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Não foi um ano para o rock. 2016 confirma a tendência do rap e do pop como gêneros musicais (se é que isso ainda existe) que mais evoluem em termos de novidade e importância. Entretanto, ainda é muito cedo para falar que o rock morreu, já que o mesmo ganhou a alcunha de estar morto desde a década de 70. Alguns grandes exemplos ainda deixam o rock respirar. Foi o ano que a comunidade musical parou para ouvir o tão aguardado ótimo álbum novo do Radiohead. Foi o ano das despedidas triunfantes de David Bowie e Leonard Cohen. Tivemos até uma “novidade” indie empolgante com os moleques da banda Car Seat Headrest. Mas como a vida e as análises são feitas de padrões e tendências, está cada vez mais claro a força que artistas do pop e do rap estão conquistando em termos de relevância musical para além do sucesso de público. Para ficar com o exemplo mais óbvio, isto está muito claro em “Lemonade”, o álbum/filme de Beyoncé. Se me perguntassem há 5 anos atrás se um dia ouviria um álbum da rainha do pop certamente diria que não, e hoje sou obrigado a não só ouvir como aplaudir. A evolução da artista é surpreendente e um retrato de como o rock no geral parou com o tempo. O frescor que os álbuns de rock e indie causavam há alguns anos atrás está cada vez mais sendo ocupado pelo frescor que o rap colaborativo anda causando. Somos inundados pela onda feat. Kanye West, Kandrick Lamar, Chance The Rapper, Danny Brown, Anderson .Paak e adjacentes. Todos estes colaborando em pelo menos mais de um álbum listado aqui. Álbuns escolhidos por ordem de minha preferência e que fica de dica pro leitor ouvir, conhecer, amar, odiar e criticar. Tive que ser o mais breve possível.

 

10 Menções honrosas (ordem alfabética)

 

Angel Olsen – My Woman

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Terceiro álbum da cantora indie/folk/rock Angel Olsen, que possui a mesma pegada de seu ótimo álbum anterior. O destaque vai não apenas pela voz que chama atenção ao primeiro ouvinte, como também às letras bem pessoais. Tristezas com toques de euforia.

Ouça: Shut Up Kiss Me

 

Blood Orange – Freetown Sound

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Terceiro álbum de Dev Hynes com a alcunha de Blood Orange, e certamente o mais ambicioso de sua carreira. Freetown Sound soa menos como celebração pop nostálgica do ótimo disco anterior e mais como um manifesto pessoal de sua origem – Freetown é a capital de Serra Leoa, terra dos pais de Hynes. Dessa vez, a nostalgia pop é melancólica.

Ouça: Augustine

 

Cass McCombs – Mangy Love

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Oitavo álbum de Cass McCombs, e talvez o mais acessível e coeso de sua carreira. Mangy Love apresenta um mix eclético de sonoridades, o que é característico da discografia do cantor, mas ganha relevância diante da capacidade de explorar as potencialidades das letras e soar descontraído ao mesmo tempo.

Ouça: Opposite House

 

Jamila Woods – HEAVN

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O primeiro álbum de Jamila Woods pode soar inofensivo e pop demais para um ouvinte desavisado, mas as letras da cantora revelam um arsenal de músicas de protesto. Está tudo aqui: questões sociais, racismo, feminismo e, claro, Governos fazendo merda.

Ouça: Blk Girl Soldier

 

Kaytranada – 99.9%

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Primeiro álbum do DJ/produtor Kaytranada. Nascido no Haiti e criado no Canadá, o rapaz utiliza toda a sua influência caribenha para dar swing ao pop/rap contemporâneo. O sampler de Gal Costa em “Lite Spots” e esta bela capa garantem mais alguns pontinhos.

Ouça: Lite Spots

 

Kendrick Lamar – untitled unmastered.

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Kendrick Lamar é tão foda que fez um álbum de sobras de estúdio virar um dos melhores do ano. Na verdade, as músicas são tão memoráveis e bem acabadas que ainda não entendo o fato de isso aqui não contar como um trabalho de estúdio. Mas eu conto.

Ouça: untitled 02 / 06.23.2014.

 

Lambchop – FLOTUS

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Décimo segundo álbum da banda Lambchop, que surpreende pelo nível de experimentação. Com músicas longas e vocais sintetizados por Vocoder, a mudança em uma sonoridade esquisita e quebrada ainda consegue a proeza de soar leve e agradável.

Ouça: The Hustle

 

Leonard Cohen – You Want It Darker

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Décimo quarto e último álbum do mítico Leonard Cohen (RIP), que se despede com sua elegância habitual. Como prenúncio de morte, poesias como “You want it darker/I’m ready my Lord” poderiam parecer sombrias demais se não fossem cantadas com segurança e plenitude de quem viveu pra ficar pra história.

Ouça: You Want It Darker

 

Parquet Courts – Human Performance

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Quinto álbum da banda Parquet Courts, que com muita competência faz mais do mesmo: rock alternativo e irreverente sobre as banalidades da vida.

Ouça: Human Performance

 

Weyes Blood – Front Row Seat to Earth

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Quarto álbum de Natalie Mering sob o nome de Weyes Blood. Não conheço os trabalhos anteriores da cantora, o que fez Front Row Seat to Earth cair como um grata surpresa. Além da voz marcante, Weyes Blood conquista pela sonoridade nostálgica de um folk rock desbotado que flerta com barulhinhos psicodélicos. Uma mistura de Carpenters com Jefferson Airplane.

Ouça: Do You Need My Love

 

Top  20

20º) The Avalanches – Wildflower

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Segundo álbum do grupo de DJs australianos The Avalanches, que não lançava um novo trabalho há 16 anos! Não deve ter sido nada fácil dar continuidade ao sucesso do álbum “Since I Left You”, que lançado em 2000 proporcionou furor pela sua engenhosidade de remendar múltiplos samplers na formação de canções únicas. Wildflower segue o mesmo modelo, até mesmo em sonoridade. “Because I’m Me”, por exemplo, é a nova “Since I Left You”. O resultado é que o novo álbum não tem a novidade e a genialidade do anterior, mas ainda é muito acima da média.

Ouça: Because I’m Me

19º) Mitski – Puberty 2

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Quarto álbum da cantora Mitski, que representa muito bem o posto de St. Vincent e da música indie de Brooklyn este ano. Aos 26 anos, Mitski canta as angustias de uma jovem adulta em uma cidade grande. Nessa era de recessão, nos identificamos quando ela diz com bom humor que não sabe como pagará o aluguel ou com as várias frustrações da vida. Em “Your Best American Girl” ela suplica “Your mother wouldn’t approve of how my mother raised me, but I do, I think I do”.

Ouça: Your Best American Girl

 

18º) Nick Cave & The Bad Seeds – Skeleton Tree

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Décimo sexto álbum da banda australiana Nick Cave & The Bad Seeds, talvez o mais triste e sombrio da longa carreira. Nick Cave perdeu o seu filho de 15 anos em um acidente trágico no meio do processo de criação e gravação de Skeleton Tree, fato que intensificou a atmosfera de luto presente nas canções. O álbum pode parecer uma evolução natural de “Push The Sky Away”: rock sério, pesadão, letras místicas, sonoridade moderna e arranjos de cinema. Porém, não vemos aqui nenhum momento de catarse ou explosão sonora. Nick Cave mantém em 8 faixas e 40 minutos um padrão melancólico e repetitivo, fato que aumenta ainda mais a áurea angustiante de todo disco.

Ouça: I Need You

17º) Bon Iver – 22, A Million

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Terceiro álbum de Bon Iver, que toma um caminho completamente diferente de seus trabalhos anteriores. Extremamente experimental, “22, A Million” se arrisca em modulações vocais, chiados e músicas que acabam bruscamente. Bon Iver abandona muitas vezes o seu timbre único e marcante por um auto-tune provocador. As influências do rap/pop contemporâneo comandado por Kanye West estão todas aqui. Bon Iver lançou o seu Yezzus, e haja tempo para digerir.

