para entrar na tropicália como nenhum disco da tropicália foi. É evidente que o mérito é do próprio músico brasileiro, mas os arranjos de Rogério Duprat foram decisivos para deixar o disco como um marco. De fato, é toda a miscelânea sonora da faixa título que me fez aproximar do álbum, para só então entender o que Chico realmente queria dizer.

As faixas: Construção e Desalento

 

27 – George Harrison – All Things Must Pass (1970)

All Things Must Pass ser o primeiro álbum triplo da história da música faz todo o sentido quando entendemos a carreira dos Beatles. Muito boicotado em sua ex-banda, George Harrison foi guardando as suas músicas rejeitadas para no mesmo ano da separação lançar aquele que é o melhor disco de um ex-beatle. Na verdade, o álbum se torna especial por ser aquele que realmente seguiu os traços do que a maior banda de todos os tempos foi um dia. Está tudo ali, como uma grande banda muito bem produzida, cheia de faixas grandiosas e tocantes, sem as reflexões terapêuticas de John e sem a simplicidade de Paul. É George, o beatle gente boa da galera.

As faixas: Isn’t It A Pity e Beware Of Darkness

 

26 -  Led Zeppelin – Led Zeppelin III (1970)

Todo menino que cresceu ouvindo hard rock já teve o seu momento Led Zeppelin, a banda mais perfeita do gênero. É difícil escolher um disco favorito da banda, já que em praticamente todos encontramos clássicos absolutos do rock. Mas tenho um carinho especial por Led Zeppelin III, que conseguiu reunir as duas melhores músicas da banda: “Immigrant Song”, obrigatória para qualquer abertura de coletânea ou show, e “Since I’ve Been Loving You”, a balada mais tocante de todos os tempos. O álbum também trás em seu lado B momentos mais acústicos ainda inéditos para o grupo, fruto da estadia de alguns membros em um campo sem eletricidade no período de criação. O que mostrou mais ainda quanto completo o Led Zeppelin foi.

As faixas: Since I’ve Been Loving You e Immigrant Song

 

25 – Pixies – Doolittle (1989)

Pixies veio do pacotão “como entender a música dos anos 90″, quando muito didaticamente fui descobrindo as bandas que abririam as portas pelo “novo” rock alternativo. Dentre os discos essenciais estava Doolittle, amor à primeira vista junto com Surfer Rosa, que ouvia quase simultaneamente. O que mais me chamava atenção era a forma como os instrumentos apareciam secos, com pouca produção, bateria e baixo bastante perceptíveis, e muito por causo do clima de louco varrido de Black Francis. Os discos do Pixies, e especialmente este aqui, trazem aquela loucura sonora urgente que não conseguimos nos afastar. Insanidade contagiosa, diferente e fatal.

As faixas: I Bleed e Gouge Away

 

24 – Pavement – Wowee Zowee (1995)

De uma banda que tem Slanted and Enchanted e Crooked Rain, Crooked Rain no currículo, seria uma blasfêmia selecionar Wowee Zowee como disco favorito. Mas acontece que, mesmo gostando muito dos outros dois álbuns citados, é o disco de 95 que me fez  sentir completamente viciado. Aqui, o Pavement experimenta tudo aquilo que está na cartilha de uma banda ambiciosa: muitas músicas, experimentações e muito excesso. Não foi muito bem recebido na época, mas creio que hoje essas bagunças desconexas são tratadas como pérolas. Ah! Que saudade de discos que disparavam para tudo quanto é lado.

As faixas: Grounded e Father To A Sister Of Thought

 

23 – The Kinks – The Kinks are the Village Green Preservation Society (1968)

Gosto de muitos álbuns do The Kinks, mas a ingenuidade de The Village Green Preservation Society me marcou de certa forma. Diante da rebeldia das bandas psicodélicas do final dos anos 60, a celebração de família tradicional dos velhos tempos não colou muito na época. Hoje, o álbum é considerado imortal, muito por causa das melodias grudentas de pop agradável de Ray Davies. Gostava das composições saudosistas que recordavam o Pato Donald e a geleia de morango. Achava diferente. Pra mim, quebrar guitarra no palco era um grande clichê.

As faixas: Last of the Steam-Powered Trains e Big Sky

 

22 – Elliott Smith – Either/Or (1997)

Outro disco fatal! Nenhum outro músico foi tão tocante quanto Elliott Smith, e nisso bato o martelo. O auge dessa melancolia suicida foi o perfeitinho Either/Or, disco de fazer chorar. Smith tinha o talento incrível de conseguir compor letras e melodias muito tocantes, de cantar bem, de tocar todos os instrumentos de seus álbuns e também de produzi-los. Daqueles gênios que de tão sensíveis e carregados pela pressão do mundo, não poderiam ter outro futuro se não a morte prematura. O artista ainda deixou outros ótimos álbuns, mas nenhum fere tanto na alma quanto Either/Or.

As faixas: Between the Bars e Alameda

 

21 – Bob Dylan – Highway 61 Revisited (1965)

O que dizer de um disco que tem “Like a Rolling Stone”, considerada constantemente como a melhor música de todos os tempos? Eu diria que nesse caso o que me fez me aproximar de Highway 61 Revisited foi outra música, mais precisamente a melodia de piano de “Ballad of a Thin Man”. Muito a frente do seu tempo, Dylan já dizia: “something is happening here, but you don’t know what is it”. Nesse caso, o músico já havia feito a revolução do rock, quando deixou pra trás o seu folk de protesto para plugar uma guitarra em formato de metralhadora. Highway 61 Revisited deixava a marca de um homem que mudou a música, com letras e melodias perfeitas, além daquele órgão incessante, é claro.

