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Archive for julho \29\UTC 2010

Ou… apenas continuações.

Teenage Fanclub – Shadows

Ano: 2010
Nacionalidade: Escócia
Gravadora: PeMa / Merge
Produção: Teenage Fanclub
Duração: 47:54

Shadows, o nono álbum do Teenage Fanclub, segue na mesma linha de maturidade do álbum antecessor (Man-Made, de 2005). O novo disco mais uma vez comprova que os integrantes da banda estão de fato na casa dos 40 anos de idade. Para quem vive de Bandwagonesque e Grand Prix (dois dos maiores discos da banda lançados no começo da década de 1990) deve passar um pouco longe de Shadows e de sua falta de agressividade e empolgação jovem. Porém, se agora o Teenage Fanclub faz som de gente grande e civilizada, isso não quer dizer que seja uma decepção. Os riffs de guitarra são substituídos por arranjos delicados em uma sonoridade calma e agradável. Pode parecer entediante (como as vezes realmente é), mas como um todo é um álbum de boas faixas, esperançoso e de qualidade. Eles cresceram, e são sinceros com o momento que passam.

Band Of Horses – Infinite Arms

Ano: 2010
Nacionalidade: EUA
Gravadora: Brown / Fat Possum / Columbia
Produção: Band Of Horses / Phil Ek
Duração: 45:17

Depois de um surgimento promissor com o belo álbum de estréia Everything All The Time em 2006, o Band Of Horses vem sendo esquecido e deixado de ser sensação indie aos poucos. O segundo álbum, Cease To Begin, de 2008, ainda mostrava alguns momentos de maior desafio sonoro, até que este Infinite Arms comprova o caminho de decadência da banda. Hoje, depois de trocarem a Sub Pop pela Columbia e de terem Phil Ek como produtor, até por força de expressão a banda não pode mais ser considerada indie. Parece ter sido uma escolha do grupo, largar de mão de buscar coisas novas e desafiadoras para se entregar a baladas fáceis e irritantemente adocicadas. Algumas músicas se salvam, e de forma até irregular, como o rock forasteiro de “Compliments”, mas até você tentar tomar gosto pela coisa já foi embriagado por uma porção de baladas e conversinhas dispensáveis sobre o amor.

The Futureheads – The Chaos

Ano: 2010
Nacionalidade: Inglaterra
Gravadora: Nul / Dovecote
Produção: The Futureheads / David Brewis / Youth
Duração:40:11

The Chaos, o quarto álbum do The Futureheads, sai totalmente da calmaria de Shadows e da melancolia decadente de Infinite Arms. Para quem conhece a banda deve saber do seu lado sempre pra cima, animado e juvenil, com o punk, o power pop e a bandeira da Inglaterra estampado na testa. Acontece que desde a estréia promissora com o debut em 2004, o grupo anda no piloto automático. Apesar do clima festivo, pouca coisa relevante sai das onze faixas do disco. Existe sim alguns esforços aqui e ali (como na derradeira “Jupiter”), mas nada realmente marcante e substancial. O The Futureheads segue no piloto automático.

Woods – At Echo Lake

Ano: 2010
Nacionalidade: EUA
Gravadora: Woodsist
Produção: Woods
Duração: 29:29

Os nova-iorquinos do Woods apareceram bastante na cena indie do Brooklyn no ano passado depois de terem lançado o ótimo Songs Of Shame, o quarto álbum da banda que finalmente despertou a mesma para um público mais abrangente. Logo, o sucessor At Echo Lake, apesar de não ser caracterizado como o “drama do segundo disco”, soa como tal. Songs Of Shame aparecia como novidade, embalado ao melhor estilo freak que misturava muitíssimo bem camadas da música folk com o lo-fi. Atitude que o novo disco se distancia, mas que ganha notoriedade por fazer boas canções coesas sem perder a identidade. At Echo Lake evidentemente não tem a mesma força de seu antecessor, mas é uma continuação agradável e digna. Destaque para as belas faixas “Blood Dries Darker” e “Mornin’ Time”.

