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Archive for the ‘Glasser’ Category

Barulhos, ruídos, vozes, vultos, murmúrios, grunhidos – lo-fi e cia

Women – Public Strain

Ano: 2010
Nacionalidade: Canadá
Gravadora: Flemish Eye / Jagjaguwar
Produção: Chad VanGaalen
Duração: 43:10

Public Strain, o segundo álbum da banda canadense Women, tinha vazado na internet ainda no primeiro semestre do ano e teve lançamento oficial em Setembro. Como fã do primeiro disco, ouvi este Public Strain às pressas e o mesmo me acompanhou durante todo o ano. Por que diabos então demorei a postar a pérola noise no blog? Definitivamente não sei, talvez faltasse espaço para uma obra tão cortante, gelada e áspera como essa ou simplesmente precisava de tempo para diluir as narrativas que passeiam pelo noise forte de guitarras e paisagens de um drone tenebroso. Dito isso, o novo álbum do Women é daqueles que precisam de tempo, não por ser um disco extremamente difícil (já que ouvi coisas muito piores), mas sim pelo tempo nos fazer encontrar a beleza que há nas onze faixas que compõe o álbum. Public Strain é um passo expansivo diante do disco anterior, no qual a banda parece encontrar harmonias mais sensíveis e poder sonoro de causar impacto. Faixas mais agressivas e de guitarras dissonantes como “Heat Distraction”, “China Steps” e “Drag Open” lembram de um Sonic Youth mais underground e cortante, dando base para canções mais dedilhadas e tocantes como “Locust Valley” e “Venice Lockjaw”, até chegar à última e ótima faixa “Eyesore”, finalizando um dos melhores e mais poderosos discos do ano.

How to Dress Well – Love Remains

Ano: 2010
Nacionalidade: EUA
Gravadora: Lefse
Produção: Tom Krell
Duração: 38:46

A ideia de buscar o R&B dos anos 80 e 90 e fragmentá-lo em sombras fantasmagóricas que aos poucos vão se desmanchando em migalhas na sua memória já soa bastante ousada, interessante e no mínimo curiosa. Esta é a proposta do estudante de filosofia Tom Krell, uma nova descoberta do Brooklyn, e que vem sob o nome How to Dress Well. Grande fã do R&B pop, Tom utiliza o seu vocal desfigurado e cheio de técnicas de falsete para repaginar o estilo em uma demonstração de lo-fi etéreo exagerado. Dessa maneira, a música do How to Dress Well mais parece uma fumaça de vultos e murmúrios deslocados, mas que ganha sensibilidade e beleza com as intervenções vocais e melodias marcantes. À primeira vista, o estilo totalmente novo (é o cúmulo do lo-fi!) pode incomodar os mais caretas, mas um maior esforço e o uso de fones de ouvido podem revelar todas as sutilezas mágicas do som do jovem artista. Sem contar que há músicas realmente significativas aqui, seja por climas mais melancólicos e suicidas como “Suicide Dream 2” e a ótima “You Won’t Need Me Where I’m Goin”, por camadas grossas de grave na interessante versão ao vivo de “Walking This Dumb” ou por climas mais emotivos e catárticos como na bela “Decisions” (que tem parceria de Yüksel Arslan). Porém, se nada disso te atrai, pelo menos não podemos negar que a música do How to Dress Well é única e desafiadora.

Warpaint – The Fool

Ano: 2010
Nacionalidade: EUA
Gravadora: Rough Trade
Produção: Tom Biller
Duração: 47:14

O primeiro álbum do quarteto feminino californiano Warpaint pode não apresentar grandes inovações ou grande impacto, mas consegue agradar e entreter qualquer tipo de ouvinte. É daqueles discos que não entrará em uma lista dos melhores do ano, mas que estará no playlist por um bom tempo. A fórmula persiste basicamente em belos vocais suaves femininos em longas faixas e com um bom apreço sonoro: os complementos de guitarra harmoniosa, bateria presente e um potente baixo garantem a qualidade e a densidade do disco. Os destaques vão para a introdução de território da faixa de abertura “Set Your Arms Down” e para o refrão doce e irresistível de “Undertow”. Aliás, doce e irresistível são os adjetivos certos para todas as nuances de The Fool.