As faixas: Ballad of a Thin Man e Like a Rolling Stone

 

20 – Jorge Ben – África Brasil (1976)

A Tábua de Esmeraldo é o trabalho mais importante de Jorge Ben, e também o favorito de 8 entre 10 brasileiros. Mas o remix animado que o cantor dá a suas próprias músicas em África Brasil se tornou o disco mais swingado e marcante da discografia (pelo menos pra mim).  Aqui, Jorge enfim experimentou a sua guitarra para formar riffs célebres como o de “Ponta de Lança Africano” e juntou aquelas que são as suas faixas mais conhecidas pelo povão: “Taj Mahal” e “Xica da Silva”. Porém, o maior significado do álbum está em seu próprio título, a ligação entre Brasil e África, nos ritmos, nas letras, na cultura popular. É o álbum mais cara de Brasil que temos , está na raiz!

As faixas: Ponta de Lança Africano (Umbabarauma) e História de Jorge

 

19 – Radiohead – Kid A (2000)

Kid A é o álbum que melhor define o apocalipse digital pós- anos 2000. Para um fã de Ok Computer (ou de qualquer coisa, aliás) foi a fita mais estranha na música naquela época. Um disco de uma banda de rock sem guitarras? WTF? Acontece que tudo foi fazendo sentido com o tempo. Mais de 10 anos depois, Kid A continua moderníssimo e surpreendente, daqueles álbuns que melhoraram com o tempo. Não considero que só estavam a frente de seu tempo, mas que introduziram um novo caminho para a música: estranha, quebradiça, eletrônica, gelada. A era da internet e do download começava naquele momento.

As faixas: Idioteque e Morning Bell

 

18 – Pink Floyd – The Piper at the Gates of Dawn (1967)

Por incrível que pareça, foi o primeiro álbum do Pink Floyd que ouvi por completo. Na época que ainda baixava músicas avulsas uma tal de “Astronomy Domine” apareceu. Foi amor à primeira vista. Desde então tenho um carinho muito especial por The Piper at the Gates of Dawm, e principalmente pela genialidade doentia de Syd Barrett (um mito). Dentre o seleto grupo de álbuns psicodélicos de 1967, talvez seja o mais surreal e arriscado, com ideias fervilhando. Pena a carreira de Barrett ter acabado muito precocemente, o que faz deste álbum único na carreira do Pink Floyd.

As faixas: Astronomy Domine e Bike

 

17 – Joy Division – Unknown Pleasures (1979)

Outro álbum importantíssimo para a música em geral. Unknown Pleasures certamente estaria entre os 10 álbuns mais importantes de todos os tempos, mas não é somente isso que faz deste especial. Não engoli de primeira, mas com o tempo entendi o assombro que eram aquelas 10 canções. O Joy Division marcava a história com uma sonoridade fria e sombria ainda difícil de encontrar atualmente. O que prova que não basta forçar em ser suicida, Ian Curtis realmente passava por aquilo que sua música exalava. E quando botamos sinceridade nas coisas, meu amigo…

As faixas: Disorder e Shadowplay

 

16 – The Rolling Stones – Exile On Main St. (1972)

Todos os eventos que estão por trás de Exile On Main St. não caberiam neste pequeno post, talvez o processo de criação de um álbum que mais deu no que falar da história da música. Os mitos e verdades são muitos, que vão desde a mudança da banda para uma casa que serviu aos nazistas durante a 2º Guerra até o calor insuportável na época da gravação, que desafinou os instrumentos e deu um toque “único” às músicas. A certeza é que quem manda aqui é Keith Richards, que conduziu um álbum quase todo envolto em uma grande jam session. Sem dúvidas é o disco mais importante dos Rolling Stones, justamente o mais espontâneo e sem muita produção.

As faixas: Tumbing Dice e Let it Loose

 

15 – Pink Floyd – Meddle (1971)

Meddle é o meu disco favorito do Pink Floyd. É o álbum que finalmente conseguiu definir a nova sonoridade da banda após a saída de Syd Barrett. A guitarra leve de David Gilmour já marcava terreno e o grupo conseguiu sintetizar bem o seu nascente som progressivo após os exageros de Atom Heart Mother (o disco anterior). Confesso que inicialmente fiquei hipnotizado por “Echoes” (a faixa de 23 minutos), mas o clima de “One of These Days” foi decisivo para que o álbum ficasse por tanto tempo rodando em minha playlist. Depois, veio o perfeitinho Dark Side of The Moon, mas as faixas já ocupadas por um inconsciente coletivo deste não impressionaram tanto quanto descobrir as nuances de Meddle pela primeira vez.

As faixas: One of These Days e Echoes

 

14 – The Beatles – Abbey Road (1969)

Só os Beatles mesmo pra fazer um álbum programado de despedida e ainda soar poderoso. Todos já devem saber que na altura do campeonato, em 1969, a banda já estava fragmentada e frágil em suas relações cordiais. Mas parece ter havido um esforço mútuo pra fazer história mais uma vez. Harrison emplaca a música mais bela da banda (“Something”), Lennon cada vez mais agressivo com “Come Together” e “I Want You” e Paul com a sua ideia apoteótica de encerrar o álbum em pequenos fragmentos que se emendam. Parecia que a banda ainda iria reinar por muito mais tempo, que as ideias estavam apenas começando. Encerraram como grandes, ficaram pra história.