Ouça: 33 “GOD”

16º) ScHoolboy Q – Blank Face LP

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O quarto álbum de ScHoolboy Q é o registro de hip hop mais acessível e indicado para iniciantes do ano. Bem humorado, Blank Face é um típico disco de gasgta rap moderno que tem como principal triunfo um conjunto de ótimas canções que mais parecem vindas de uma coletânea “best of”. Isso não impede, no entanto, que algumas experimentações apareçam aqui e acolá, caso da ótima faixa de abertura “TorcH”. As figurinhas carimbadas Kanye West, Vince Staples e Anderson .Paak também aparecem por aqui.

Ouça: THat Part

15º) Kevin Morby – Singing Saw

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O terceiro álbum solo de Kevin Morby (ex-Woods e integrante do The Babies) mostra uma maturidade absurda. Apesar de jovem, Morby parece ter atingido a experiência plena nas belas e agradáveis canções de Singing Saw. Baladas indie/folk cantadas ao pé da fogueira, mas produzidas por arranjos de estúdio.

Ouça: I Have Been To The Mountain

14º) Whitney – Light Upon The Lake

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Light Upon The Lake é o melhor álbum de estreia do ano. Não que isso signifique que estamos lidando como uma nova banda ou uma nova sonoridade. Whitney é formado por um duo composto por ex-membros da extinta Smith Westerns, no qual um deles é baterista da Unknown Mortal Orchestra e o disco é produzido por um membro da Foxygen. O som também é conhecido: indie ensolarado paz e amor. Não posso fazer nada se as músicas são muito boas e irão grudar em sua cabeça, principalmente nos momentos de felicidade.

Ouça: No Woman

13º) Nicolas Jaar – Sirens

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O segundo álbum de Nicolas Jaar apresentou o ingrato desafio de superar o estupendo e inovador “Space Is Only Noise”, lançado em 2011. Várias músicas e parcerias surgiram desde então, mas a pressão foi tão grande que o músico de origem chilena teve que ser ambicioso o bastante para lançar um disco de música eletrônico influenciado pela história de ditadura no Chile. Sirens flerta com a política com louvor e traz momentos de urgência e agressividade inéditos na música de Nicolas Jaar.

Ouça: Three Sizes of Nazareth

12º) Anohni – Hopelessness

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Depois de quatro álbuns com a banda Antony and the Johnsons, Anohni, cantora inglesa e dona da voz mais bonita do mundo, lançou um primeiro álbum solo poderoso. Produzido por Hudson Mohawke e Oneohtrix Point Never, grandes nomes atuais da música eletrônica alternativa, a sonoridade de Hopelessness ganha contornos inovadores e arriscados para a carreira da cantora. O álbum, no entanto, vai além do poder sonoro e também se arrisca nas composições progressistas e bota o dedo na ferida no sonho americano. A desesperança não está somente no título, está no sistema financeiro, na sociedade machista, no aquecimento global, na vigilância do Estado, na merda que foi 2016. Nem Obama é poupado: “all the hope drained from your face like children we believed”. Tempos desesperançosos.

Ouça: Drone Bomb Me

11º) Danny Brown – Atrocity Exhibition

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O quarto álbum de Danny Brown segue um caminho natural e não muito diferente na carreira do rapper. Músicas curtas, rápidas, pesadas, experimentais e que, do rap contemporâneo, o que mais bebe da fonte punk rock. O próprio título do álbum é uma referencia direta à icônica música de Joy Division. O mais importante de tudo é que o conjunto de canções são muito boas e complementares, geralmente embaladas em ritmos ressonantes e sem pausa para respirar.

Ouça: Really Doe

10º) Anderson .Paak – Malibu

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O segundo álbum de Anderson .Paak é talvez o mais fácil de se apaixonar no ano. Apegado ao soul das décadas de 60 e 70 e ao hip hop dos ano 90 Paak nos envolve facilmente com o seu pop swingado e seu timbre R&B. Depois de uma importante participação no bom disco de Dr. Dre no ano passado, o talento do músico se destaca mais do que nunca neste ano, com participações nos trabalhos de Kaytranada e ScHoolboy Q (ambos selecionados nesta lista) e na bela parceria com o produtor Knxwledge no projeto NxWorries. Vindo da costa oeste dos Estados Unidos, Paak está confortavelmente inserido na cena hip hop contemporânea, mas Malibu se destaca mais por se apegar às influências do passado.

Ouça: Am I Wrong

9º) Kanye West – The Life of Pablo

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O sétimo álbum de Kanye West segue uma linha até convencional demais perto do que o rapper estava trilhando. Se My Beautiful Dark Twisted Fantasy teve o impacto de revolucionar o hip hop para um novo patamar sonoro e Yeezus teve a ousadia de experimentar para além do que imaginamos de uma reinvenção constante do artista, The Life of Pablo cai como mais do mesmo. Isto para uma audição apressada, pois aqui e ali West está sim se aprofundando naquilo que se propôs a fazer: sair não só da caixinha do hip hop como da própria música pop. Espere sim músicas açucaradas, mas espere também ser surpreendido a cada faixa tocada. Em se tratando de Kanye West as polemicas extra-música não me interessam. A obra é maior do que o artista.

Ouça: Ultralight Beam

8º) Car Seat Headrest – Teens of Denial

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Teens of Denial já é o décimo terceiro (!) álbum de Car Seat Headrest, projeto do jovem (24 anos) e desconhecido Will Toledo, mas soa como se fosse uma estreia. Depois de uma prolífica carreira totalmente independente com álbuns lançados na plataforma Bandcamp, Toledo conseguiu um contrato com a “grande” gravadora indie Matador. Teens of Denial é o primeiro álbum dessa nova fase com canções inéditas, que deixa de ser um projeto de internet e passa a ter o peso de uma banda real para além do lo-fi. Mesmo que o clima de indie rock feito na garagem de casa (ou literalmente no assento do carro) continue predominando a sonoridade da banda, as músicas ganham contornos grandiosos e ideias engenhosas. Temos canções de 11 minutos, guitarras virtuosas e mudanças de melodias cantantes, mas as letras continuam sendo inseguras como qualquer garoto não popular no ensino médio.

Ouça: Vincent

7º) Beyoncé – Lemonade

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Beyoncé conseguiu uma façanha incrível com o seu sexto álbum solo e segundo álbum visual: repleto de influencias, convidados,  gêneros musicais distintos e abordando explicitamente a infidelidade de seu marido, o machismo e o racismo de forma orgânica e conceitual, Lemonade ainda consegue ser enxuto e coeso. Um álbum grandioso, ousado, super produzido e sem sobras. Não a toa foi considerado o melhor do ano por várias listas. Musicalmente impecável e sem participação de Jay-Z, Beyoncé mostra corajosamente quem que manda nessa bagaça: reprime a infidelidade numa primeira metade raivosa e depois perdoa numa redenção ao amor verdadeiro na segunda metade comovente. O final com “Formation” não poderia ser mais preciso: “cause I slay”.

Ouça: Formation

6º) David Bowie – Blackstar

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Se a história do vigésimo quinto e último álbum de David Bowie (RIP) fosse escrito por um roteirista de Hollywood todos achariam forçado demais. Lançado dois dias antes da morte de Bowie (um câncer não divulgado publicamente), Blackstar é uma obra-prima de despedida, encenada em seu leito de morte. A letra e o clipe de “Lazarus”, personagem bíblico ressuscitado por Jesus, é daquelas coisas de arrepiar a espinha: “Look up here, I’m in heaven/I’ve got scars that can’t been seen”. Mas o álbum do artista que mais morreu e ressuscitou na música vai muito além de sua história. A genialidade de Blackstar está nas canções, que dessa vez bebe do jazz em parceria com o músico Donny MvCaslin e do próprio passado em parceria com o produtor de longa data Tony Visconti. Blackstar é uma síntese e uma despedida perfeita do nosso eterno alienígena, que sempre estará nos céus quando olharmos para cima.