Tunng – …And Then We Saw Land

Ano: 2010
Nacionalidade: Inglaterra
Gravadora: Full Time Hobby
Produção: Mike Lindsay
Duração: 47:27

Pouco me atrai a folktronica da banda inglesa Tunng, não por ser considerada uma banda ruim (são competentes no que fazem), mas por nunca saírem da zona de conforto que é gravar discos agradáveis, tranquilos e medianos. Logo, nunca sairemos revoltados com um álbum da banda, que sabe ocupar o tempo, mas por pouco tempo. O quarto disco do grupo, …And Then We Saw Land, é mais do mesmo (e até um pouco mais calmo e confortável). Não decepciona e até emociona em algumas passagens, mas que desperta a curiosidade para no máximo uma audição, para logo mais ser esquecido e enterrado em alguma lacuna de seu cérebro.

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Ano: 1970
Onde? Inglaterra
Duração: 47: 02
Gravadora: Vertigo
Produção: Rodger Bain

Para os que acompanham o Música Para Seus Ouvidos desde sua primeira versão na blogosfera sabem que eu estraguei algumas possibilidades de reunir os três melhores discos de diversos artistas – Stooges, Pavement, etc – assim como escrevi os do Sonic Youth. Agora é hora de arruinar Black Sabbath, apesar que a vasta discografia do grupo – com ou sem a voz de Ozzy Osbourne – podem deixar muitos álbuns para o the best of. Escolhi dentre eles Paranoid, para alimentar minha mitologia dos segundos trabalhos, adoro o número dois, o primeiro e único número primo par, quanta magia, não acham? Até porque é nele que geralmente se encontram traços sonoros diferentes da estreia, aqui também, como tentarei indicar.

A sonoridade blues, aquela “coisa” que parece uma entidade maligna que apareceu “por acaso” na capa do disco anterior, os vocais mais entorpecidos pelo alcool de Osbourne quase desaparecem; permanecem letras sombrias e cheias de referências bíblicas, profeciadas por um intérprete que demonstra seu poder de penetrar mentes, entendendo ou não seu sotaque britânico. Se aquele foi o big bang para o Gênesis do heavy metal, este é a Revelação do Juízo Final emanadas através do peso de instrumentos de louvor ao bom e velho rock’ n’ roll em oito “capítulos”.

War Pigs, Paranoid e Iron Man estão aqui, nem preciso apresentar alguma coisa sobre elas, são canções mais do que conhecidas, até mesmo por nerds que só sabem jogar Guitar Hero, então me sobram cinco: Planet Caravan cria um anti-clímax com seu timbre cheio de distorções de voz e sintetizadores, percussão muito competente; mais uma que foi vítima de coveres mundo afora, recordo a versão do PanteraEletric Funeral possui aqueles riffs e bateria desconcertantes que permeam as faixas mais consagradas. Uma bela sequência que prosseguirá com uma agressividade meio “Stoner” em Hand Of Doom, se tornará um quase embate na breve Rat Salat que me parece uma inspiração para muitos bateristas, como demonstra Hispanic Impressions no debut do Queens Of The Stone Age.

E o fim reserva Faires Wear Boots, enfim, com um belo encerramento, aquele que sempre parece com o início; dando a impressão que encaramos uma serpente que morde sua cauda infinitamente, aguardando novos aventureiros do irresistível abismo que nos contempla com o desejo de repetitivas audições, verdadeiro clássico para todas as gerações.

Lista de Canções:

1- War pigs
2- Paranoid
3- Planet Caravan
4- Iron Man
5- Eletric Funeral
6- Hand Of Doom
7- Rat Salat
8- Fairies Wear Boots

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Ano:1988
Onde? Estados Unidos
Duração: 23:58
Gravadora: K Records
Produção: Steve Fisk, Mark Lanegan, Gary Lee Conner

Beat Happening foi um grupo de rock alternativo americano que nasceu dos talentos  de Calvin Johnson, Heather Lewis e Bret Lunsford, quase todos alternando instrumentos e funções, um trio  no florescer dos anos 80.  Jamboree é seu segundo álbum e considerado o primeiro trabalho marcante do conjunto, talvez por uma série de fatores que tentarei assinalar nos parágrafos seguintes.