As faixas: Something e Because

 

13 – The Rolling Stones – Let It Bleed (1969)

É difícil ter um disco favorito dos Stones no período que vai do final da década de 60 até o começo de 70 por causa do mesmo ótimo nível dos trabalhos da banda. Mas considero o conjunto de canções de Let it Bleed especial. É o álbum mais country rock da banda, com o ingresso do ótimo Mick Taylor na guitarra. Sem contar que começa com a mítica “Gimme Shelter” e encerra com a grandiosa “You Can’t Aways Get What You Want”. O que mais gosto é do miolo cheio de boas canções que até a própria banda parece ter esquecido: o blues charmoso da faixa título, as versões de Robert Johnson e o hard rock de “Monkey Man”. A capa então, nem se fala.

As faixas: Gimme Shelter e Let it Bleed

 

12 – The Smiths – The Queen is Dead (1986)

Outro disco perfeito do começo ao fim. The Queen is Dead é o maior no que se refere ao britpop. Talvez é a banda que mais influenciou toda a geração britânica dos anos 90. Os motivos estão claros nessa pérola aqui: as letras afiadas, irônicas e autodepreciativas de sempre de Morrissey e as camadas de guitarras de Johnny Marr nunca estiveram em tanta perfeita sintonia. Logo na faixa título tratam de elaborar a avalanche de guitarras disparando contra as tradições inglesas e tratando a rainha como morta. A identificação da nova geração foi imediata. Um disco profundo, sonoramente impecável.

As faixas: The Queen is Dead e I Know It’s Over

 

11 – Chico Science e Nação Zumbi – Da Lama Ao Caos (1994)

É senso comum de a música alternativa nacional dizer que o último grande movimento brasileiro foi o manguebeat. Sempre discordo dessas teorias generalizadas, mas entendo perfeitamente o que querem dizer. A inovação sonora trazida por Chico Science e companhia é digna de ostentação. Melhor dizendo, o manguebeat é mais do que um gênero musical, é uma forma de cultura e ideologia que une os novos e velhos conflitos da sociedade. O título mais perfeito para isso vem também do álbum mais perfeito do estilo: Da lama ao Caos. Foi o típico álbum que causou impacto instantâneo pra mim. Afinal, combinar batidas fortes de Olodum com a guitarra agressiva de Lúcio Maia e as letras bem sacadas de Chico Science não poderiam render outra coisa a não ser o impacto. Aquilo era diferente.

As faixas: Banditismo por uma Questão de Classe e Risoflora

 

10 – Talking Heads – Remain in Lights (1980)

Toda vez que ouço alguma música moderna que tenta impor o caos como norma lembro logo de Remain in Lights, que pra mim parece ser o pai da insanidade sonora. Década de 80 apenas começava e o Talking Heads parecia falar, em termos sonoros, de uma nova era globalizada, estranha, paranoica. O caos reina! Já conhecia a banda muito por causa de “Psycho Killer”, o hit que até o fã de axé conhece, mas me senti totalmente envolvido pela banda quando destrinchei o álbum que abriria a década perdida. E não basta fazer música paranoica, com riffs e batuques soltos pra tudo quanto é lado, a estrutura de álbum de Remain in Lights também fazia toda a diferença. Até hoje muito me admira a evolução do disco, que começa fervilhando e aos poucos se encaminha ao fim de um mundo sombrio. Na bagunça caótica, as faixas parecem se encaixar. É a tal da genialidade.

As faixas: Crosseyed and Painless e The Great Curve

 

09 – The Stooges – Funhouse (1970)

Outro disco que me pegou pela estrutura das músicas, que parecem obedecer a uma ordem de evolução. Nesse caso, Funhouse aos poucos vai cedendo o seu rock sem frescuras (a raiz do garage e do punk rock) para no final formar uma apoteose caótica de instrumentos de sopro. Muitos preferem apontar Raw Power como o álbum sujo e poderoso do Stooges, mas a coesão descontrolada de Funhouse é infinitamente mais impactante. É o disco mais completo da banda, que em apenas 7 faixas consegue expor todas as facetas do verdadeiro rock setentista. Daí vemos faixas poderosas como “Down on the Street”, sensuais como “Dirt”, carregadas de sujeira como “1970″ e totalmente fora do controle como “L.A. Blues”. O álbum mais derradeiro do rock n’ roll.

As faixas: Down on the Street e Dirt

 

08 – Tom Zé – Estudando o Samba (1976)

Assim como o próprio Tom Zé, agradeço muito a David Byrne por ter descoberto Estudando o Samba em suas pesquisas sobre a música brasileira. Por outro lado é triste que a nova (e a velha) geração só conheça o maior músico do Brasil através de um estrangeiro. A história começava exatamente aqui, na obra-prima de 1976, o primeiro álbum que Byrne e eu ouvimos de Tom Zé. O músico baiano tem muitos álbuns bons e repletos de inovações, mas o samba nunca coube tão bem em sua inquietação sonora. Imagino a cara de espanto de Byrne e lembro muito bem da minha ao ouvir faixas como “Mã” e “Toc”. Que raios de samba é esse? Esqueça os gêneros, isso é Tom Zé, isso é Tom Zé!

As faixas: e Mãe (mãe solteira)

 

07 – Sonic Youth – Daydream Nation (1988)

Daydream Nation é o álbum que definitivamente me levou para o rock alternativo. E nisso sou eternamente grato. Mais do que um disco de guitarras e explosões barulhentas, o Sonic Youth finalmente conseguiu produzir um álbum monumental e definitivo. A banda já tinha muito bem marcado o seu tipo de sonoridade, uma identidade própria que serviu de inspiração pra toda década de 90. Mas Daydream Nation é diferente pela grandeza. Tudo de perfeito está sintetizado aqui: as melhores músicas, as melhores melodias, as melhores técnicas… Não é apenas um disco de ótimas faixas poderosas que vemos em praticamente todos os trabalhos do Sonic Youth, é o álbum pensado pra ficar pra história.

