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Archive for setembro \18\UTC 2010

Ô menino, eu quero é rock!

Wavves – King of the Beach

Ano: 2010
Nacionalidade: EUA
Gravadora: Fat Possum
Produção: Dennis Herring
Duração: 36:42

Depois de dois álbuns que surpreendiam pelo seu lo-fi barulhento e adolescente, e que estão fadados a ficarem para sempre na parte restrita do alternativo, Nathan Williams resolve mudar e gravar (como ele mesmo diz) o seu Nevermind. Claro que as palavras não se resumem em relação à grandiosidade da obra, e sim para os aspectos de uma produção mais polida e acessível e músicas com melodias pop e grudentas. Dessa forma, o novo disco do Wavves soa parecidíssimo com Watch me Fall, do falecido Jay Reatard, a síntese de um homem do submundo quando resolve arregaçar as mangas e mostrar que consegue ser pop e divertido sem forçar a barra. Prova disso é a participação de dois músicos que faziam parte da banda de Reatard: Stephen Pope e Billy Hayes, e que também ajudam em algumas composições.  King of the Beach é um disco impactante desde o início, e faz de tudo para empolgar o ouvinte com a sua mistura californiana de surf music, noise, punk e lo-fi. Muito ensolarado e agitado. Porém, as letras seguem a mesma rotina de Nathan dos discos anteriores: um jovem autodepreciativo que se acha um idiota e que sempre está entediado, isso tudo com muito bom humor e sarcasmo. O título “rei da praia” já diz tudo.

The Gaslight Anthem – American Slang

Ano: 2010
Nacionalidade: EUA
Gravadora: SideOneDummy
Produção: Ted Hutt
Duração: 34:13

Ouvir American Slang, o terceiro álbum do The Gaslight Anthem, é pegar o DeLorean de De Volta Para o Futuro e retornar para a década de 1970 em pleno show de Bruce Springsteen. A capa já cheira nostalgia americana, quando bons adultos americanos pegam as suas banheiras movidas à gasolina e percorrem todo o país saindo de Nova Jersey (ou de Nova York). É a sensação que o álbum nos deixa, o espírito de uma aventura já amadurecida. Porém, apesar de nostálgico, o líder e compositor Brian Fallon olha para um passado sem esperar que aquilo deva acontecer no futuro, algo como “vamos relembrar sem nos iludir”. É o que diz, por exemplo, em “Old Haunts” (não cante para mim as suas canções sobre os bons tempos, aqueles dias se foram e você apenas deve deixá-los ir) ou em “Stay Lucky” (aqueles velhos discos não vão salvar a sua alma), ou até mesmo no próprio título da faixa “We Did It When We Were Young”. Sonoramente, American Slang é forte, conciso e direto, rock à la Springsteen, mas com uma identidade própria de um grupo que realmente parece estar passando por um amadurecimento nostálgico. Mesmo não estando nos Estados Unidos e em um contesto totalmente diferente, com certeza será o disco que me acompanhará em minha próxima viajem de carro.

Les Savy Fav – Root For Ruin

Ano: 2010
Nacionalidade: EUA
Gravadora: Frenchkiss
Produção: Chris Zane
Duração: 39:17

Para quem conhece a banda nova-iorquina Les Savy Fav deve saber da loucura que é o vocalista Tim Harrington no palco. Um sujeito gordo, barbudo, suado, que vive cantando só de cueca e sempre aos berros. A música do Les Savy Fav também vem para compor o personagem, sempre muito barulhenta e de guitarras frenéticas, pelo menos era até o álbum antecessor Let’s Stay Friends (2007), quando a banda resolveu trabalhar mais as melodias e polir a sua produção. Mesmo assim, o disco continha momentos inspirados de criatividade e muita diversão. Eis que o novo disco, Root For Ruin, cumpre a tendência do Las Savy Fav de se tornar mais ameno e controlado, um típico indie rock agradável e competente. Tudo parece estar muito bem, mas era isso o que queríamos? A sensação que tenho é de contradição, não imagino Harrington cantando músicas tão certinhas e bonitinhas como “Let’s Get Out of Here” e “Dear Crutches”, mesmo reconhecendo que se trata de duas boas canções. A verdade é que a banda deixou de ser mais criativa ao aderir a um som mais acessível, poucos momentos realmente nos pegam de surpresa e nos incomodam, e era isso o que fazia da banda algo interessante e diferente. Porém, não podemos negar que Root For Ruin é um bom disco, de boas faixas, além de possuir duas músicas que nos fazem lembrar a tão procurada loucura (as bombásticas “Poltergeist” e “Clear Spirits”). Resta esperar que o próximo álbum do Les Savy Fav seja tão desesperador quanto a performance de seu vocalista no palco (ou fora dele).