Ouça: Lazarus

5º) Frank Ocean – Blonde

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O segundo álbum de Frank Ocean toma um rumo bem diferente do sucesso irradiante do anterior “Channel Orange”, que inundou as listas como o álbum mais marcante de 2012. O sucesso, no entanto, parece não ter agradado o artista, que se isolou das redes sociais, interrompeu o seu contrato com o grande selo Def Jam e angustiou fãs do mundo inteiro com atrasos no lançamento do disco. Extremamente sensível, intimista, minimalista, silencioso e pessoal, Blonde parece captar muito bem essa fase de fuga do mainstream de Frank Ocean. Sem grandes produções e colaborações que não se fazem sentir, o impacto de Blonde vem justamente de seu pouco alarde, de sua sensibilidade e da voz de um R&B clássico e sentimental de Ocean.

Ouça: Nikes

4º) Solange – A Seat at the Table

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O terceiro álbum de Solange Knowles deixa completamente para trás a comparação ou a relevância da mesma ser irmã de Beyoncé. Isso poderia fazer sentido em 2003, quanto muito precocemente (apenas 16 anos) Solange lançava seu álbum de estreia. Naquela ocasião, tratava-se de um disco com a presença de produtores famosos e sonoridade carregadamente pop, nada fora da rotina. A Seat at the Table é o contrário disso tudo, um disco limpo, soul, R&B dos mais tradicionais. É um álbum onde o ponto central é a voz e a performance da cantora, que está afinada como nunca. Tematicamente profundo, A Seat on the Table também é um álbum muito pessoal, com participações dos pais de Solange em interlúdios e um desabafo sobre o que é ser mulher negra. Um desabafo carregado em tristezas.

Ouça: Cranes in the Sky

 

3º) Radiohead – A Moon Shaped Pool

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A aguardadíssimo nono álbum de Radiohead foi tudo aquilo que os fãs queriam após cinco anos de espera, principalmente depois de uma recepção apagada do anterior “The King of Limbs”. Parecia que a banda de fato queria agradar: um álbum cheio, verdadeiro, refinado, esforçado e com a presença da primeira versão de estúdio de”True Love Waits”, faixa adorada pelos fãs mais antigos. Em se tratando de Radiohead, o critério de experimentação e perfeição pode ser alto demais, e alguns xiitas podem argumentar que não há tanta coisa nova assim em A Moon Shaped Pool diante da carreira da banda. Discordo. Por incrível que pareça o Radiohead nunca foi tão sentimental e entregue como agora. Da para sentir uma banda mais leve e menos paranoica. Os arranjos de Jonny Greenwood executados pela London Contemporary Orchestra são um tempero a mais para manter o Radiohead sempre no topo.

Ouça: Present Tense

2º) Chance The Rapper – Coloring Book

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A terceira mixtape de Chance The Rapper foi o maior hype musical do ano. Neste caso, um hype merecido. Chance segue exatamente a cartilha do hip hop contemporâneo pós-Kanye West mencionado na introdução desta lista: rap celebrativo, produção moderna cheia de colaborações e experimentações sonoras que se misturam com a origem do próprio hip hop. No caso de Coloring Book, assim como em The Life of Pablo, o gospel está presente com mais força. Ao contrário de temáticas sérias, importantes e até melancólicas encontradas em muitos álbuns relevantes neste ano, Coloring Book celebra a vida com temáticas essencialmente cristãs. A beleza das canções se destacam ainda mais pelo fato de Chance se tornar um dos maiores rappers da atualidade e ainda ser independente, liberando a sua mixtape gratuitamente e cutucando as grandes gravadoras em “No Problem” e “Mixtape”. Foi o disquinho que tomou o lugar de Kendrick Lamar neste ano.

Ouça: No Problem

1º) A Tribe Called Quest – We Got It From Here… Thank You 4 Your Service

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O sexto e último álbum de A Tribe Called Quest, lançado 18 anos após o último registro do lendário grupo da era de ouro do hip hop, é uma síntese da decadência das ideias progressistas. O momento é oportuno: Donald Trump venceu as eleições presidenciais nos Estados Unidos e um movimento conservador e retrógrado ganha força diante de um mundo em crise. A primeira rima de “We Got It From Here” na faixa “The Space Program” é simbólica: “it’s time to get left and not right”. A grande sacada do grupo, que na verdade é a sua sacada desde o seu surgimento em 1985, é tratar toda essa tragédia com ironia e leveza. Na própria “The Space Program” a história gira em torno de uma fuga utópica para Marte, mas lá no meio somos alertados: “there ain’t space program for niggas/yeah, you stuck here, nigga”. Além das letras e da excelência dos rappers, o álbum também ganha força por se revigorar para além do que já conhecíamos. “We Got It From Here” está sonoramente em algum lugar entre a era de ouro do hip hop do final de 80 e começo de 90 e do hip hop contemporâneo atual.

Ouça: We The People….

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Vlw flws!

10 menções honrosas (em ordem alfabética)

Drake – If You’re Reading This It’s Too Late

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Ouça: Hotline Bling

Empress Of – Me

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Ouça: How Do You Do It

Floating Points – Elaenia

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Ouça: Silhouettes

Jim O’Rourke – Simple Songs

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Ouça: Friends With Benefits

Lower Dens – Escape from Evil

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Ouça: To Die in L.A.

Mbongwana Star – From Kinshasa

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Ouça: Kala

Oneohtrix Point Never – Garden of Delete

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Ouça: Sticky Drama

Thundercat – The Beyond / Where The Giants Roam

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Ouça: Them Changes

Unknown Mortal Orchestra – Multi-Love

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Ouça: Multi-Love

Viet Cong – Viet Cong

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Ouça: Bunker Buster

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Top 20

20) Deerhunter – Fading Frontier

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Ouça: Breaker

19) Sleater Kinney – No Cities To Love

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Ouça: A New Wave

18) Destroyer – Poyson Season

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Ouça: Times Square

17) Kurt Vile – B’lieve I’m Goin Down…

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Ouça: Pretty Pimpin

16) Miguel – Wildheart

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Ouça: Coffe

15) Sufjan Stevens – Carrie and Lowell

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Ouça: No Shade in the Shadow of the Cross

14) Beach House – Depression Cherry

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Ouça: Sparks

13) Titus Andronicus – The Most Lamentable Tragedy

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Ouça: The Magic Morning (e outras)

12) Neon Indian – VEGA INTL. Night School

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Ouça: Slumlord Rising

11) Kamasi Washington – The Epic

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Ouça: The Rhythn Changes

10) Grimes – Art Angels

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Ouça: Flesh Without Blood

09) Julia Holter – Have You In My Wilderness

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Ouça: Feel You

08) Courtney Barnett – Sometimes I Sit And Think and Sometimes I Just Sit

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Ouça: Pedestrian at Best

07) Vince Staples – Summertime ’06

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Ouça: Norf Norf

06) Deafheaven – New Bermuda

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Ouça: Brought to the Water

05) Panda Bear – Panda Bear Meets The Grim Reaper

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Ouça: Mr Noah

04) Father John Misty – I Love You, Honeybear

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Ouça: I Love You Honeybear

03) Jamie xx – In Colour

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Ouça: Loud Places

02) Tame Impala – Currents

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Ouça: Let It Happen

01) Kendrick Lamar – To Pimp A Butterfly

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Ouça: Alright

Ouvi menos álbuns do que gostaria, e a cada semana que passa as posições se modificam. Comentários sobre tendências e de que o ano foi pior ou melhor são cada vez menos pertinentes. As músicas boas estão aí, é só procurá-las!