As faixas: Cross The Breeze e Triology

 

06 – Radiohead – Ok Computer (1997)

Muito já foi dito sobre Ok Computer e cada vez mais o colocam entre os melhores de todos os tempos. É unanimidade. Hoje, confesso que sou mais apegado ao Kid A, mas a importância que o álbum de 97 teve pra mim e pra toda a minha geração é impagável. E como o Radiohead marcou! Aqui nasce toda paranoia moderna da banda, mais especificamente a de Thom Yorke, que levantava questionamentos que hoje em dia estão desgastados, mas que naquela época era o que mais fazia sentido. O consumismo, o tédio, a falsa felicidade, a máscara, o aprisionamento tecnológico, a falsa liberdade, o nosso mundinho sem futuro. O mais importante era como a sonoridade encaixava com isso tudo, os sons demonstravam essa angustia. Daí vem “Paranoid Android”, a canção definitiva dessa época.

As faixas: Paranoid Android e Let Down

 

05 – Television – Marquee Moon (1977)

1977, o ano do punk. Para o Television, que surgiu em meio à lendária casa de show novaiorquina CBGB, o som estava além do novo movimento. No ano do punk o Television apresentava o post-punk, que só iria ser reconhecido um pouco mais adiante. Daí a importância de Marquee Moon, que também vai além do gênero e da história, é um dos melhores álbuns de rock de todos os tempos. Comigo, teve um importância ainda maior, daqueles pra levar pra uma ilha deserta. Me fez perceber que a atitude punk poderia ser elaborada e cheia de riffs marcantes. E são exatamente os riffs de guitarra que marcou tanto as minhas audições: o começo derradeiro de “Friction” e o virtuosismo dos 10 minutos da faixa título são apenas exemplos de um disco completo. Pena que a banda parou logo em seguida com um segundo trabalho muito aquém. O Television acabou, um grupo quase esquecido, mas Marquee Moon ficou, esse ficou!

As faixas: Friction e Marquee Moon

 

04 – The Beatles – The Beatles (1968)

O que mais se espera em um álbum é a sua coesão sonora, um conjunto de canções que juntas formam todo um sentido artístico ou que demonstram originalidade. Discos que só acumulam hits são tão preguiçosos quanto aqueles que nada têm a nos oferecer. Um álbum tem que ser um álbum, e não aquele que possui tal música. Daí que tudo que disse agora vai por água abaixo quando se fala do Álbum Branco, a bagunça dos Beatles. Analisando de forma fria, o disco de 68 é o mais desestruturado do fab four, sem ideias e sem lógica como uma obra, um amontoado de faixas e de sobras que só caberiam em um disco duplo. Porém, ao mesmo tempo em que o Álbum Branco é o pior trabalho dos Beatles, também é o melhor. Analisar a obra é um mix de contradição. Temos faixas horríveis como “Ob-La-Di, Ob-La-Da”, mas temos momentos sagrados como “While My Guitar Gently Weeps”. Pra mim, foi o disco que me aproximou aos Beatles, que captou a genialidade individualista de cada um dos membros. Um álbum que nasceu de um conflito, quando a banda começava a se desestruturar, e que segue essa mesma linha, desmoronando de forma desgovernada. Talvez haja até muito sentido nisso tudo, caímos na tal da sinceridade mais uma vez, ou simplesmente caímos na exceção “Beatles”.

As faixas: Dear Prudence e While My Guitar Gently Weeps

 

03 – The Jimi Hendrix Experience – Electric Ladyland (1968)

É até chato ver aquelas listas dos melhores guitarristas de todos os tempos e sempre se deparar com Jimi Hendrix em primeiro lugar, mas a verdade é que essa é uma das poucas listas em que podemos confiar. Ainda mais quando vemos o virtuosismo do guitarrista em Electric Ladyland, o álbum definitivo de Hendrix e sua banda. Tenho uma relação quase mítica com esse discaço de 68, uma compulsão. Ouso a dizer que é o melhor álbum da década de 60, contrariando beatlemaníacos e afins. Não é nem um disco que guardo apenas no coração, que fez parte da minha vida, mas que também admiro de forma entregue como uma obra distante. O que faz de Electric Ladyland uma divindade é muito simples: pegue a melhor regravação de uma música do Bob Dylan (All Along The Watchtower), misture com a melhor gravação ao vivo (Voodoo Chile), um pouco do melhor blues rock de qualidade e simplesmente o maior guitarrista de todos os tempos. Não tenho dúvidas, Jimi Hendrix só se tornou imortal a partir daqui.

As faixas: All Along The Watchtower e Voodoo Chile

 

02 – The Clash – London Calling (1979)

London Calling é frequentemente nomeado o melhor álbum punk de todos os tempos, o que não deixa de ser verdade. O que às vezes me incomoda é o tom puramente punk que muitos o nomeiam. Quando fui ouvir o disco pela primeira vez imaginava encontrar algo raivoso e urgente como o Sex Pistols, o estilo de punk britânico que somos habituados a acreditar. Mas acontece que o The Clash era muito mais do que música de anarquia, e sim uma alegoria ao punk com misturas de mil e um gêneros. Encontramos de tudo aqui: do ska ao reggae, do pop ao jazz, do rockabilly a baladas. Porém, London Calling só é o disco que é por causa de suas composições. Um modelo de disco longo (18 faixas), em que todas as músicas são muito boas, quase hits, mas que não perdem a graça justamente pela diversificação sonora da banda. É o disco ideal para deixar rolando como pano de fundo, tudo flui muito bem, no ritmo perfeito.