Avi Buffalo – Avi Buffalo

Ano: 2010
Nacionalidade: EUA
Gravadora: Sub Pop
Produção: Aaron Embry
Duração: 49:00

Avigdor Zahner-Isenberg, líder e compositor da nova banda Avi Buffalo, tem apenas 19 anos de idade, mas canta e compõe com uma maturidade raríssima. Bandas com integrantes jovens geralmente são levados por surtos mais hiperativos do rock, e no caso do indie norte-americano para exemplos do punk de garagem (como Harlem e Dum Dum Girls), mas o Avi Buffalo, formado em Long Beach, California, prefere sons mais elaborados em faixas longas com climas sensíveis e tocantes. A diferença é que a banda consegue muito bem compor toda essa complexidade, o que faz de Avigdor um novo gênio da música. Tudo bem que o grupo já conseguiu logo de começo um contrato com a Sub Pop (talvez a maior gravadora independente atual), que sempre procura dar aos seus artistas uma produção polida e eficiente, mas isso não define todo o bom desempenho nas composições e do impressionante vocal cheio de falsete e de timbre diferenciado de Avigdor Zahner-Isenberg. Claro que o maior destaque vão para as marcantes duas primeiras faixas (“Truth Sets In” e “What’s In It For?”), mas outras músicas como “One Last” e “Remember Last Time” também sensibilizam e mostram uma banda instrumentalmente competente. Se com integrantes na faixa dos 19 anos o Avi Buffalo consegue impressionar, imagine o que a banda pode render nos próximos discos.

Japandroids – No Singles

Ano: 2010
Nacionalidade: EUA
Gravadora: Polyvinyl
Produção: Japandroids
Duração: 40:05

No Singles é uma compilação dos dois EPs (All Lies e Lullaby Death Jams) da banda Japandroids lançados antes do incrível Post-Nothing, que foi álbum presente em praticamente todas as listas de melhores do ano passado. Além da curiosidade de conhecer novas músicas da dupla antes de alcançarem o “sucesso”, praticamente pouca coisa podemos tirar das faixas presentes aqui. A sonoridade da banda é a mesma, barulhenta e cru como a conhecemos, porém, as composições são mais fracas e menos marcantes do que as de Post-Nothing. Logo, não ouviremos nada de novo, a não ser uma dupla que ainda estava aprendendo a fazer músicas barulhentas, caso da faixa “Lucifer’s Symphony”, que apesar de empolgar pela sua brutalidade em quase 7 longos minutos, mostra uma falta de sentido e de melodias. Se há algo de interessante que tiramos de No Singles, é de que pelo menos percebemos o quanto o Japandroids evoluiu ao longo do tempo.

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Ano: 2010
Nacionalidade: EUA
Gravadora: 4AD
Produção: Sunny Levine / Rik Pekkonen / Michael Wagener
Duração: 45:00

Ariel Pink é daqueles compositores caseiros compulsivos, que passa a tarde juntando cacos sonoros da forma mais tosca possível e gravando-as como quem não quer nada. Um adorador do lo-fi e da música de garagem, que parece não ter muito medo das esquisitices e das colagens desorganizadas referentes ao pop e ao rock das décadas de 70, 80, 90 e o que mais der na telha. A música de Ariel Pink é tão do submundo que pouquíssima coisa conheço de seus inúmeros discos, eps e fitas demos lançados desde 2004 (e desisto de conhecer o resto), que totalizam alguns pedaços sonoros feitos antes mesmo do rapaz seguir o caminho da música, quando brincava de fazer barulho. Porém, apesar de dar tiros para todos os lados, não podemos negar o talento de Ariel, que já era tratado como gênio por muitos do underground e que agora, quando tem a oportunidade de lançar um álbum por uma grande gravadora indie (4AD), não desperdiça a chance.