11 menções honrosas (em ordem alfabética)

Aphex Twin – Syro

AphexOuça: Minipops 67 (Source Field Mix)

Avey Tare’s Slasher Flicks – Enter The Slasher House

aveyOuça: Little Fang

Cloud Nothings – Here And Nowhere Else

CoverOuça: Psychic Trauma

How to Dress Well – What Is This Heart

howOuça: Words I Don’t Remember

Mr Twin Sister – Mr Twin Sister

mr twinOuça: In the House of Yes

Perfume Genius – Too Bright

perfumeOuça: Queen

Shabazz Palaces – Lese Majesty

shabazzOuça: They Come in Gold

Spoon – They Want My Soul

spoonOuça: Do You

The Bug – Angels and Devils

the bugOuça: Fall [ft. Copeland]

Ty Segall – Manipulator

tyOuça: Feel

White Lung – Deep Fantasy

whiteOuça: Face Down


Top 20

20. Sharon Van Etten – Are We There

arewethere.lpoutOuça: Your Love Is Killing Me

19. Ought  – More Than Any Other Day

oughtOuça: Habit

18. St. Vincent – St. Vincent

st vincentOuça: Prince Johnny

17. Thee Silver Mt. Zion Memorial Orchestra & Tra la la Band – Fuck Off Get Free We Pour Light On Everything

theeOuça: Austerity Blues

16. A Sunny Day In Glasgow – Sea When Absent

a sunnyOuça: Crushin’

15. Andy Stott – Faith In Strangers

andyOuça: Violence

14. Caribou – Our Love

caribouOuça: Can’t Do Without You

13. Ariel Pink – Pom Pom

arielOuça: Picture Me Gone

12. Flying Lotus – You’re Dead!

flyingOuça: Never Catch Me [ft. Kendrick Lamar]

11. Angel Olsen – Burn Your Fire For No Witness

angelOuça: Lights Out

10. Real Estate – Atlas

realOuça: Had To Hear

09. Parquet Courts – Sunbathing Animal

parquetOuça: Instant Disassembly

08. Swans – To Be Kind

swansOuça: Oxygen

07. FKA Twigs – LP1

fkaOuça: Two Weeks

06. Iceage – Plowing Into the Field of Love

iceageOuça: Forever

05. Todd Terje – It’s Album Time

toddOuça: Delorean Dynamite

04. Sun Kil Moon – Benji

sunOuça: Carissa

03. The War On Drugs – Lost In The Dream

thw warOuça: An Ocean In Between The Waves

02. Run The Jewels – Run The Jewels 2

runOuça: Angel Duster

01. D’Angelo and The Vanguard – Black Messiah

dangeloOuça: Sugah Daddy

10 menções honrosas (em ordem alfabética)

Arctic Monkeys – AM

arctic-monkeys-amA NME tratou como o disco da década, enquanto os blogueiros cults tiraram onda da situação. A verdade é que AM é o melhor trabalho dos macacos do ártico até o momento, o que o deixa nessa posição de “apenas” honrosa. Quase ficou de fora, mas me peguei ouvindo-o escondido várias vezes.

Top 2: Do I Wanna Know? / Fireside

Baths – Obsidian

bathssO geek amadureceu, e muito bem por sinal. Minimalismo sentimental de um pobre rapaz que perdeu a namorada sem nunca ter tido uma. Nem Star Wars o tira dessa fossa.

Top 2: Ironworks / Miasma Sky

Chvrches – The Bones of What You Believe

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Já que o álbum do Franz Ferdinand foi uma porcaria, tive que escolher esse aqui pra representar Glasgow.

Top 2: Gun / We Sink

David Bowie – The Next Day

bowieÁlbum mais aguardado do ano, talvez. Nada de mais  quando comparada com a discografia do camaleão, mas é um ótimo disco de rock setentista num ano particularmente fraco no que se refere ao rock de verdade. Deve ser por isso que gostei bastante: faz tanto tempo que não ouço esse tipo de sonoridade que caiu como nostalgia. Mentira, Bowie é deus e entrou de qualquer jeito.

Top 2: Love Is Lost / Where Are We Now?

Foxygen – We Are The 21st Century Ambassadors of Peace & Magic

foxygenOs filhos de Mick Jagger com Ray Davies dentro da banheira do The Mamas & The Papas nos indos e vindos de uma São Francisco legalize.

Top 2: No Destruction / Shuggie

Janelle Monáe – The Electric Lady

janellePromessa pra ganhar o The Voice escolhida por Carlinhos Brown. Claudinha Leite iria dizer que falta originalidade: “meias brancas com sapatos pretos foram usados por Michael Jackson”. Daniel ficaria com autoestima baixa e Lulu é fofoqueiro, feminista e polêmico.

Top 2: Electric Lady (feat. Solange) / Can’t Live Without Your Love

Mikal Cronin – MCII

mikalA melhor forma de curtir o dia ensolarado da Califórnia sem sair de casa, com direito a pegar um jacarezinho no mar e azarar as gatinhas.

Top 2: Weight / Change

Nick Cave & The Bad Seeds – Push The Sky Away

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O velho e bom Nick Cave contando suas estórias e fritando geral. Quase uma trilha sonora de filme.

Top 2: Jubilee Street / Higgs Boson Blues

Rhye – Woman

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“Uhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh, make love to me?”

Top 2: The Fall / Last Dance

Wire – Change Becomes Us

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Você não vai ver em nenhuma lista, então coloquei para que lembre que Wire ainda é uma banda foda.

Top 2: Re-Invent Your Second Wheel / As We Go

***

Top 20

20º – Autre Ne Veut – Anxiety

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Aproveitando a alta do R&B experimental, Autre Ne Veut lança um disco pop demais e estranho demais. O jeito largadão que o cara canta se destaca, o suficiente pra entrar no top 20.

Top 2: Play By Play / Counting

19º – Kurt Vile – Wakin On A Pretty Daze

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Um indie rock inofensivo que virou dos mais seguros, quase um álbum conceitual, o progressivo do lo-fi. Que contradição meu caro Kurt Vile.

Top 2: Wakin On A Pretty DayKv Crimes

18º – Justin Timberlake – The 20-20 Experience

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Pô! O cara era do clube do Mickey e do ‘N Sync! O passado te condena, mas essa beleza aqui  compensou todos os pecados.

Top 2: Suit & TieTunnel Vision

17º – Danny Brown – Old

danny

O melhor álbum de hip hop do ano. O do Kanye West eu ainda não descobri de que gênero se trata.

Top 2: Dip / Side B (Dope Song)

16º – Blood Orange – Cupid Deluxe

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Esse disquinho do Blood Orange é a síntese do porquê o pop se saiu melhor do que o rock esse ano: simplesmente as músicas são melhores.

Top 2: You’re Not Good Enough / Uncle ACE

15º – My Blood Valentine – mbv

mbv

mbv parece ter sido gravado em meados da década de 90 e ter sido lançado só agora. O My Blood Valentine não mudou nada, e nisso nós agradecemos.

Top 2: Only Tomorrow / New You

14º – Bill Callahan – Dream River

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O homem com cara de santo e voz de quem já vendeu a alma pro diabo ataca novamente. Muito bem arranjado, Green River traz mais uma vez o paradoxo de como Bill Callahan consegue ser sereno e poderoso ao mesmo tempo.

Top 2: Spring / Summer Painter

13º – Darkside – Psychic

darkside

Nicolas Jarr, agora na companhia de Dave Harrington, mostra mais uma vez que está na frente de seus colegas quando o assunto é música eletrônica. Muito charme, muita sensualidade. A mistura entre a passarela chique e o cabaret abandonado.

Top 2: Golden Arrow / Paper Trails

12º – Iceage – You’re Nothing

iceage

PRESSURE! PRESSURE! PRESSURE! Oh God No!

Top 2: Ecstasy / Burning Hand

11º – Phosphorescent – Muchacho

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Muchacho é uma guinada significativa na carreiro da Phosphorescent. Álbum redondinho e muito entregue, daqueles que só víamos na era de ouro do Wilco.