Olhando para a capa, vemos um desenho simples de um morango dentro de uma tigela de cabeça para baixo, essa leitura pode ser feita graças ao título, que a mim sugere uma geleia, “jam” em inglês; o ano de gravação corresponde ao dos primeiros sinais sonoros que ressoariam na gênese de bandas que fundariam alcunhas como grunge, indie rock, etc. Consigo me lembrar de trabalhos próximos a 88: a Evol-ução de Sonic Youth e o bizarro Surfer Rosa do Pixies como exemplo.

A brevidade recorda a urgência e o efeito direto de composições melódicas do punk, assim como aquela geração que gravava suas harmonias em fitas k7 no melhor estilo de baixa fidelidade que o Lo-Fi redundou mais que estas linhas; a presença do amigo Mark Lanegan, vocalista do The Screaming Trees, na engenharia sonora pode responder algumas coisas, mas  não consigo encaixar aqui até o momento.

Bewitched abre o disco com o vocal forte de Johnson, riffs incompreensíveis de uma guitarra que parece desafinada e uma bateria muito simplória, completa pelo refrão grudento: ” I’ve  gotta a crush on you “. Logo essas características seguirão por quase todas as dez canções seguintes, apenas alternando com as letras quase infantis emanadas dos lábios de Heather, casos de In Between e na a capella quase recitada de Ask Me em um palco, suposição que outras vozes interferem no início junto com os chiados da guitarra. Há momentos surpreendentes, como a improvavel melodia de uma cítara aparente em Indian Summer, batidinhas de palitos na faixa título, e o clima country de Cat Walk.

Altamente recomendado àqueles que sabem apreciar um pouco de espontaneidade e falta de pretensão nas melodias, instrumentos, membros, etc. O trio faria mais três discos de estúdio: Black Candy(1989), o tão bem falado Dreamy(1991) e You Turn Me On(1992); a gravadora K Records, de Johnson,  se associa com a fanzine Sub Pop e ajuda a fundar uma dos mais relevantes selos “independentes” da história do rock.

Lista de Canções:

1- Bewitched
2- In Between
3- Indian Summer
4- Hangman
5- Jamboree
6- Ask Me
7- Crashing Through
8- Cat Walk
9- Drive Car Girl
10- Midnight a Go Go
11- The This Many Boyfriends Club

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Ou… o titio do rock que nunca para e canta junto com a nova geração, o branquelo que quer ser o negrão da soul music, dois nerds que cantam rock para impressionar as garotas, nova-iorquinos que tocam country rock, e o titio que resolveu voltar cantando junto com a nova geração:

The Fall – Your Future Our Clutter

Ano: 2010
Nacionalidade: Inglaterra
Gravadora: Domino
Produção: Ross Orton / Mark E. Smith
Duração: 50:14

O grupo The Fall, ou pelo menos o que sobrou dele, o lendário Mark E. Smith, pela 28º vez volta com um álbum de estúdio. E o que esperar de mais um álbum na longa carreira de um grupo (ou de um líder) que mais nada precisa provar? Smith dá a resposta como sempre fez, desde 1976 com o seu post punk característico, e intocável. Dessa vez, pela primeira vez a banda é lançada pela gravadora Domino, e com mais um ótimo disco. Your Future Our Clutter reúne os mesmo integrantes do álbum anterior (Imperial Wax Solvent, de 2008), mostrando todo o entrosamento dos músicos em nove canções longas, empolgantes e barulhentas, tudo o que um fã de rock precisa. É incrível como até hoje o estoque de ideias de Mark E. Smith não acabou, nos levando a uma viajem de guitarras e movimentos grudentos, desde a abertura precisa de “O.F.Y.C. Showcase”, passando pelo tom lo-fi de “Bury Pts 1 & 3”, pela barulheira incessante de “Y.F.O.C. / Slippy Floor” e pela marcante e viajante” Chino”. O mesmo pust punk e o mesmo The Fall que veio ao mundo na década de 1970. Nada a reclamar.