Acontece que o jovem cantor seguiu (ou previu) um caminho que virou tendência na nova música alternativa. O lo-fi está de volta! E por mais que o disco produzido de Ariel Pink tende a escapar desse rumo, o rapaz fez questão de deixar as suas referências intactas e procurar aquilo que realmente faltava. O projeto Ariel Pink’s Haunted Graffiti finalmente virou uma banda completa, com ótimo músicos, enquanto que as faixas parecem finalmente seguir um formato de álbum. Mas nada seria grandioso se as músicas em si de Before Today não fizessem a diferença. O álbum mais parece uma coletânea das melhores faixas do rock alternativo da década de 80 (ou talvez de 90), com teclados espaciais, barulhinhos e vozes esquisitas, algumas guitarras distorcidas e um jeito aventureiro de dar sequência aos ritmos. “Little Wig”, por exemplo, muda suas harmonias constantemente, “Butt-House Blomdies” explode em guitarras distorcidas e “Round And Round” é um dos melhores momentos do pop de uma época perdida. Pode não soar original, afinal, você muitas vezes dirá: “eu já ouvi isso!”, mas garante bons momentos de diversão através da nostalgia, do lo-fi e das ótimas composições.

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Brasil! 100% free

Mombojó – Amigo do Tempo

Ano: 2010
Nacionalidade: Brasil
Gravadora: Independente
Produção: Pupillo
Duração: 53:3

Há quatro anos sem lançar um álbum, o Mombojó teve motivos por tamanho sumiço. Nesse período morreu precocemente o flautista Rafael Torres em 2007, enquanto que o violinista Marcelo Campello saiu da banda em 2008. As incertezas aumentaram ainda mais quando todos os membros se transferiram de Recife para São Paulo e ao mesmo também acabou o contrato com a gravadora Trama. Estava tão difícil conseguir dinheiro para custear o novo disco que uma das saídas foi fazer shows com o projeto Del Rey (no qual a banda toca versões de Roberto Carlos). Em tempos difíceis, finalmente a banda lança o seu terceiro disco. Totalmente independente, Amigo do Tempo é uma resposta até  esperançosa e madura diante das situações, quase um disco de auto-ajuda. O grupo aprende como ninguém que com o tempo as coisas melhoram, e lançam frases do tipo: “Triste quando alguém desiste e não insiste em acertar, mesmo quando eu fico triste, tento sorrir” (Entre a União e a Saudade), “Preciso ir além dos dias, me esforçar um pouco mais” (Justamente) e “esquece o impossível, desperte o infinito” (Aumenta o Volume). É claro que a sonoridade ainda está apoiada na melancolia e na forma serena com que o vocalista Felipe S. canta, mas uma quantidade maior de experimentações eletrônicas e arranjos diferenciados fazem a diferença para compor um Mombojó mais criativo, seja na ótima e agressiva “Antimonotonia” ou na triste “Praia da solidão” (repare nos barulhinhos esquisitos que se formam no meio das belas harmonias). Ainda não bate as composições de Nadadenovo (lançado em 2004), mas mostra uma banda mais madura e de maior qualidade em termos sonoros. Como eles mesmos dizem, o tempo fez bem ao Mombojó.

