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Archive for the ‘OFF!’ Category

Pesaaaaaado!

Swans – My Father Will Guide Me Up a Rope to the Sky

Ano: 2010
Nacionalidade: EUA
Gravadora: Young God
Produção: Michael Gira
Duração: 44:21

Antes do lançamento do novo álbum do Swans, o vocalista e líder Michael Gira fez questão de frisar que isto não significaria apenas uma reunião. Como tudo o que faz na vida, Gira, de cara feia,  foi logo afiando a sua língua maldita: “não é um ato de nostalgia imbecil!”. Para quem não sabe, o Swans é daquelas bandas espetaculares que surgiu no começo da década de 1980, junto com Sonic Youth e afins, e ficou eternamente no submundo adorado por pessoas do submundo. Em seus primeiros anos de sons extremamente pesados e sombrios, com características mais ligadas ao metal, o grupo foi amaciando e modernizando a sua música, mas sem nunca sair do underground. As coisas ficaram mais bem trabalhadas, o que não significa que ficaram alegres e sorridentes. De todas as características do Swans, o vocal decadente de Gira em uma sonoridade angustiante e agressiva de fato são as mais marcantes. O grupo acabou em 1997, no momento em que Gira continuou as suas experiências sob o nome de Angels of Light, e só agora volta com este impressionante a arrebatador My Father Will Guidem Me Up a Rope to the Sky, título com alusões suicidas e espirituais, o que não sai do escopo da banda.

O bom de ver álbuns recentes de pessoas competentes e com pensamentos desnorteados de caos total é perceber a qualidade tecnológica aliada a sons realmente impactantes. My Father… é, acima  de tudo, um álbum muito bem encaminhado e executado, desde as nuances de 9 minutos da faixa de abertura “No Words/No Thoughts” até a delicadeza imponente de “Little Mouth”. O que vale perceber é a mudança de espírito em cada faixa, que sai do mais puro silêncio inocente para tensões de graves repetitivos, algo muito claro na música “You Fucking People Make Me Sick”, que possui até participações leves de Devendra Banhart e da filha de 3 anos de Gira, para logo mais ser cortado por uma sinfonia assustadora. Dentre as faixas, é claro que os momentos de maior frenesi dominam e empolgam o ouvinte, com destaque para a progressão de “Jim” e para a apocalíptica e  ótima “Eden Prison”. Após 14 anos sem lançar um disco de inéditas, o Swans mostra para o que voltou: reinventar a si mesmo, mas sem nunca afastar as tradições anticomerciais.  Realmente, não é apenas uma reunião.

Kylesa – Spiral Shadow

Ano: 2010
Nacionalidade: EUA
Gravadora: Season of Mist
Produção: Phillip Cope
Duração: 40:12

Apesar de Spiral Shadow já ser o quinto álbum da banda Kylesa, só fui conhecer a mesma agora, o que me faz pensar o quanto já perdi. O grupo, que veio da cidade Savannah, Georgia, apresenta o mais puro sludge metal, gênero que o Melvins deu ao mundo ao misturar o som pesado do metal com características lamentas como o hardcore, punk e até mesmo o stoner. De imediato, a banda chama atenção pelo fato de haver dois bateristas em sua composição, o que muito explica o som carregado, forte e bem trabalhado das faixas. Mas não pense você que só de técnica é feito o Kylesa, já que apesar de pesado, a sonoridade do grupo é bastante acessível e empolgante. Alguns momentos como “Don’t Look Back” fogem do metal e soam até radiofônicas, mas é a força e a rapidez de faixas eficientes e econômicas como “Cheating Synergy”, o conjunto de baterias de “Drop Out” e o refrão de “Distance Closing In” que fazem a diferença. Aliando competência com composições realmente viscerais, Kylesa é a grande banda de metal de 2010.

OFF! – First Four EPs

Ano: 2010
Nacionalidade: EUA
Gravadora: Vice
Produção: Dimitri Coats
Duração: 17:44

O hardcore também tem as suas superbandas, e a criada em 2010 foi o grupo californiano (é claro!) OFF!, liderado por nada mais nada menos que Keith Morris, que foi vocalista das bandas Black Flag e Circle Jerks. Só Keith já seria suficiente por compor uma superbanda por completo, mas o grupo ainda possui a presença do guitarrista Dimitri Coats (Burning Brides), do baixista Steven Shane McDonald (Redd Kross) e do baterista Mario Rubalcaba (Rocket from the Crypt entre outras). Em 16 músicas que não passam de 2 minutos cada, First Four EPs é, como alega o próprio título, uma junção de 4 pequenos EPs que expiram hardcore até o talo. O mais incrível disso é perceber como Keith Morris, aos 55 anos de idade, ainda grita e blasfema como se fosse um moleque de 17. O disco em si não demonstra canções assim tão marcantes e indestrutíveis como as músicas do Black Flag já foram, mas ainda soa poderosíssimo e descontraído. Keith está em casa, confortável como nunca, e isso só ajuda a acreditar que o mais primitivo e “socante” hardcore ainda sobrevive em meio ao século XXI.