As faixas: The Right Profile e Train In Vain

 

01 – Bob Dylan – Blood On The Tracks (1975)

Todos já devem saber que Bob Dylan é o maior compositor e poeta que a música já teve (e ainda tem), a sua extensa discografia não deixa mentir. Como acontece com muitos músicos e escritores, Dylan esteve ainda mais impactante quando estava melancólico, triste e com raiva, esse é o cenário de Blood on The Tracks. O título já diz tudo, “sangue sobre as faixas”, no momento em que o cantor passava por uma turbulenta separação com sua então esposa. O álbum trazia algo diferente do cantor, a sua voz estava mais rouca e suas letras muito pessoais, entregues. É daqueles álbuns íntimos que tanto amamos, mas que com Dylan ainda se torna poético e sonoramente elegante. Por mais que vejamos o intérprete sofrendo, ainda o conseguimos achar soberano, um quase deus.

As faixas: Simple Twist of Fate e Idiot Wind

Enfim, chega o momento de dar adeus definitivo para 2010. A grande lista dos melhores álbuns do ano segue com algumas pequenas mudanças em relação ao ano anterior. Devido ao número bem maior de discos melhores e mais impactantes, aumentei a lista de 20 álbuns para 30, até para aparecer mais nomes que muitos não esperavam aparecer e também tentar no máximo diminuir as injustiças. Mas com certeza polêmicas ainda existirão, já que a ordem da colocação pode aumentar o desgosto por alguns, e isso é ótimo. Dos 30 álbuns, apenas um brasileiro estaria presente, o disco de Leo Cavalcanti, que liderou a lista de álbuns nacionais. Porém, decidi não incluí-lo aqui, pois além de figurar como o estranho no ninho, roubaria a vaga de alguém dessa lista (e não quero desfazer de ninguém ;)). Assim, a lista acaba virando “os melhores álbuns internacionais de 2010″, mas fica atestado que muito provavelmente “Religar” estaria entre os 15 primeiros.

Antes, para começar, uma pequena lista dos 5 melhores EPs de 2010:

1º – James Blake – CMYK EP
2º – Girls – Broken Dreams Club EP
3º – Sufjan Stevens – All Delighted People EP
4º – Balam Acab – See Birds EP
5º  – Zola Jesus – Stridulum EP

O vencedor James Blake já provou que é gênio em seu primeiro álbum lançado em 2011 (que comentarei em breve). Depois da grande revelação em 2009, o Girls mostra que ainda renderá muito no futuro, enquanto que o consagrado Sufjan Stevens não necessariamente faz um EP, já que o seu All Delighted People possui 60 minutos de duração! Mas se ele o intitulou como tal, então que seja . Balam Acab e Zola Jesus são promessas fortes para os seus próximos futuros LPs e curiosamente ambos possuem uma sonoridade bastante semelhante.

Agora, os 30 melhores álbuns de 2010:

30 º – The Fall – Your Future Our Clutter

Aos 53 anos de idade, Mark Smith ainda berra como nos tempos áureos do post-punk, e deixa o The Fall continuar a sua trajetória com muita honra, competência, e acima de tudo, com muita energia. Your Future Our Clutter é um dos poucos  álbuns de puro rock de 2010 que ainda faz balançar a cabeça.
A música: Chino

29º – Liars – Sisterworld

Os álbuns do Liars sempre me surpreendem, e este Sisterworld não poderia ser diferente. Soando até mais maduro e consistente, a banda alterna os seus momentos etéreos e psicodélicos com a acessibilidade de guitarras barulhentas. Foi deixado de lado pela maioria das listas, talvez por causa da sonoridade exótica já não ser tão inovadora assim para a própria banda. Para mim, ainda hipnotiza.
A música: Goodnight Everything

28º – Of Montreal – False Priest

Outro álbum ignorado pela maioria da crítica especializada, False Priest é o disco mais acessível e “normal” do Of Montreal, e taí a explicação por tamanho descaso. Acontece que a banda e os falsetes exagerados de Kavin Barnes parecem fazer mais sentido para mim quando estão com os pés no chão. Um disco com mais presença dos instrumentos, cheio de refrões e composições viciantes.
A música: Famine Affair

27º – Gorillaz – Plastic Beach

Ainda que o aspecto de banda virtual permaneça, Plastic Beach deixa os bonequinhos de lado, e soa mais como um encontro paralelo de Damon Albarn e seus convidados. Afinal, com músicas tão agradáveis e divertidas, dificilmente alguém prestará atenção em outra coisa que não seja as próprias canções. Albarn, o amigo de todos, está inspirado e produz belas faixas solos para deixar o trabalho ainda mais grandioso e sério.
A música: On Melancholy Hill

26º – Broken Social Scene – Forgiveness Rock Record

Um disco pomposo, produzido e bem povoado. Forgiveness Rock Record pode não impactar mais do que o renomado You Forgot it in People, mas apresenta climas e composições mais maduras. O ar de descontração de banda grande é um charme à parte frente ao indie-rock eficiente de boas composições.
A música: World Sick

