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Archive for the ‘Grinderman’ Category

Titios

Grinderman – Grinderman 2

Ano: 2010
Nacionalidade: Inglaterra
Gravadora: Anti-
Produção: Nick Launay / Grinderman
Duração: 41:17

Geralmente grandes nomes da música vão ficando mais suaves e conservadores ao longo do tempo, puro processo natural de envelhecimento ou preguiça por se arriscar. Existem exceções, é claro, e quando Nick Cave (junto com a sua The Bad Seeds), se viu levado pela normalidade, criou junto com outros músicos de sua banda o Grinderman. O novo quarteto em questão já tinha testado a crueza quase punk e juvenil com experimentalismo em seu primeiro álbum autointitulado de 2007, mas é este Grinderman 2 que mostra que Nick Cave e cia estão em alta performance. É um disco ousado, pesado, criativo e empolgante. Com letras inspiradas e sarcásticas, o grupo vai de camadas de baixo e estruturas pesadas na ótima faixa de abertura “Mickey Mouse And The Goodbye Man” a ritmos leves que aos poucos se transforma em catarses repetitivas como em “When My Baby Comes”. Um álbum corajosamente improvisado e sinuoso, que caminha livremente aonde bem entende.

Neil Young – Le Noise

Ano: 2010
Nacionalidade: Canadá
Gravadora: Reprise
Produção: Daniel Lanois
Duração: 37:59

Neil Young e sua guitarra, a guitarra e Neil Young. Diante de fraquíssimos lançamentos nessa última década (e foram muitos!), Neil Young testa um modelo diferente neste barulhento Le Noise. O famoso produtor Daniel Lanois condensa a guitarra do músico canadense em camadas e mais camadas de efeitos, fazendo com que sobra só ela e um vocal. É um disco até corajoso, mas falta ter o essencial: as boas canções. Por ironia, a melhor faixa do disco, “Peaceful Vally Boulevard”, é aquela que desvia um pouco do conceito sugerido, atiçando um momento tocante que há anos o cantor não alcançava. Pode parecer triste (ou animador), mesmo com a sua falta de apego, Le Noise é o melhor disco de Neil Young dos anos 2000.

Devo – Something for Everybody

Ano: 2010
Nacionalidade: EUA
Gravadora: Warner Bros.
Produção: Devo
Duração: 37:50

Something for Everybody, o novo álbum do Devo (!), é daqueles que causam medo antes da primeira audição. O que esperar de um novo disco de uma das bandas mais marcantes e originais da música após 20 anos sem lançar nada de inédito? Se os últimos discos do grupo já eram bastante inferiores, a descrença por este novo é forte. Mas o Devo é irresistível, então vamos escutar! Esperando algo muito ruim, é até agradável e empolgante. Está certo que as músicas são pouco relevantes, esquecíveis, mas que conduzem bem um disco animado e que é a cara do Devo. Ouvi muita gente dizer que se trata de um disco moderno, mas o Devo sempre foi moderno. Lembre-se que as bandas dançantes de hoje copiam e colam exatamente aquilo que surgiu na década de 1980, e os sintetizadores já eram utilizados pela banda desde o consagrado Q: Are We Not Men? A: We Are Devo!, de 1978. Se as músicas de Somebody for Everything não trazem grandes revelações, pelo menos verificamos o quanto o Devo foi importante para a nova geração.

Brian Eno – Small Craft on a Milk Sea

Ano: 2010
Nacionalidade: Inglaterra
Gravadora: Warp
Produção: Brian Eno
Duração: 49:03

Em Small Craft on a Milk Sea, Brian Eno volta às suas origens da música ambiente com um formato mais eletrônico de computador e com a ajuda dos músicos Jon Hopkins e Leo Abrahams. Partindo de sobras de estúdio da trilha sonora que Eno compôs para o filme Um Olhar do Paraíso, de Peter Jackson, e de outras tantas improvisações de estúdio, o novo disco procura um óbvio caminho de música para um filme que ainda não existe. A ideia de fazer música para o cinema não é exatamente nova para a discografia de Eno, que já lançou os discos intitulados Music for Films (1978) e Music for Films Vol. 2 (1983), no qual este novo disco seria uma continuação mais computadorizada do conceito. Lançado pelo selo Warp, que também é apegado a conceitos de música eletrônica, Small Craft on a Milk Sea torna-se mais interessante em seus momentos de maior explosão e mudanças mais bruscas de ritmos, como acontece com a sequência mais frenética de “Flint March”, “Horse” e “2 Forms of Anger”, enquanto que os momentos mais lentos do final só fariam maior sentido se realmente tivesse um filme por trás. Pela perfeição técnica de Eno, é sempre interessante e viajante ouvir uma bolacha ambiente do velho rapaz.

E mais:

Paul Weller – Wake Up the Nation

Interessante como os últimos discos do titio Paul Weller andam realmente empolgando com o seu rock passageiro e grudento. Sucesso de crítica e público britânico, Wake Up the Nation faz por merecer. É obvio que não mudará o mundo e você logo esquecerá em alguns dias, mas diverte que é uma beleza. Cotação: 3.5/5.0

The Vaselines – Sex with an X

Também há mais de 20 anos sem lançar um álbum de inéditas, o The Vaselines volta agora sob o selo Sub Pop. O casal, que já inspirou gente como Kurt Cobain, faz aquele típico disco correto de banda que sumiu e resolveu voltar. Sex with an X possui algumas inspirações levemente e docemente noise e um indie à la Belle and Sebastian (não por acaso há participação de membros da mesma), mas nada que surpreenda. Cotação: 3.0/5.0

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