Glasser – Ring

Ano: 2010
Nacionalidade: EUA
Gravadora: True Panther
Produção: Glasser / Ariel Rechtshaid / Van Rivers & The Subliminal Kid
Duração: 38:25

Com uma sonoridade próxima de uma mistura entre Bat for Lashes e Fever Ray e com uma voz que remete a de Björk , a cantora americana Cameron Mesirow, que assina a sua música como Glasser, já garante curiosidade pelas suas referências louváveis. Deve ser algo grandioso, esquisito e meio inacessível você deve estar se perguntando, mas a verdade é que as referências da nova cantora só servem para encaixá-la em um nicho específico. A música aqui é mais acessível e suave do que se imagina. Mesirow tem sim uma voz bastante parecida com a de Björk, mas sem os excessos irritantes da cantora islândesa, enquanto que o som, carregado de metais e de percussão, na verdade passa tranquilo e quase sempre indiferente em batidas que ditam uma caminho charmoso e fino para as canções. É daqueles discos bonitos de ouvir, um excelente vocal com arranjos detalhados. Uma boa estreia.

The Fresh & Onlys – Play it Strange

Ano: 2010
Nacionalidade: EUA
Gravadora: In The Red
Produção: Tim Green
Duração: 36:46

Em seu terceiro álbum de estúdio, Play it Strange, o The Fresh & Onlys finalmente mostra uma maior competência em formar canções mais coesas, completas e grudentas. A explicação está claramente evidenciada pelo fato de ser o primeiro registro do grupo com a presença de um produtor, assinado por Tim Green (da banda Fucking Champs). Não que o grupo tenha abandonado o seu estilo garageiro ensolarado típico das bandas novas de San Francisco, na verdade o gênero ainda está intacto nas melodias adoráveis e barulhentas do The Fresh & Onlys, a diferença mesmo vem pelo cuidado maior de encaixar boas composições. A faixa “Waterfall” e a suíte de oito minutos de “Tropical Island Suite” comprovam a evolução certeira da banda sem mudar o foco barulhento com ritmo de surf music. Uma empolgação danada.

E mais:

Forest Swords – Dagger Paths

O projeto Forest Swords, do produtor britânico Matthew Barnes, parece, à primeira vista, obscuro e abstrato, mas aos poucos vai se tornando mais claro e fascinante devido ao conjunto bem bolado de ritmos, texturas, graves e vozes . É uma eletrônica até acessível se compararmos ao seu minimalismo expressivo. É daquelas belas descobertas “obscuras” do ano. Cotação: 4.0/5.0

James Blake – The Bells Sketch EP

E por falar em minimalismo… The Bells Sketch EP, o terceiro do ano lançado por James Blake, só confirma o talento preciso e original do jovem artista em três interessantes novas faixas. Poucas coisas parecem tão precisas, charmosas e sedutoras quanto à música do rapaz, que terá a chance de marcar de vez com o seu primeiro álbum previsto para Janeiro de 2011. Aguardemos! Cotação: 4.0/5.0

Blank Dogs – Land and Fixed

Quando comecei a ouvir Land and Fixed, achei que tivesse baixado o álbum errado. Cadê o lo-fi esquisitão do Blank Dogs? Provavelmente ficou todo no bom disco antecessor Under and Under, lançado no ano passado. Dessa vez, Mike Sniper se aprofunda de vez nos sintetizadores e forma um disco “polido”. É até corajoso e interessante, mas tira aquilo que o Blank Dogs tinha de mais interessante: a sua identidade. Cotação: 3.0/5.0


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