25º – Gonjasufi – A Sufi and a Killer

Apesar de todas as atenções estarem em volta da voz marcante e diferente de Gonjasufi, a sonoridade lo-fi que passeia por vários gêneros musicais é essencial para elevar a música do excêntrico professor de ioga. A Sufi and a Killer parece ser um disco simples por causa de seu emaranhado de sons, e é exatamente esse caráter de rascunho e ideias inacabadas que faz de Gonjasufi um sujeito espetacular.
A música: Holidays

24º – Hot Chip – One Life Stand

Quando ouvi One Life Stand no começo de 2010, tratei o mesmo com certo rigor e muito atento nas falhas. Mas o álbum tocante e todo dedicado ao amor acabou me conquistando aos poucos e se tornou um dos mais tocados da minha playlist. Como a própria temática do disco sugere, o difícil é não se apaixonar pelas melodias do Hot Chip.
A música: Take It In

23º – Flying Lotus – Cosmogramma

O verdadeiro fim do mundo em forma de pixels, Cosmogramma é um disco único. Flying Lotus vai até as últimas consequências em suas misturas eletrônicas, que vai do som computadorizado mais quebradiço para batidas de free jazz fora de sintonia. O mais fantástico disso tudo é que a bagunça apocalíptica dá muito certo.
A música: Nose Art

22º – Vampire Weekend - Contra

Não sou um grande fã do pop global do Vampire Weekend, mas saindo de um lado mais pessoal e encarando Contra como um todo, a banda soube como poucas gravar um segundo disco que dita a sua identidade particular sem parecer repetitivo. Um álbum agradável, com faixas que apresentam ritmos e letras realmente inspiradores.
A música: Giving Up The Gun

21º – Local Natives – Gorilla Manor

Uma das melhores estreias do ano, o debut do Local Natives vem na mesma toada indie global do Vampire Weekend. Com músicas agradabilíssimas, que conseguem soar acessíveis, tocantes e com uma instrumentação bastante interessante, Gorilla Manor é disco para se ouvir repetidas vezes sem causar mal-estar.
A música: Airplanes

20º – Women – Public Strain

O segundo disco do Women é um passo expansivo e profundo para banda. A capa toda acinzentada e gelada é ideal para representar o cortante lo-fi de ruídos sensíveis que muito se contrasta com guitarras pontiagudas e tensas. Porém, nada justificaria o impacto de Public Strain se não fosse a sua seleção de músicas inspiradoras, que dá ritmo e alimenta uma obra fadada ao lindo mundo do submundo.
A música: Eyesore

19º – Tame Impala – Innerspeaker

O primeiro álbum do Tame Impala é tudo o que uma nova banda de rock sonharia: guitarras harmoniosas bem executadas, músicas grudentas e eficientes sem soar apelativas, sonoridade antiga e moderna ao mesmo tempo e um vocalista que encarna a voz de John Lennon. Enfim, Innerspeaker é um disco fadado ao sucesso total, e possui todas as qualidades para isso.
A música: It Is Not Meant To Be

18º – Here We Go Magic – Pigeons

Pelas listas que vi, parece que só eu gostei muito do segundo disco do Here We Go Magic. Algo que não entendo, pois o salto de qualidade da banda em Pigeons é gigantesco e encantador. O clima psicodélico e a presença marcante dos instrumentos (a guitarra dedilhada de “Collector” e o baixo pesado de “Surprise” ficam martelando a minha cabeça de forma incessante) são feitos com tanta maestria que fico hipnotizado toda vez que ouço.
A música: Collector

17º – Crystal Castles – Crystal Castles

O punk-eletrônico frenético do Crystal Castles ganha um capítulo mais explosivo e ensurdecedor do que o hype do álbum anterior, e o melhor é que a dupla está mais afinada e coesa. Os gritos de Alice Glass em meio a ruídos de videogame prestes a explodir compõem toda uma trilha sonora de fim do mundo. Eles conseguem nos causar sensações estranhas e um angustiante impulso de sair correndo para qualquer lado.
A música: Not in Love (versão com Robert Smith)

16º – Twin Shadow – Forget

George Lewis, o homem por trás do Twin Shadow, é o responsável por trazer a new-wave de volta para 2010. As canções grudentas e cheias de sintetizadores de Forget conduzem um álbum simples e viciante do começo ao fim. O suceso está nas composições marcantes de Lewis, que consegue muito bem marcar o ouvinte com as suas faixas tocantes e dançantes ao mesmo tempo.
A música: Castles In The Snow

15º – Field Music – Measure

Outro álbum bastante ignorado pela crítica, Measure pode parecer conservador e certinho demais, “um típico álbum de banda britânica”, alguns diriam. Mas a regularidade das boas canções em um disco de 20 faixas não pode ser ignorada.  Com claras referências a The Who (a segunda parte do disco mais parece uma ópera rock) e muita qualidade técnica, o Field Music agrada da forma mais simples, direta e eficiente: as canções são muito boas!
A música: Let’s Write a Book

14º – Ariel Pink’s Haunted Graffiti – Before Today

O menino prodígio do underground cresceu e montou de forma concisa uma banda, era o que faltava para Ariel Pink decolar. Before Today é a síntese de um álbum que todos os adoradores do lo-fi das décadas de 80 e 90 precisavam para voltar a ser feliz. As composições são ótimas e a sonoridade é uma delícia. Disco de gente grande que sabe ser genialmente adolescente e aventureiro.
A música: Round And Round

13º – Sufjan Stevens – The Age of Adz

A grandiosidade de Sufjan Stevens não é novidade para ninguém, mas o músico parece ter um baú infinito de ideias que fogem dos padrões. Depois de Illinois, parecia que nada mais surpreenderia, mito que The Age of Adz quebra com maestria. Claro, não bate aquele disquinho de 2005, mas mostra Stevens ainda mais ambicioso e no limite entre a música clássica e o pop eletrônico. Um álbum de arte que emociona.
A música: The Age of Adz

