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Archive for the ‘Blitzen Trapper’ Category

Indie Country-Folk

Anaïs Mitchell – Hadestown

Ano: 2010
Nacionalidade: EUA
Gravadora: Righteous Babe
Produção: Todd Sickafoose
Duração: 57:17

O quarto álbum da cantora Anaïs Mitchell pode ser considerado não só como a obra mais ambiciosa de sua carreira, mas também como um dos discos mais ambiciosos de 2010, e para quem não conhece a música da moça, é um ótimo momento para conhecê-la. Adotando a estrutura de disco conceitual e teatral, Hadestown narra o mito de amor e tristeza de Orfeu e Eurídice com várias participações interpretando os personagens da história. Justin Vernon (aka Bon Iver), por exemplo, encarna o próprio Orfeu, Mitchell a própria Eurídice, enquanto que a voz rouca à la Tom Waits de Greg Brown da vida a Hades. Para quem não gosta dessa estrutura de álbum (que possui 20 faixas quase interligadas), Hadestown ganha pontos por praticamente não depender do mito para sobreviver, apresentando canções de momentos diferentes e que não precisam uma das outras para fazer sentido. Dessa forma, o que mais chama atenção é a estrutura toda ambientada em ritmos e harmonias do folk, jazz e country norte-americano, tornando o disco bonito, charmoso e cheio de detalhes. A música acima da história, assim como o mito de Orfeu.

Phosphorescent – Here’s to Taking It Easy

Ano: 2010
Nacionalidade: EUA
Gravadora: Dead Oceans
Produção: Matthew Houck
Duração: 34:20

Pouca gente conhece a obra de Matthew Houck e o seu Phosphorescent, o que é absolutamente comum se levar em conta os seus três primeiros álbuns de folk intimista que caminha fora dos holofotes. Com um quarto disco todo dedicado a Willie Nelson lançado em 2009, Houck passou a pensar mais no country e nas diferentes possibilidades musicais que poderia compor com propriedade. Eis que a tendência se comprovou com este ótimo Here’s to Taking it Easy, talvez o melhor disco de country-rock de 2010. O Phosphorescent mergulha fundo no estilo, já botando pra abalar na abertura animada de “It’s Hard to Be Humble (When You’re From Alabama)”, uma típica faixa “bobdyliana”. E como bem ensinou as baladas mais amargas do country, o disco também está cheio delas, com destaque para a beleza de “The Mermaid Parade” e o clima interminável de “Los Angeles”. Here’s to Taking Easy é de longe o álbum mais acessível e tocante da banda, o que não proporcionará grandes reviravoltas ou surpresas, mas como contestar um bom disco de country nos dias de hoje?

Megafaun – Heretofore

Ano: 2010
Nacionalidade: EUA
Gravadora: Hometapes
Produção: Megafaun
Duração: 33:51

Depois do ótimo disco Gather, Form & Fly, de 2009, o Megafaun surge com um mini-disco descontraído, mas poderoso. Heretofore, que possui apenas 6 canções, foi gravado em apenas uma semana em meio aos shows que a banda estava fazendo. É, como diz o próprio título, uma amostra de transação, no qual as músicas presentes ditam as mesmas características arredias, cruas e experimentais do folk presente no disco passado, mas com um certo foco melodioso. A exceção fica por conta da instrumental “Comprovisation For Connor Pass”, que com os seus 12 minutos de duração flerta um pouco com o free jazz. O destaque absoluto vai para a ótima faixa “Eagles”, que com uma instrumentação perfeita demonstra ares de improvisação e descontração entre os músicos. Ao todo, Heretofore é uma amostra agradável e muito bem executada, uma boa prévia do que poderá vir no próximo álbum do Megafaun.

Highlife – Best Bless EP

Ano: 2010
Nacionalidade: EUA
Gravadora: Social Registry
Produção: Highlife
Duração: 20:47

Highlife é o projeto solo de Sleepy Doug Shaw, membro da banda White Magic e que já fez participações em músicas do Gang Gang Dance. Ambas as bandas misturam tendências do folk com batidas afropop, o que muito caracteriza o projeto Highlife. Para estreitar ainda mais as ligações africanas, higlife também é o nome de um gênero musical que surgiu em Gana. Ligações de estilos à parte, a verdade é que o trabalho de Shaw surge interessante, acessível e de altíssima qualidade. As três músicas com mais de 5 minutos cada que representam o Best Bless EP marcam pelo o seu som complexo cheio de batidas tribais e com charmosos backing vocals femininos. Com uma sonoridade muito semelhante de um Vampire Weekend, só que mais contido e trabalhado,  o Highlife é uma bela surpresa que deverá surpreender com o  seu futuro primeiro álbum.

Perfume Genius – Learning

Ano: 2010
Nacionalidade: EUA
Gravadora: Matador
Produção: Perfume Genius
Duração: 28:41

Atenção suicidas, este disco é para vocês! Sempre somos confrontados com álbuns tristes e gelados de arrepiar a espinha, mas pouca coisa hoje parece tão gélido e carregado de emoções densas quanto a música de Mike Hadreas, mais conhecido como Perfume Genius. Mike, um rapaz de 26 anos de idade que veio de Seattle, é daqueles jovens trancafiados em um quarto coberto por pensamentos depressivos, e nada melhor do que a tristeza para revelar o talento interior de uma pessoa. O primeiro disco do rapaz, Learning (que curiosamente foi lançado pela Matador), se agoniza em pianos e sintetizadores voltados para o drone, enquanto que a voz simples aparentemente indiferente de Hadreas esconde uma tristeza agonizante e real. As faixas não deixam de revelar temas como suicídio, aceitação, abuso sexual e muitas dúvidas. “Mr. Peterson”, por exemplo, conta a história de uma relação sexual de um rapaz de 16 anos com um professor mais velho, e que acaba em morte e Joy Division. Triste, intimista e extremamente pessoal, o Perfume Genius não só tem talento, mas também coragem de revelar músicas que de alguma forma te deprimem. E isso é belo.

E mais:

Blitzen Trapper – Destroyer of the Void

Depois de dois ótimos álbuns (Wild Mountain Nation, de 2007, e Furr, de 2008) o Blitzen Trapper soa desinteressante e decepcionante neste Destroyer of the Void. A começar pelo tom épico à la “Bohemian Rhapsody” da faixa título, que tenta em vão ser grandioso, para logo depois cair em faixas melosas à la Grateful Dead, e novamente não conseguem. O disco simplesmente não funciona, e o ar aventureiro de outrora não aparece. Cotação: 2.0/5.0

Sam Amidon – I See the Sing

O terceiro álbum de Sam Amidon, I See the Sing, é coberto por um folk calmo e sereno, mas que esconde arranjos sofisticados e muito bem elaborados. Para um ouvinte qualquer parecerá uma simplicidade funcional, porém, um pouco mais de atenção revelará sonoridades reveladoras em belos e tocantes ritmos. Cotação: 3.5/5.0

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