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Apanhador Só – Apanhador Só

Ano: 2010
Nacionalidade: Brasil
Gravadora: Independente
Produção: Marcelo Fruet
Duração: 46:05

Também lançado de forma independente, o primeiro álbum da banda gaúcha Apanhador Só é uma bela surpresa. Juntando músicas dos dois EPs que a banda já havia lançado anteriormente (que não conhecia), o debut é composto por 13 canções que mesmo ligado ao rock tradicional de Porto Alegre e da cena alternativa vinda com os Los Hermanos, mostra caminhos diferentes ao misturar sons e arranjos pouco comuns. Um álbum de indie-rock nacional que não enjoa por causa de sua diversificação sonora, seja por uma sacada de tango em “Balão-de-vira-mundo”, pelo rock urbano e abafado de “Jesus, O Padeiro e O Coveiro” ou pelo tom circense de “Maria Augusta”.  Dessa forma, o Apanhador Só consegue aliar muito bem suas boas composições com uma apresentação acessível e, ao mesmo tempo, com um som alternativo, quebradiço e diferente. Às vezes não funciona, como o refrão forçado de “Peixeiro” ou todo o clima de amor juvenil presente em algumas canções, mas para um debut é um disco até bonito e de muita qualidade.

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Thiago Pethit – Berlim, Texas

Ano: 2010
Nacionalidade: Brasil
Gravadora: Independente
Produção: Yury Ka
Duração: 34:40

Em seu site oficial, o jovem paulistano Thiago Pethit apresenta o seu primeiro álbum da seguinte forma: “Berlim, Texas é um lugar determinado pela longitude de um tempo distante e a latitude de um mapa inventado. Um cenário imaginário em que se alternam as noites frias dos cabarés esfumaçados da Alemanha pré-nazista e os dias ensolarados – e regados a uísque cowboy – dos saloons texanos.” Dessa forma já percebemos a facilidade com que as palavras se encaixam na voz de um rapaz sempre ligado a arte e determinado a soar sincero. Mas quando começamos a ouvir o álbum não é exatamente isso que acontece. É sim um disco cru e pessoal, mas que não passa da perspectiva de um Tom Waits comportado e pop. Formado em artes cênicas, no qual sempre se dedicou ao teatro, Thiago começa como um leigo na música, e por mais que seu esforço revela ser um bom letrisa, sonoramente o seu clima de cabaré cheio de “pa pa pa” é inofensivo. É  bonitinho demais para um encontro entre Berlim e Texas.

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Guizado – Calavera

Ano: 2010
Nacionalidade: Brasil
Gravadora: Trama
Produção: Guilherme “Guizado” Menezes
Duração: 51:46

Ao contrário do álbum de Thiago Pethit, o trompetista Guilherme “Guizado” Menezes abusa tudo que tem direito na sonoridade de seu novo e segundo disco, Calavera. Enquanto que o disco anterior, Punx, era uma introdução pesada ao trabalho instrumental e experimental do músico, o novo álbum busca uma evolução pop ao encaixar letras nas suas misturas ousadas de free jazz, rock, tribal e eletrônico. Porém, é exatamente esse excesso de informação que faz com que Calavera perca o seu ritmo ideal. As letras repetitivas e pouco criativas não encaixam com a sonoridade extravagante, forçando o músico a entupir as vozes com efeitos eletrônicos. Assim, não é de se estranhar que as melhores faixas e os melhores momentos são as partes totalmente  instrumentais, mostrando o poder sonoro e a qualidade de Guizado e sua banda.

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Pata de Elefante – Na Cidade

Ano: 2010
Nacionalidade: Brasil
Gravadora: Trama
Produção: Júlio Porto
Duração: 49:03

Outra banda de grande qualidade instrumental é a Pata de Elefante, que agora retorna sob o selo da gravadora Trama. Em seu terceiro álbum, Na Cidade, o grupo não sai do que sempre propôs: fazer o seu rock instrumental, que viaja por momentos pesados, leves e de suf music.  A única diferença vem com o samba agradável cheio de cuíca da faixa “Vazio na Cerveja”. Apesar da diversificação sonora do álbum e da técnica apurada de seus integrantes, não vejo muito lógica nas músicas calmas da banda, que praticamente são elaboradas como se houvesse alguma letra, e como não há, muitos climas perdem o sentido e pouco chama atenção. Tá certo que as guitarras e outros instrumentos tentam preencher o vazio de alguém cantando, mas no final a monotonia se destaca mais do que o envolvimento. Fora isso, as camadas mais pesadas de músicas como “Grandona”, “Sai Da Frente” e os solos de “Arthur” merecem destaques.

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