Top 2: Song For Zula / The Quotidian Beasts

10º – James Holden – The Inheritors

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Em tempos que Fuck Buttons já não é mais novidade, James Holden precisa apelar para a fritação pesada até as últimas consequências. O resultado é genial.

Top 2: Renata / Gone Feral

9º – Youth Lagoon – Wondrous Bughouse

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O álbum de indie rock de uma banda relativamente nova que a NME deveria superestimar. Isso só não acontece porque o Youth Lagoon parece ser maduro demais para a publicação.  Denso e magicamente construído, Wondrous Bughouse já pode servir de referência pra muita banda nova do gênero.

Top 2: Mute / Pelican Man

8º – Savages – Silence Yourself

Savages

Ian Curtis reencarnou como mulher e montou sua banda feminina. Já é o suficiente.

Top 2: She Will / City’s Full

7º – Disclosure – Settle

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Revelação pop-eletrônica do ano. Conseguiram agradar todo mundo, até os playboys piraram. Não tive saída.

Top 2: LatchWhite Noise

6º – Daft Punk – Random Access Memories

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Há tanta coisa pra falar desse álbum que nem sei por onde começar. Então vou ficar por aqui mesmo. Esse disco não precisa mais de marketing (e nem de mais paródias de Get Lucky, por favor).

Top 2: Get Lucky / Beyond

5º – Vampire Weekend – Modern Vampires of the City

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Sempre subestimei a força excessiva do publico e da crítica com relação ao Vampire Weekend, mas me entrego com esse álbum aqui. A banda só melhora, tanto nas melodias quanto nas letras, e soube amadurecer sem perder o estilo.

Top 2: Ya Hey / Step

4º – Julia Holter – Loud City Song

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Encantador e hipnótico. O álbum cabeçudo dessa lista aqui.

Top 2: Maxim’s I / Horns Surrounding Me

3º – Kanye West – Yeezus

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Mais uma vez o álbum do Kanye West será o primeiro colocado de todas as listas. Deixei em terceiro só pra provocar. Mas uma coisa é certa: ousado esse menino!

Top 2: I Am A God / Blood On The Leaves

2º – The Knife – Shaking The Habitual

knife

Tem uma faixa de 20 minutos ali no meio que eu sempre pulo, mas tirando isso fica perfeito.

Top 2: Full Of Fire / Raging Lung

1º – Arcade Fire – Reflektor

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Gosto muito mais de Reflektor do que de The Suburbs #prontofalei

Top 2: Reflektor / Afterlife

10 Menções Honrosas (em ordem alfabética):

Daughn Gibson – All Hell

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Top 2:

1. Rain On A Highway

2. Tiffany Lou

 

 

Jessie Ware – Devotion

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Top 2:

1. Wildest Moments

2. Swan Song

 

 

Killer Mike – R.A.P. Music

KILLER MIKE

 

 

Top 2:

1. Untitled (Feat. Scar)

2. Reagan

 

 

Liars – WIXIW

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Tops 2:

1. No.1 Against The Rush

2. His And Mine Sensations

 

 

Lower Dens – Nootropics

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Top 2:

1. Brains

2. Alphabet Song

 

 

Metz – Metz

Metz

 

 

Top 2:

1. Wet Blanket

2. Headache

 

 

The Men – Open Your Heart

the men

 

 

Top 2:

1. Open You Heart

2. Turn It Around

 

 

Wild Nothing – Nocturne

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Top 2:

1. Paradise

2. Shadow

 

 

Tindersticks – The Something Rain

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Top 2:

1. Frozen

2. Slippin’ Shoes

 

 

Titus Andronicus – Local Business

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Top 2:

1. Still Life With Hot Deuce On Silver Platter

2. My Eating Disorder

.

 

Os 20 melhores álbuns de 2012

20º – Andy Stott – Luxury Problems

LUXURY-PROBLEMS-575x575Top 2:

1. Numb

2. Luxury Problems

19º Lambchop – Mr. M

lambchop

Top 2:

1. Gone Tomorrow

2. Betty’s Overture

18º – Lotus Plaza – Spooky Action At a Distance

lotus plaza

Top 2:

1. Monoliths

2. Jet Out Of The Tundra

17º – Grimes – Visions

grimes

Top 2:

1. Oblivion

2. Genesis

16º – Death Grips – The Money Store

death grips

Top 2:

1. I’ve Seen Footage

2. Hacker

15º – Japandroids – Celebration Rock

japandroids-celebration-rock

Top 2:

1. The House That Heaven Built

2. Fire’s Highway

14º – The Walkmen – Heaven

WalkmenHeaven

Top 2:

1. Heaven

2. The Witch

13º – El-P – Cancer for Cure

el-p

1. The Full Reatard

2. Stay Down (feat. Nick Diamonds)

12º – Animal Collective – Centipede Hz

animal

Top 2:

1. Monkey Riches

2. Wide Eyed

11º – Godspeed You! Black Emperor – ‘Allelujah! Don’t Bend! Ascend!

gospeed

Top 2:

1. Mladic

2. We Drift Like Worried Fire

10º – Sharon Van Etten – Tramp

sharon

Top 2:

1. Give Out

2. Serpents

9º – Dirty Projectors – Swing Lo Magellan

dirty

Top 2:

1. Gun Has No Trigger

2. Maybe That Was It

8º – Tame Impala – Lonerism

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Top 2:

1. Apocalypse Dreams

2. Elephant

7º – Swans – The Seer

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Top 2:

1. Mother Of The World

2. The Seer Returns

6º – Chromatics – Kill For Love

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Top 2:

1. Lady

2. These Streets Will Never Look the Same

5º – Beach House – Bloom

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Top 2:

1. Myth

2. Wishes

4º – Grizzly Bear – Shields

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Top 2:

1. Yet Again

2. A Simple Answer

3º – Fiona Apple – The Idler Wheel…

fiona

Top 2:

1. Werewolf

2. Left Alone

2º – Frank Ocean – Channel Orange

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Top 2:

1. Pyramids

2. Sweet Life

1º – Kendrick Lamar – Good Kid M.A.A.D City

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Top 2:

1. Backstreet Freestyle

2. M.A.A.D City (Feat. MC Eiht)

Quando o ano de 2011 acabou havia ouvido apenas 5 álbuns nacionais, uma decepção se comparado aos anos anteriores. Muito se explica pela minha falta de tempo no ano que já passou, no qual abandonei o blog. Em 2012 as coisas mudaram (não, o blog não voltará). Os dois primeiros meses do novo ano tive tempo de sobra para correr atrás de como andou o cenário alternativo/independente da música brasileira. De maneira muito fria, selecionei 60 álbuns para analisar de maneira rápida, buscando aquelas obras mais comentadas pelos portais afora.

Abaixo fiz pequenos cometários dos discos que ouvi, selecionando ao final os 10 melhores álbuns e as 20 melhores músicas nacionais do ano de 2011. Antes, porém, faço a minha ressalva de como anda a música alternativa brasileira. É comum vermos gente idolatrando o novo cenário da música nacional e blogs que simplesmente não conseguem falar mal de uma obra. Falta exigência da crítica (tanto profissional quanto daqueles que, assim como eu, apenas escrevem em blogs suas impressões). Estou acostumado a ser exigente com aquilo que ouço. Acho imprescindível que o artista/banda saia da sua zona de conforto e de  apenas fazer o correto. Temos muitos artistas bons, mas a grande maioria ainda não aprendeu a fazer a diferença.

Daí que a música indie nacional se encontra num dilema: muito superestimado por quem vive no meio e muito subestimado por quem não está inteirado. Temos muito álbuns bons, mas poucos que realmente marcarão com o tempo. No ano de 2011 então, nenhum disco obteve nota maior do que 4 estrelas em 5. Vejo também tendências claras do novo cenário: a força da MPB paulistana e a sempre interessante música de Pernambuco, sendo os dois lugares em que mais se produzem obras significativas neste país. De resto, os pequenos comentários sobre cada álbum abaixo mostra o que eu realmente sinto pela música tupiniquim atual.