12º – Arcade Fire – The Suburbs

A cada novo lançamento do Arcade Fire é uma aflição: será que vão estragar a carreira de dois ótimos álbuns ou fazer mais uma obra-prima para encher os nossos olhos? Acertadamente a banda finge deixar a grandiosidade de lado para criar o simpático e cotidiano The Suburbs, um disco bairrista sobre as incertezas do futuro. Ouça bem, a banda só finge, o disco esconde de forma magestral uma ópera rock que rodará várias e várias vezes.
A música: We Used To Wait

11º – Janelle Monáe – The ArchAndroid

Dentre as novas musas do pop, Janelle Monáe pode ser considerada a salvação. The ArchAndroid dá um baile em qualquer cantora que se considere a super star. Produzindo um dos álbuns mais viciantes e açucarados do ano, Monáe aprendeu aquilo que de melhor as suas influências ensinaram. Uma bela voz que passeia por vários nichos de sonoridade, elevando o pop que suas colegas de profissão tanto estragaram.
A música: Tightrope

10º – Caribou – Swim

O álbum dançante do Caribou provavelmente foi o disco que mais ouvi em 2010. Logo nos primeiros minutos da contagiante faixa Odessa, já somos transportados por técnicas  eletrônicas de “amor à primeira vista”. Dan Snaith, o rapaz por trás de tudo isso, é formado em matemática, mas o seu lado racional parece desaparecer diante dos encantos que o disco pode proporcionar.
A música: Odessa

9º – Wolf Parade – Expo 86

Já que a lista está recheada de alguns discos ignorados, não poderia faltar o mais de todos: Expo 86, o disco acessível e “pop” do Wolf Parade. Mais uma vez a explicação do desapego pode ser por conta do jeito aparentemente simples que a banda faz o seu indie-rock, mas engana-se quem acha que as músicas são fracas e passageiras. Os líderes Spencer Krug e Dan Boeckner encontram a fórmula da alegria e do bom entrosamento da banda ao unir as guitarras com os sintetizadores. Um disco empolgante, com um conjunto de canções memoráveis.
A música: Oh You, Old Thing

8º – The National – High Violet

Um dos discos mais belos e tocantes do ano, High Violet é também o melhor trabalho da competente The National. O poder vocal de Matt Berninger continua impactando, mas se tornou ainda mais sublime diante de canções que destacam os sofrimentos de um homem moderno. Solidão, endividamento, medo, culpa… Um álbum altamente elegante e fatal.
A música: Bloodbuzz Ohio

7º – Big Boi – Sir Lucious Left Foot: The Son of Chico Dusty

O hip hop de Big Boi parece seguir uma escala certinha e direta, não há tantas reinvenções quanto as que o seu parceiro André 3000 ousava em praticar no Outkast. Porém, se tem um cara que segurava a sobriedade irresistível da dupla, esse era Big Boi, que faz de seu primeiro disco um fenômeno de hits certeiros para o gênero. Sem soar forçado e entregue demais, Sir Lucious Left Foot conquista de início ao fim. Nada aqui é descartado.
A música: Shine Blockas

6º – Joanna Newsom – Have One On Me

Faltam adjetivos para descrever a música de Joanna Newsom. Se já não bastasse a sonoridade e o vocal diferenciado da bela mulher com cara de menina, agora a mesma trata de chegar ao limite em um disco triplo e com mais de duas horas de duração. Have One On Me parece extrapolar todas as lógicas de um álbum viável, mas dentre as 18 longas músicas que compõe o disco, a cantora nunca esteve tão sedutora e tocante.
A música: Good Intentions Paving Company

5º – LCD Soundsystem – This is Happening

O último álbum do LCD Soundsystem (e espero que isso seja apenas uma pausa) segue os mesmos trajetos de Sound of Silver, a obra-prima da banda, utilizando a mesma fórmula que mais uma vez dá muito certo. O louvável de This is Happening é que soa mais como uma ótima continuação do que mais uma repetição (“All I Want” é uma continuação de “All My Friend” e etc), e o clima de despedida de um James Murphy mais sincero e autodepreciativo do que antes é só mais uma cereja do bolo.
A música: All I Want

4º – Deerhunter – Halcyon Digest

O Deerhunter já está fazendo parte da lista de bandas que ainda não erraram. Halcyon Digest acentua ainda mais o poder e o impacto sonoro da banda liderada pelo talentosíssimo Bradford Cox, um sujeito que busca referências de tudo quanto é tipo de música para ajudar a compor as suas melodias originais. Um disco carregado por músicas marcantes e que soa ainda mais genial com o passar do tempo.
A música: Coronado

3º – Kanye West – My Beautiful Dark Twisted Fantasy

Kanye West sem dúvidas foi o artista do ano (e que não aparece no topo da minha lista por razões de gosto pessoal), My Beautiful Dark Twisted Fantasy foi o álbum mais comentado do ano e as faixas contidas nesse discaço pop são uma da melhores do ano. West leva a sua música até as últimas consequências para extrair as faixas mais esquizofrênicas e multifacetadas possíveis. Vi gente reclamando da falta de refrões, mas a música pop aqui aprende que eles não mais são necessários.
A música: Runaway

2º – Titus Andronicus – The Monitor

Com uma sonoridade totalmente ligada ao mais puro punk de 1977, o Titus Andronicus nos fornece nessa maravilha chamada The Monitor canções de até 14 minutos de duração, transformando toda a gritaria e empolgação juvenil em algo também maduro e de extrema qualidade técnica. Um disco conceitual perfeito que conta a história da guerra civil dos Estados Unidos, e o estilo de rock americano cheirando a álcool da banda funciona perfeitamente para nos mergulhar nos campos de batalha.

