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Archive for the ‘Massive Attack’ Category

Ano: 2010
Nacionalidade: Inglaterra
Gravadora: Virgin
Produção: Massive Attack
Duração: 52:31

Para quem vivenciou os anos 90 deve saber que nada era mais cool do que o trip hop. Gênero estiloso, moderno e que soube como nenhum outro entender o fim de um século de perspectivas densas e sombrias. O Massive Attack, o pai do gênero, conseguiu em uma década produzir três obras-primas intocáveis. Blue Lines, Protection e Mezzanine continuam imponentes e gerando aflição até mesmo para a nova geração que vire e meche resgata o trip hop. O estilo do futuro, muitos diziam, mas que inexplicavelmente só sobreviveu aos anos 90. O pai de todos, o nosso desesperador Massive Attack, não dá mais conta do recado.

Das três bandas mais influêntes do trip hop de Bristol, Inglaterra (onde tudo começou), o Portishead demorou dez anos para lançar o terceiro álbum, e só conseguiu êxito por reinventar totalmente a sua sonoridade, o Tricky só vem lançando discos fracos, enquanto que o próprio Massive Attack sofreu com a separação de seus integrantes. O álbum antecessor, 100th Window, de 2003, só contou com a presença de Robert “3D” Del Naja, e apesar do clima denso, já mostrava uma mudança sem muita criatividade. Sete anos depois, Heligoland conta com a volta de Daddy G (e ainda sofremos com a falta do hip hop propriamente dito de Andrew Vowles), mas a tensão típica da banda é jogada para fora de uma vez. O novo álbum é o que o grupo mais se aproxima do pop, e ar de decepção é difícil de ser ignorado.

A sorte é que o Massive Attack ainda continua elegante. As músicas perderam o seu clima de “terror” para ceder à melancolia, e vire e mexe vemos refrões ou tomadas fáceis como em Splitting The Atom e Pray For Rain (ambas já tinham sido lançadas em um EP no ano passado). Mas apesar da acessibilidade, são duas canções ainda eficientes exatamente por transparecer certo mistério e elegância, enquanto que Babel (com o vocal da conterrânea Martina Topley-Bird) cai por completo em batidas até alegres e Saturday Come Slow, com participação de Damon Albarn, parece mais ser uma música sofrida do Blur. O ponto positivo vai para a participação de Hope Sandoval em Paradise Circus, a mais bela do projeto.

Heligoland pode até parecer interessante para um novo ouvinte da banda que não conviveu com o trip hop, mas com certeza vai deixar um antigo fã decepcionado. Reconheço até um pequeno esforço do Massive Attack, mas a verdade é que o gênero acabou, e ficará enterrado para sempre nos confins da década de 1990. Exatamente quando ainda havia incertezas sobre a virada do século.

Tracklist:

01 – Pray For Rain (feat. Tunde Adebimpe)
02 – Babel (feat. Martina Topley-Bird)
03 – Splitting The Atom (feat. Horace Andy)
04 – Girl I Love You (feat. Horace Andy)
05 – Psyche (feat. Martina Topley-Bird)
06 – Flat Of The Blade (feat. Guy Garvey)
07 – Paradise Circus (feat. Hope Sandoval)
08 – Rush Minute
09 – Saturday Come Slow (feat. Damon Albarn)
10 – Atlas Air

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