Jamie Lidell – Compass

Ano: 2010
Nacionalidade: Inglaterra
Gravadora: Warp
Produção: Jamie Lidell / Chris Taylor
Duração: 50:25

Depois das sessões do Record Club (um projeto arquitetato por Beck, no qual convida vários músicos famosos para regravar algumas jóias da música pop) para uma versão do álbum Oar, de Alexander Spence, Jamie Lidell (que havia sido convidado para o projeto) teve a ideia para o seu novo álbum. Reunindo  artistas como o próprio Beck, Feis e Pat Sansome (Wilco), Lidell ficou tão maravilhado com as empolgantes mistura de ideias, que resolveu chamar a turma toda para gravar Compass. Não à toa, o novo álbum do inglês branquelo que sonha ser um negrão da soul music é a cara do Record Club: muita bagunça, muitas ideias, algumas surpresas e no geral um ar de “poderia sair melhor”. Ao contrário da coesão sonora dos dois ótimos álbuns anteriores do cantor (Multiply, de 2005, e Jim, de 2008), Compass é uma boa bagunça que mistura toda a eletrônica soul já existente nas obras anteriores com todo o tipo de barulho e ruído diferente que se possa imaginar. Daí ouvimos funk, baladas, experimentações, teclados , sax e o escambau. É um bom disco, exótico, divertido e heterogêneo, mas que aos poucos vai se tornando passageiro pela sua falta de direção. Destaque para a belíssima faixa título.

The Black Keys – Brothers

Ano: 2010
Nacionalidade: EUA
Gravadora: Nonesuch
Produção: The Black Keys / Mark Neill / Danger Mouse
Duração: 55:36

Cheio de humor, o The Black Keys volta com o seu sexto álbum de estúdio, o bom e agradável Brothers. Na mesma levada dos álbuns anteriores e no mesmo estilo do antecessor Attack And Release (Danger Mouse volta a aparecer, dessa vez só produzindo a faixa de divulgação “Tighten Up”), o novo álbum da dupla se aventura de forma sempre segura num blues rock bem definido. Com quase uma hora de duração em 15 faixas, Brothers testa um pouco mais o estilo da banda que nunca ousa sair do começo da década de 1970. Os riffs de guitarra, o clima cool bluseiro e algumas baladas pop lá pro final podem não surpreender, mas nunca, nunca incomodam.

The Hold Steady – Heaven Is Whenever

Ano: 2010
Nacionalidade: EUA
Gravadora: Rough Trade / Vagrant
Produção: Dean Baltulonis / Tad Kubler
Duração: 40:16

Sempre me surpreendo quando lembro que o The Hols Steady é uma banda de Nova York, lá daquela região esquisita chamada Brooklyn. Mas o estilo meio country rock contador de estórias pode ser explicado pela origem do vocalista e guitarrista Craig Finn, que nasceu por aquelas bandas de Minnesota. Em estilo e forma o quinto álbum de estúdio do grupo, Heaven Is Whenever, não mudou nada. Finn continua inventando os seus personagens entediados em cidades interioranas em ritmo de riffs de guitarra, é o que logo nos deparamos com a boa faixa de abertura “The Sweet Part of the City”. Na sequência, “Soft In The Center” já anuncia um Hold Steady menos imaginativo e indiferente. Falta um pouco de emoção ao disco, talvez pela sonoridade um pouco batida ou pelo fato de que até agora os caras nunca haviam errado. Um trabalho mediano para os padrões “holdsteadyanos”.