A Banda Mais Bonita da Cidade – A Banda Mais Bonita da Cidade

Um vídeo fofinho, um versinho viciante, fãs ajudando para pagar o disco. A consequência disso tudo foi o álbum mais frustante da música nacional. A Banda Mais Chata da Cidade não fez apenas um álbum ruim, fez canções que causam sensações de vergonha alheia. Alguns deveriam pedir o dinheiro de volta. Nota: 1.0/5.0

Matanza – Odiosa Natureza Humana

A fórmula do Matanza há tempos já estava desgastada, mas pelo menos ainda rendia alguns momentos divertidos e alguns riffs que chamavam atenção. Com Odiosa Natureza Humana a banda fracassa por completo, as ideias acabaram e a graça também. Nota: 1.5/5.0

Cachorro Grande – Baixo Augusta

A Cachorro Grande até tentou dar uma repaginada no visual, trocando o som mais rock clássico para algo mais, digamos, moderninho. Não adiantou, a banda continua sem salvação. Nota: 1.5/5.0

Agridoce – Agridoce

Vixe, Pitty entrou no mundo indie. Juro que não tive nenhum preconceito antes de ouvir o projeto paralelo da cantora baiana, o problema simplesmente reside no álbum em si: um indiezinho mela cueca do caralho. Nota: 1.5/5.0

My Midi Valentine – The Fall Of Mesbla

Até gosto da sinceridade nerd, reclusa e excluída da sociedade da dupla My Midi Valentine, porém, mais chata do que a rotina desses caras é o tipo de música que fazem. Fazer algo caseiro com barulhinhos de video-game nem sempre da certo, meu amigo. Poucas coisas se desenvolvem como algo realmente criativo e interessante. Nota: 2.0/5.0

CSS – La Liberación

Se tinha algo que chamava atenção na música do CSS era sua tendência eltropunk divertida e trash. Com La Liberación (e também com o álbum anterior) a produção fala mais alto e o que diferenciava a banda já não diferencia mais. O pop perdido na multidão, a história se repete. Nota: 2.0/5.0

Copacabana Club – Tropical Splash

Irmão do CSS, copiando a mesma fórmula. Parece que o Brasil ainda não aprendeu a fazer pop. Nota: 2.0/5.0

Violins – Direito de Ser Nada

Mais um típico álbum dos Violins, mas que anseia por uma sonoriade mais pop e letras mais leves. Não pega. Nota: 2.0/5.0

Tiê – A Coruja e o Coração

O disco fofinho, bonitinho e felizinho do ano, que apela para covers de músicas recentes para funcionar. Pra que fazer uma versão de “Só Sei Dançar Com Você”, de Tulipa Ruiz? Pra mostrar o quanto é inferior? Nota: 2.0/5.0

Banda Uó – Me Emoldurei de Presente Pra Te Ter EP

Acho muito interessante uma banda brasileira (e goiana!) encarar o pop escrachado à la Diplo. Coisa raríssima! Alguns momentos até funcionam muito bem (como o sampler do refrão envolvendo “Shake de Amor”). Mas a forçação de barra para soar brega e hipster tenta a todo custo esconder as fracas canções (irritantes em alguns casos). As canções! É isso que importa! Nota: 2.5/5.0

Eddie – Veraneio

Veraneio é o irmão mais novo de As Novas Lendas da Etnia Toshi Babaa, lançamento do Mundo Livre S/A. Ambos possuem o mesmo clima divertido e povoado, muita gente, muitos instrumentos, muito swingue. Mas é daí que vemos quando uma obra vale ou não a pena. Apesar da qualidade, a música de Eddie é um passatempo vago. Esquecível. Nota: 2.5/5.0

Chico Buarque – Chico

O que mais me incomoda no disco do Chico nem são as fracas letras da maioria das canções, e sim como o grande gênio se acomoda. Por isso engrandeço muito artistas como Tom Zé, ou até mesmo Caetano Veloso. Pode ser que não façam algo como nos velhos tempos, mas pelo menos ainda tentam e se arriscam, inquietam-se. O disco do Chico só me faz pensar como ele foi bom um dia. Nota: 2.5/5.0

Mallu Magalhães – Pitanga

É evidente a melhora de Mallu diante de seus dois péssimos álbuns anteriores, digamos que as coisas se tornaram mais coesas. Acontece que a artista apenas conseguiu o primeiro passo, e muito por causa do tom conservador do disco: vamos apelar pro samba e outras bossas. A apatia domina. Nota: 2.5/5.0

China – Moto Contínuo

Aqui e ali o próprio China tenta justificar a falta de ambição de seu disco. Canções que dizem que a música “só serve pra dançar” e de uma garota que não se sensibiliza por seus versos apaixonados, criando “mais um sucesso pra ninguém”. É isso mesmo, vamos virar a página e esquecer, facilmente. Nota: 2.5/5.0

Los Porongas – O Segundo Depois do Silêncio

Rock manso e conservador. Vi muita gente falando bem do segundo álbum dos acreanos Los Porongas e colocando em boas posições nas listas pelos blogues afora, mas só me fez causar sono e desinteresse. Na maioria das vezes (a boa faixa de abetura é uma excessão) achei as letras fracas, sonoridade convencional, vocal que não convence. Nota: 2.5/5.0

Bande Dessinée – Sinée Qua Non

Na onda indie fofinha, os pernambucanos da Bande Dessinée aposta toda a sua fofisse em climas nostálgicos e em idiomas que se misturam entre o francês, italiano e o próprio português. Aí eu te pergunto: até quando? Nota: 2.5/5.0

Cassim & Barbária – II

O Cassim & Barbária atira para todos os lados, buscando sempre sons exóticos e movimentos à mercê da loucura. Dito isso, o disco pode até soar divertido, mas fraco diante de suas inexpressivas experimentações. Nota: 2.5/5.0

Mariana Aydar – Cavaleiro Selvagem Aqui Te Sigo

Cantora de bonita voz faz um monte de cover em formato samba. Até quando? Nota: 2.5/5.0

Fábios Góes – O Destino Vestido de Noiva

Disco bem produzido, mas a serviço de muitas baladinhas sentimentais de dar sono. Ideal para trilha sonora de novela insossa. Nota: 2.5/5.0

Júlia Says – Violência

É raro encontrar artistas brasileiros que se arrisquem na eletrônica mais pesada e roqueira de um Chemical Brothers ou The Prodigy, algo que a dupla pernambucana Júlia Says tenta fazer, merecendo destaque por isso. Pena que o resultado seja algo bastante superficial e de pouco impacto. Nota: 2.5/5.0

Camarones Orquestra Guitarrística – Espionagem Industrial

Não sou contra o puro rock instrumental, mas quando a banda apenas grava riffs e melodias convencionais que poderiam ser acompanhados facilmente por letras, não há muito do que aproveitar. O Camarones Orquestra Guitarrística toca bem, mas apenas o básico. Não vejo lógica. Nota: 2.5/5.0

Vanguart – Boa Parte de Mim Vai Embora

Incrível como o Vanguart tem tudo para dar certo mas não dá. Mais uma vez o álbum da banda cuiabana começa muito bem, com canções realmente boas, mas que aos poucos vai se enfraquecendo. Num contexto geral acaba soando fraco. Nem eu sei mais o que falta pra essa banda engrenar. Nota: 3.0/5.0

Cícero – Canções de Apartamento

O disco é bom, mas a forma como plagia Caetano Veloso (“João e o Pé de Feijão”), a manjada maneira de fazer poesia (elefantes brancos, vagalumes cegos/elefantes cegos, vagalumes brancos) e as canções sempre formuláicas à la Beirut (começam simples e explodem no final) me incomodaram bastante. Há carência de originalidade. Nota: 3.0/5.0