Alcest – Écailles de Lune

Ano: 2010
Nacionalidade: França
Gravadora: Prophecy
Produção: Martin Koller
Duração: 41:39

Inicialmente, Alcest era um trio de black metal francês, que deixou apenas como resquício uma demo com quatro canções. Logo em seguida, dois dos integrantes abandonaram e barco e deixaram apenas o músico Neige tomar conta. Assumindo uma espécie de projeto solo experimental, Neige incrementou as suas influências do black metal com misturas que vão muito além do gênero. Calma! Ao contrário do que você deve estar pensando, o muito além não se refere a uma sonoridade mais grunhida do que uma caixa de marimbondo sendo ameaçada. Os queimadores de igrejas não devem estar  gostado, mas o Alcest inventou uma mistura de black metal muito melodiosa,  o que constantemente está sendo proferida como shoegaze. Shoegaze mesmo não é, mas a sonoridade vista aqui definitivamente pode ser considerada original, marcante e com forte apelo emocional. Écailles de Lune já é o segundo álbum do projeto, que agora ganha mais força e visibilidade devido ao conjunto impecável das canções. As duas partes da faixa título, por exemplo, transitam entre a leveza de um vocal quase maternal de guitarras harmoniosas para logo mais ceder a um vocal gutural de som mais pesado, o que no mínimo desperta curiosidade e atenção. Interessante notar que mesmo pesado (um típico metal), o som do Alcest sempre parece nos transportar para uma fumaça de leveza e equilíbrio, passando longe de soar sombrio. Um belo e interessante disco.

The Body -All the Waters of the Earth Turn to Blood

Ano: 2010
Nacionalidade: EUA
Gravadora: At a Loss
Produção: The Body
Duração: 49:53

Na capa de All the Waters of the Earth Turn to Blood, os dois membros do The Body usam sacos de batata amarrados na cabeça enquanto seguram armas de grande calibre em cima de um morro. A cena por si causa tensão e alimenta a violência, mas nem chega perto do grau sombrio e pesado que as sete canções desse disco maldito pode proporcionar. Na teoria, o som do The Body pode ser catalogado como doom metal, aquele que evoca medo e desespero em guitarras lamentas prestes a explodir de tão grave e pesado, mas a sonoridade acaba soando mais experimental e aventureira do que de praxe. Apesar de a banda ser composta apenas pelo baterista Lee Buford e do guitarrista Chip King, a produção do álbum conta com 32 participações, entre elas o coral feminino Assembly of Light, composto por 13 pessoas. Movimentos cantados a cappella que evocam igrejas católicas já foram até testadas no último disco do Sunn o))), mas aqui o The Body testa e abusa ainda mais do contraste ao colocar na faixa inicial oito minutos de cantoria gospel para logo mais ceder ao caos total de vocais guturais. Mais interessante ainda é notar que a banda sempre procura testar climas diferentes para misturar com o metal, como no início roqueiro da ótima “A Curse” e nas misturas eletrônicas de “Empty Hearth”. Dessa forma, o clima pesadíssimo de All the Waters evidentemente chocará a maioria das pessoas, mas agradarão aqueles que procuram experiências e inovações a qualquer custo. O caos reina!

E mais:

Mi Ami – Steal Your Face

Mi Ami é uma grata surpresa para quem gosta de  rock frenético sem consequências. Natural de San Francisco, o trio faz de tudo para impressionar em seu segundo álbum intitulado Steal Your Face. Com um vocal gritante e instrumentos desafinados prontos para criar climas de selvageria, a banda ganha admiração para quem gosta de loucuras noise. O show dos caras deve ser uma maravilha. Cotação: 3.5/5.0

Black Mountain – Wilderness Heart

Nessa sessão, o novo disco do Black Mountain se torna irrisório, mas a verdade é que o grupo canadense faz o seu disco mais fraco desde então. Partindo para um lado mais pop feito para as rádios, Wilderness Heart é um disco pra cima e repleto de baladas doces, o que deixa qualquer fã de hard rock cabreiro. Mas justiça seja feita, os caras ainda são bons e competentes, e alguns riffs poderosos como os de “Let Spirits Ride” fazem a diferença. Cotação: 3.0/5.0


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