Roky Erickson With Okkervil River – True Love Cast Out Evil

Ano: 2010
Nacionalidade: EUA
Gravadora: Anti-
Produção: Okkervil River
Duração: 44:40

Enquanto que o The Hold Steady, de Nova York, sempre pareceu colocar o country rock em evidência, o lendário Roky Erickson, que veio de Austin, Texas, se posicionava mais na psicodelia sessentista e garageira do seu 13th Floor Elevators. As típicas contradições da vida. Hoje, Erickson é daquelas lendas quase esquecidas do rock, que de tantos problemas e de tantas drogas, acabou deixando o seu talento render menos do que poderia ter rendido (nomes como Syd Barrett e  Johnny Cash nos fazem perceber que é algo recorrente). Depois de mais de 14 anos sem lançar nenhum material inédito, Roky Erickson tem a ajuda de seus conterrâneos do Okkervil River (que também não está muito associado com o country) para gravar um álbum de country rock, é claro! Como acontece com esses típicos casos de retornos lendários (no ano já tivemos Gil Scott-Heron), a voz envelhecida e rouca do cantor faz toda a diferença. Pena que as canções como um todo, apesar de agradáveis e bonitas, não conseguem se destacar. A exceção aparece quando há por trás o som que todos sabem muito bem fazer, o rock garageiro de guitarras da empolgante faixa “John Lawman”. Não é surpreendente, mas é uma bela volta.

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Ou… Indie rock para todas as nacionalidades e gostos

Wolf  Parade – Expo 86

Ano: 2010
Nacionalidade: Canadá
Gravadora: Sub Pop
Produção: Howard Bilerman
Duração: 55:34

Cuidado! Expo 86, o terceiro álbum do Wolf Parade, pode ser a pérola indie rock mais viciante do ano até aqui. Depois de Spencer Krug e Dan Boeckner (os dois líderes da banda) terem se aventurado em seus respectivos projetos solos (o primeiro sempre mais experimental e aventureiro com o Sunset Rubdown e o segundo sempre mais na levada dos sintetizadores do Handsome Furs), chega o momento de trabalhar na banda base e compartilhar os novos conhecimentos. Nunca um álbum do Wolf Parade foi tão momento banda unida quanto esse. Primeiro que o título e a capa fazem referência ao ano em que os integrantes do grupo se conheceram, em uma exposição de ciência em 1986. Segundo que as forças criativas de Krug e Dan estão claramente persceptiveis na audição, e unidas de forma coesa e madura.

Enquanto que o disco anterior (At Mount Zoomer, de 2008) mostrava um Wolf Parade complexo, detalhista e cheio de peso, Expo 86 é o disco “pop” da banda. São 11 canções aceleradas, animadas, pra cima em ritmo de festa. Aquele tipo de álbum em que enxergamos claramente que os integrantes estão em boa fase e felizes uns com os outros. Para tudo isso, foi imprescindível a fusão das ideias mais loucas de Krug com os sintetizadores certeiros de Dan, o que pode ser claramente perceptível nas duas melhores canções do projeto: a grudenta “Ghost Pressure” e a linda “Oh You, Old Thing”. Alguns irão reclamar da falta de ideias diferenciadas, já que Expo 86 (diferentemente dos projetos paralelos de seus músicos) é claramente um disco que segue o padrão normal de fazer música, com começo, meio e fim. Porém, todas as canções são muito bem trabalhadas, marcantes e, principalmente, apaixonantes. Até sendo pop o Wolf Parade impressiona.

Tame Impala – Innerspeaker

Ano: 2010
Nacionalidade: Austrália
Gravadora: Modular
Produção: Kevin Parker
Duração: 53:17

Tudo faz parecer que Innerspeaker, o primeiro álbum da banda australiana Tame Impala, é um disco perdido da década de 60. Além da sonoridade típica da década sagrada do rock psicodélico, a grupo possuiu a eficiente qualidade de fazer boas simples composições e o vocalista Kevin Parker possuiu uma voz quase idêntica a de John Lennon. É mole? Logo, Teme Imapala é aquele primo bastardo de Beatles e Kinks, sem parecer copiado e forçado. Apesar de Innerspeaker respirar a psicodelia de um céu azul cheio de nuvens, a banda tem a proeza de parecer atual ao assimilar o seu som viajadão com o britpop coeso. É só reparar como uma canção vai levando a outra, e sempre em bom nível, que percebemos que o novo grupo sabe usar as suas referências em boas novas canções.