Nevilton – De Verdade

O EP anterior prometia uma grande banda indie, mas “De Verdade” comprova que ficou mais pra promessa. É competente, bem tocado, mas falta brilho nas canções. A música mais marcante (“Pressuposto”) era do EP. Nota: 3.0/5.0

Quarto Negro – Desconocidos

Bom disco de estreia dos paulistas do Quarto Negro, que de primeira já mostra uma banda bastante madura. Há canções realmente boas aqui, mas como um todo o disco acaba soando cansativo diante de seus excessos. Mais longo do que deveira ser, às vezes o álbum mostra mais firulas do que momentos de real catarse. Nota: 3.0/5.0

Adriana Calcanhotto – O Micróbio do Samba

Vi muita gente chamando o samba de Calcanhotto de heterodoxo, mas acho que a palavra só se adequa pra quem realmente só vive de samba. As músicas são bem escritas e bem arranjadas, mas o formato se repete (e se repete…) e não estou acostumado a se conformar com pouco. Acho bonito, mas passageiro, até modesto. Se isso for heterodoxo, deve ser a ortodoxia da heterodoxia. Nota: 3.0/5.0

Marcelo Camelo – Toque Dela

Marcelo Camelo mais feliz, radiante e “losermado” do que antes. Não tem o clima mais profundo e denso que tanto admirei em “Sou”, o que acaba deixando o disco mais água com açúcar. Porém, a banda de apoio (Hurtmold) ainda continua fazendo a diferença. Agora com metais. Nota: 3.0/5.0

Nuda – Amarénenhuma

Típica banda que possui boas ideias, mas que são desperdiçadas diante da fraca produção.  Acredito que nas mãos de um bom produtor o som sairia melhor e mais coeso. O peso da banda acaba perdendo força diante das “bagunças” sonoras, algumas firulas desnecessárias. Nota: 3.0/5.0

Gloom – Gloom

Com um som bem característico das bandas indies dos últimos anos (comparações com Móveis Coloniais de Acaju são inevitáveis), o Gloom faz um disco de estreia bem simpático e até divertido. Falta a originalidade pra deslanchar. Nota: 3.0/5.0

Autoramas – Música Crocante

A banda não mudou nada. Música simples, rock pra cima e ritmos grudentos. Perde ponto por não sair do lugar comum, ganha ponto por manter o interesse em riffs pegajosos. Nota: 3.0/5.0

Marisa Monte – O Que Você Quer Saber De Verdade

Talvez o disco mais irregular do ano. Marisa Monte está perfeita em momentos mais emocionantes como “Depois” e terrivelmente chata na simplicidade melancólica de faixas como “Amar Alguém” e “Lencinho Querido”.  Se cortasse as metades das músicas seria um gande disco. A voz (sempre a voz) salva. Nota: 3.0/5.0

Passo Torto – Passo Torto

Reunindo alguns dos músicos mais destacados da nova MPB paulistana, o quarteto Passo Torto segue bem aquilo que vemos nos trabalhos de Romulo Fróes: samba de qualidade e boas letras. Acontece que, como na maioria das reuniões musicais como essa, o trabalho acaba sendo inferior ao individal de cada. Um bom que não se destaca. Nota: 3.0/5.0

Pública – Canções de Guerra

Apesar de não oferecer nada de mais, Canções de Guerra é um bom e consistente álbum de rock, sem os excessos dos discos anteriores da banda. Nota: 3.0/5.0

Boss In Drama – Pure Gold

Apesar de repetitivo e de seguir uma fórmula já batida há tempo, Pure Gold é o álbum pop nacional mais consistente do ano, uma surpresa por ser o trabalho de estreia de Boss In Drama. O “sucesso” está por conta do clima dançante setentista, que sempre funciona em uma pista de dança. Porém, o que faz do artista realmente ter relevância no ano é a falta de concorrência no Brasil. Nota: 3.0/5.0

Anelis Assumpção – Sou Suspeita, Estou Sujeita, Não Sou Santa

A moça sabe interpretar o samba, e só. É cruel e fora de contexto a comparação, mas falta a inventividade do pai. Nota: 3.0/5.0

Gui Boratto – III

A fórmula do Gui Boratto permanece, o mesmo minimalismo house de sempre. Em III, porém, vemos um disco bastante irregular, com momentos marcantes quando resolve  ir para caminhos mais sujos e outros que não evoluem para lugar algum. No Brasil, continua sendo um raro talento da eletrônica. Nota: 3.0/5.0

Graveola e o Lixo Polifônico – Eu Preciso De Um Liquidificador

Álbum simpático, que utiliza todos os recursos de uma banda indie que tem “Blocodo Do Eu Sozinho” como referência principal. Aquela toada. Nota: 3.0/5.0

Junio Barreto – Setembro

O samba de Junio Barreto é muito bem instrumentado e possui algumas boas canções, porém, não sai de sua zona de conforto. Nota: 3.0/5.0

Momo – Serenade of a Sailor

Marcelo Frota (que se denomina Momo) busca em Serenade of a Sailor os sentimentos de uma marinheiro em alto-mar para representar a solidão e a esperança de voltar em terra firme. Acontece que apesar de belo e bem produzido, algumas faixas pouco nos angustia nessa jornada. É um bom disco, mas que não se aprofunda tanto assim. Nota: 3.0/5.0

Beto Só – Ferro-Velho de Boas Intenções

Bonito álbum do Beto Só. Bem pessimista e autocrítico, o cantor brasiliense vai cuspindo suas palavras de melancolia em melodias tocantes e momentos que realmente sensibilizam. Nota: 3.5/5.0

ruído/mm – Introdução à Cortina do Sótão

O rock intrumental do ruído/mm sai do lugar comum de apenas fazer rock sem letras e explora ambientes diversos, dos mais calmos aos mais pesados e sempre com muita técnica. Boas melodias, mas que acabam se tranformando numa trilha sonora sem filme, incompleta. 3.5/5.0

Silva – Silva EP

Apesar de inofensivo, um bom EP de estreia de Silva, que tenta uma sonoridade bem próxima do indie encontrado lá fora. Dá para acreditar em um bom disco pela frente. Nota: 3.5/5.0

Lê Almeida – Mono Maçã

Disco bastante ousado. Não me lembro de outro artista entrar com tanto afinco no mundo lo-fi quanto Lê Almeida. E o cara fez tudo sozinho, grande revelação. Nota: 3.5/5.0

Bixiga 70 – Bixiga 70

Disco intrumental swingado e delicioso de ouvir, daqueles com cheiro de África e repleto de metais. Não sai muito do lugar comum do que vários artistas renomados já fizeram, mas sempre vale a pena. Nota: 3.5/5.0

Lirinha – Lira

É até surpreendente como Lirinha conseguiu se despregar do Cordel do Fogo Encantado em seu primeiro álbum solo. Um disco que mostra a sua força mais pela sonoridade do que pelas letras em si, algo estranho para um artista que prima tanta pela poesia quanto Lirinha. Apesar da irregularidade de algumas canções, o disco acaba funcionando por  suas inquietações. Nota: 3.5/5.0

Romulo Fróes – Um Labirinto Em Cada Pé

Possui belas letras e uma intrumentação bem elaborada, o que já deixa o álbum de Romulo Fróes acima de muitos do ano. Pena que toda essa eficiência acaba não funcionando de maneira marcante em formato de música, com ritmos pouco inspirados, ao contrário do que acontecia em “No Chão Sem O Chão”, o ótimo disco anterior do músico. Nota: 3.5/5.0

Ogi – Crônicas da Cidade Cinza

Um bom disco de hip hop com versos e rimas muito bem boladas por Ogi. A cidade de São Paulo e as dificuldades das pessoas que moram lá mais um vez é o tema, o que cairia em desgaste se não fosse o talento do rapper. Faltou um capricho maior na produção e nos samplers. Nota: 3.5/5.0