A música: A More Perfect Union

1º – Beach House – Teen Dream

Assim como aconteceu em 2009 com o álbum do Animal Collective, o primeiro disco que ouvi de 2010 acabou também sendo o melhor do ano. Teen Dream é daquelas pérolas impecáveis e de faixas marcantes do início ao fim. Um disco de dream pop que soube me encantar como há tempos não me encantava, e tudo de forma simples e sem muitos exageros. O Beach House trás um som mais acessível de teclados hipnotizantes, vocais flutuantes e melodias tocantes que grudam na cabeça para nunca mais sair. Teen Dream me deixa mais leve, apaixonado e contente toda vez que ouço, uma magia que me acompanhará para o resto da minha vida.

A música: Walk In The Park

 

10º – Maquinado – Mundialmente Anônimo

Lúcio Maia e a sua guitarra. O segundo álbum do homem por trás das distorções da Nação Zumbi possui alguns deslizes como a pecaminosa versão de “Zumbi”, de Jorge Ben, mas isso é um detalhe perto da competência técnica do guitarrista. Mais pessoal e mais presente, o Maquinado faz muito bem as suas misturas de manguebeat com noise. Música brasileira cibernética, já diria Chico Science.

A música: Super Homem Plus

 

9º – Do Amor – Do Amor

A grande expectativa em cima do aguardado primeiro álbum do Do Amor pode ter enfraquecido o disco como um todo, mas as divertidas, espontâneas e ecléticas músicas acabam conquistando o ouvinte. É aquele típico álbum imperfeito que adoramos. A banda está de bem com a vida e cheia de amor pra dar.

A música: Dar Uma Banda

 

8º – Apanhador Só – Apanhador Só

Cheio de arranjos diversificados e ritmos bem sacados, o Apanhador Só foi a grande surprese indie de 2010. Sucesso alternativo conquistado graças à acessibilidade meio hype aliada com sonoridades diferentes (do circense ao tango). O grupo não chega ao limite, mas agrada com uma bela produção.

A música: Maria Augusta

 

7º – Marcelo Jeneci – Feito Pra Acabar

Bomba! Marcelo Jeneci apenas em sétimo? Você deve estar pensando… Calma, Feito Pra Acabar é um bom disco, possui alguma das melhores músicas do ano (Por Que Nós e a faixa título me arrepiam), mas é um disco de altos e baixos e longe das glorificações e dos primeiros lugares espalhados pelos portais afora. Os bons momentos são tão bons, mas tão bons que até eu consigo ignorar as outras fracas faixas e colocá-lo nessa listinha aqui.

A música: Por Que Nós

 

6º – Watson – Watson

O rock nacional ainda não está perdido. A pouca conhecida banda brasiliense Watson fez o melhor disco do gênero de 2010. As guitarras harmoniosas que não cessam e as letras urbanas e inspiradas elevam este primeiro álbum da banda, que tende crescer e surpreender a cada nova audição.

A música: Tupanzine

 

 

5º – Karina Buhr – Eu Menti Pra Você

Eu Menti Pra Você pode não estar no topo, mas com certeza é o disco mais ousado e abusado da lista. A arretada Karina Buhr foge da MPB tradiconal e se arrisca em sonoridades psicodélicas, tensas, quebradiças e muito bem trabalhadas. A banda ajuda muito e a irreverência de Karina em “Ciranda do Icentivo” é impagável.

A música: Avião Aeroporto

 

4º – Cérebro Eletrônico – Deus e o Diabo no Liquidificador

Vindo da levada de Pareço Moderno, Deus e o Diabo no Liquidificador é um disco completo, coeso e delicioso de ouvir. O Cérebro Eletrônico afina as suas melodias melancólicas e reproduz faixas marcantes como “Cama” e “Os Dados Estão Lançados”, sem perder a psicodelia tropicalista que tanto os definiram.

A música: Os Dados Estão Lançados

 

3º – Tulipa Ruiz – Efêmera

A união de um vocal poderoso com uma sonoridade charmosa e bem trabalhada não poderia render algo ruim. A performance de Tulipa Ruiz é algo acima de qualquer descoberta feminina dos últimos anos. Timbre perfeito, levada agradável, música que foge dos clichês habituais da MPB. “Às Vezes” é a melhor música nacional de 2010.

A música: Às Vezes

 

2º Mombojó – Amigo do Tempo

Há um bom tempo sem lançar um álbum de inéditas, Amigo do Tempo é uma volta triunfante para o Mombojó. Depois de passar por um período de transição difícil, a banda celebra o tempo e a maturidade que ganhou com tudo isso. Uma evolução clara, que está exposto nas belas e tocantes faixas do disco.

A música: Justamente

 

1º – Leo Cavalcati – Religar

Prefiro acreditar que a obra-prima de estreia de Leo Cavalcanti foi esquecida pelas listas de 2010 por ter sido lançado em meia a Dezembro (quando todo mundo apressadamente já publica os melhores do ano). Religar está muito acima dos outros álbuns aqui presentes. Todas as músicas do disco te transportam para um mix de criatividade, sensibilidade e genialidade. Leo Cavalcanti consegue fazer o diferente e fica cada vez mais viciante com o passar do tempo.

A música: Soldado

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.