Foals – Total Life Forever

Ano: 2010
Nacionalidade: Inglaterra
Gravadora: Transgressive
Produção: Luke Smith
Duração: 50:21

Depois de aparecer de forma superestimada em 2008 com o fraco álbum de estréia Antidotes, o Foals (que veja bem, já foram rotulados pela imprensa inglesa como os salvadores do novo rock inglês) aparece até “surpreendendo”. Total Life Forever é uma clara evolução ao som indie do grupo inglês, mais bem trabalhado, mais maduro e que consegue até empregar certa emoção em alguns momentos, como na bela “Spanish Sahara” (que claro, também tem os seus momentos de clichê). Outro bom momento do álbum é o trabalho de percussão na cheia de virada e suingue “After Glow”. Pode não ser nada de mais, mas Total Life Forever consegue passar o tempo de forma eficaz.

Male Bonding – Nothing Hurts

Ano: 2010
Nacionalidade: Inglaterra
Gravadora: Sub Pop
Produção: Pete Lyman
Duração: 30:09

O Male Bonding é a cara das descobertas do selo americano Sub Pop. Por mais que o novo grupo seja inglês, a pequena grande gravadora percebeu que ali respirava o rock alternativo americano da década de 90. Um novo Nirvana, talvez? Nem tanto, mas exatamente aquilo que vem nos sendo apresentado quando se trata da redescoberta da sonoridade da década passada. O som é sempre o mesmo: rápido, curto, simples, de baixa fidelidade, muita guitarra, muita música grudenta e para ser digerida em abundância. Mas os grupos conseguem surpreender pelas composições. Daí vem o surgimento de tantas boas bandas do submundo como No Age, Vivian Girls, Japandroids, Dum Dum Girls e Wavves. O Male Bonding é mais um para entrar neste “seleto” grupo. Nada de novo, mas em 30 minutos vemos faixas tão eficientes e grudentas que é difícil imaginar outra coisa a não ser torcer para que a década de 90 ainda reine sobre os tempos atuais.

Thee Oh Sees – Warm Slime

Ano: 2010
Nacionalidade: EUA
Gravadora: In The Red
Produção: Thee Oh Sees
Duração: 30:38

E por falar da década de 90… O Thee Oh Sees está há muito mais tempo na estrada do que o Male Bonding (pra falar a verdade eles realmente surgiram na década de 90!), mas fazem bem menos barulho do que os novatos. Menos barulho em relação à divulgação, pois pela sonoridade percebemos o quanto é difícil ouvir falar no Thee Oh Sees. Depois de um maior aparecimento com o ótimo disco antecessor (Help, lançado no ano passado), a banda agora investe sua barulheira lo-fi com temperos psicodélicos de San Francisco em uma faixa que ocupa a metade do álbum. “Warm Slime”, a faixa título de 13 minutos, é puro exercício de improviso, uma jam session que mistura psicodelia, barulhos esquisitos , backing vocals repetitivos e riffs de guitarra. Uma beleza! As outras seis faixas também não fogem disso, riffs empolgantes em tamanho menor. Mas uma vez nada de novo, mas tudo muito bom. E por aí o Thee Oh Sees segue a sua vida…

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Falta tempo para postar. Para recuperar os lançamentos atrasados, aos poucos colocarei pequenos comentários de álbuns que andei ouvindo:

Crystal Castles – Crystal Castles

Ano: 2010
Nacionalidade: Canadá
Gravadora: Fiction
Produção: Ethan Kath
Duração: 52:54

Impressionante este segundo álbum da duplinha Crystal Castles. Nem tanto pela sonoridade que mistura muito bem o punk frenético com a eletrônica frenética, que também foi abordada e apresentada no debut de 2008, mas pela coesão explosiva e ensurdecedora. Além de mais pesado e marcante, o novo álbum dilacera em 14 faixas a trilha sonora do fim do mundo em formato pop. Há também momentos delicados e bonitos como “Celestica”, mas logo são superados pela barulheira agressiva de “Doe Deer” e etc. Álbum para ser apreciado em altíssimo volume, no mesmo momento em que a cratera começar a abrir o chão.