Sobre a Máquina – Areia

Interessante amostra de música eletrônica brasileira. O som do Sobre a Máquina vai fundo nas experimentações de climas e texturas, alternando os seus momentos densos e sombrios com batidas que até chegama a ser “dançantes”. O resultado é hipnotizante. Nota: 3.5/5.0

Gal Costa – Recanto

Gal Costa pega as letras de Caetano e brinca com chiados, guitarras distorcidas, batidas eletrônicas, autotune e dá um banho na nova geração de cantoras. Peca por causa de algumas canções/letras pedantes, mas é um exemplo de artista consagrada que dessa vez resolveu não se acomodar. Nota: 3.5/5.0

Karina Buhr – Longe de Onde

Karina Buhr confirma a sonoridade ousada que a revelou em seu primeiro disco. Longe de Onde até possui momentos bem voltados para o rock, pensados de maneira bastante criativa, o que muitas bandas de rock nacionais estão longe de conseguir fazer. Nota: 3.5/5.0

OS 10 MELHORES ÁLBUNS:

10° – Pélico – Que Isso Fique Entre Nós

Disco muito simples e intimista, mas que possui muita força devido a performance de Pélico. O vocal do cantor está no ponto, que se destaca em suas variações e demonstra todo o sentimento envolvido. Nota: 3.5/5.0

9º – Emicida – Doozicabraba e a Revolução Silenciosa

 Emicida mais afiado do que antes e que tenta a todo momento se autoafirmar, principalmente no atual momento em que todos olham para ele. Em termos sonoros, um álbum mais produzido e conciso, o que melhora o talento natural do rapper. Nota: 3.5/5.0

8º – Constantina – Haveno

Álbum instrumental de muita sensibilidade. Os mineiros da Constantina se apoiam nos instrumentos e em alguns barulhinhos eletrônicos para formar sons suaves, mas com momentos de catarse. Como a própria capa demonstra, a intenção aqui é representar o mar e todas as suas proesas. Nota: 4.0/5.0

7º – Lula Queiroga – Todo Dia É O Fim Do Mundo

O veterano Lula Queiroga lança um álbum criativo e atual. Todo Dia É O Fim Do Mundo mostra que o final dos tempos nada mais é do que o nosso ordinário cotidiano, casos que terminam e amores que se vão. Toda a experiência de crises do homem moderno é levada com muita criatividade por Lula, que aposta nos diversos ritmos em marcantes melodias para criar um dos melhores discos nacionais do ano. Nota: 4.0/5.0

6º – São Paulo Underground – Três Cabeças Loucuras

O álbum instrumental experimental que tanto amamos. São Paulo Underground mostra muita competência na elaboração de sua música misturada por vários ritmos e estilos. Um disco instrumental que vale a força de ser instrumental. Nota: 4.0/5.0

5º – Wado – Samba 808

Não é o melhor do artista, mas muito bem feito e agradável como qualquer disco do Wado, lembrando do clima do ótimo “Terceiro Mundo Festivo”. Ainda vemos um claro avanço na produção, que é completada por uma excessiva participação de grandes nomes da música indie atual. Nota: 4.0/5.0

4º – Mundo Livre S/A – As Novas Lendas da Etnia Toshi Babaa

Bom como sempre, o Mundo Livre aposta em ritmos mais pop e muitos barulhinhos eletrônicos. Um álbum bem povoado, muitos intrumentos e canções excelentes para ouvir com os amigos. A banda continua se destacando, mesmo quando abandona temas mais profundos para soar mais divertido. Nota: 4.0/5.0

3º – Bonifrate – Um Futuro Inteiro

Álbum muito bonito e bem tocado. Possui elementos ainda pouco explorados pelas bandas nacionais, como o country rock de teclados e slide de guitarra pra tudo quanto é lado. Boas letras e sonoridade marcante fazem do Bonifrate uma das grandes bandas do ano, apesar de terem sido ignorados pela maioria da crítica especializada pelo seu teor ainda muito independente. Nota: 4.0/5.0

2º – Kassin – Sonhando Devagar

Belo álbum de Kassin! Sonoridade diversificada, canções muito boas, letras divertidas e muito bem produzido. Um álbum bastante eclético que passeia muito bem pelas variações da música brasileira, além de ser o disco que mais se arriscou do ano. Nota: 4.0/5.0

1º – Criolo – Nó Na Orelha

A grande sensação do ano não possui um disco perfeito, muito por causa do conjunto de canções muito díspares, que enfraquecem o poder de concisão da obra. Mas é inegável que as melhores músicas do ano se encontram aqui, e as várias facetas (hip hop, baladas, bolero…) revelam um disco brasileiríssimo e muito agradável. Quer queira, quer não, quando alguém perguntar qual era o disco de 2011, o do Criolo será a resposta. Nota: 4.0/5.0

AS 20 MELHORES MÚSICAS:

20º –  Lirinha – Sistema Lacrimal

19º – Emicida – Pequenas Empresas

18º – Lula Queiroga – Unha e Carne

17º – Karina Buhr – Pra Ser Romântica

16º – Romulo Fróes – Ditado

15º – Cícero – Tempo de Pipa

14º – Gaby Amarantos – Xirley

13º – Marisa Monte – Depois

12º – Pélico – Recado

11º – Silva – 12 de Maio

10º – Lê Almeida – Transporpirações

09º – Gal Costa – Neguinho

08º – Vanguart – Mi Vida Eres Tu

07º – Emicida – Viva

06º – Kassin – Calça de Ginástica

05º – Criolo – Subirusdoistiozin

04º – Bonifrate – A Farsa do Futuro Enquanto Agora

03º – Mundo Livre S/A – O Velho James Brouse Já Dizia

02º – Wado – Com A Ponta Dos Dedos

01º – Criolo – Não Existe Amor em SP

10 Menções honrosas (ordem alfabética):

  • Danny Brown – XXX
  • Lykke Li – Wounded Rhymes
  • Panda Bear – Tomboy
  • Radiohead – The King Of Limbs
  • Sepalcure – Sepalcure
  • Shabazz Palaces – Black Up
  • TV on the Radio – Nine Types of Light
  • WU LYF – Go Tell Fire to the Mountain
  • Wild Beasts – Smother
  • Wild Flag – Wild Flag

20 – The Antlers – Burst Apart

Ouça: Parentheses

19 – Washed Out – Within and Without

Ouça:  Amor Fati

18 – PJ Harvey – Let England Shake

Ouça:  The Words That Maketh Murder

17 – Gang Gang Dance – Eye Contact

Ouça: Adult Goth

16 – tUnE-yArDs – w h o k i l l

Ouça: Bizness

15 – Handsome Furs – Sound Kapital

Ouça: Bury Me Standing

14 – Yuck – Yuck

Ouça: The Wall

13 – Nicolas Jaar – Space Is Only Noise

Ouça: Space Is Only Noise If You Can See

12 – Kurt Vile – Smoke Ring For My Halo

Ouça: In My Time

11 – M83 – Hurry Up, We’re Dreaming

Ouça: Midnight City

10 – Toro Y Moi – Underneath The Pine

Ouça: Elise

09 – Destroyer – Kaputt

Ouça: Kaputt

08 – Fucked Up – David Comes to Life

Ouça: Queen Of Hearts

07 – Girls – Father, Son, Holy Ghost

 Ouça: Vomit

06 – Smith Westerns – Dye It Blonde

Ouça: Fallen In Love

05 – The Weeknd – House of Balloons

Ouça: Wicked Games

04 – James Blake – James Blake

Ouça: The Wilhelm Scream

03 – Bon Iver – Bon Iver

Ouça: Calgary

02 – St. Vincent – Strange Mercy

Ouça: Surgeon

01 – Fleet Foxes – Helplessness Blues

Ouça: Bedouin Dress