Sleigh Bells – Treats

Ano: 2010
Nacionalidade: EUA
Gravadora: Moon + Pop / N.E.E.T.
Produção: Derek E. Miller
Duração: 32:05

E por falar em sonoridade ensurdecedora… Uma outra duplina, formada agora pelos novaiorquinos (do Brooklyn) Derek E. Miller e Alexis Krauss, utiliza os mesmos artifícios do pop acelerado e urgente. Faixas como “Crown On the Ground” e “Rill Rill” já haviam aparecido no ano passado causando furor hype, o debut Treats só veio para confirmar isso de forma eficiente. A diferença é que o Sleigh Bells aprofunda ainda mais em suas misturas, fazendo uso também do hip hop e de batidas tribais, o que dá um ar mais otimista e festivo de um grupo de torcida. Música marcante e cheio de energia. Hype diferenciado.

The Dead Weather – Sea of Cowards

Ano: 2010
Nacionalidade: EUA
Gravadora: Third Man
Produção: Jack White
Duração: 35:12

Depois de toda a especulação e espera da superbanda The Dead Weather, e de Horehound (o primeiro álbum lançado no ano passado) não superar as expectativas supervalorizadas dos fãs de Jack White e companhia, Sea of Cowards chega de forma amena e normal. Ninguém está super ansioso para ouvir as músicas, e talvez por isso o novo álbum soe melhor definido. Poucas expectativas geram surpresas. Não que surpresa seja o caso, mas o rock de guitarras clássicas à la Led Zeppelin funciona perfeitamente para um velho fã de rock. Sem muitas aventuras por outros subgêneros (Horehound continha até um reggae) as qualidades indiscutíveis de White na guitarra e de Alison Mosshart nos vocais aparecem bem entrosadas. Continua não espetacular, mas é um rock competente.

Rufus Wainwright – All Days Are Nights: Songs For Lulu

Ano: 2010
Nacionalidade: Canadá
Gravadora: Decca
Produção: Rufus Wainwright / Pierre Marchand
Duração: 47:48

O título e a capa já dizem tudo. All Days Are Nights, o sexto álbum de Rufus Wainwright, aparece como um estranho no ninho nessa sessão. Apenas piano e voz conduzem o sofrimento e os desabafos do cantor. Nada das extravagâncias do pop teatral e orquestrado que marcaram a carreira do artista. A explicação pode vir da morte recente de sua mãe, a também cantora Kate McGarrigle. As primeiras canções levam a crer no peso que o álbum se desenrolará, mas acaba em falsas esperanças. A construção das melodias não impressiona, e para ser sincero, pouco emociona. É um álbum até pop demais perto do objetivo proposto por Wainwright.

Frog Eyes – Paul’s Tomb A Triumph

Ano: 2010
Nacionalidade: Canadá
Gravadora: Dead Oceans
Produção: Carey Mercer
Duração: 49:27

Os canadenses do Frog Eyes continuam com as suas extravagâncias: músicas longas (a faixa de abertura tem nove minutos), mudanças de ritmos constantes e composições épicas. Porém, Paul’s Tomb A Triumph (quinto álbum do grupo) não consegue manter o nível criativo em nove faixas, fazendo com que o esforço de mostrar algo diferente acabe não funcionando. Pode ser por causa da falta de Spence Krug (Wolf Parade, Sunset Rubdown), que dessa vez não participa da banda, ou a insistência em seguir um formato indie original sem ter as ideias certas. Seja como for, ainda é mais interessante do que a mesmice de muitas bandas por aí.

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