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Archive for the ‘Tame Impala’ Category

Ou… Indie rock para todas as nacionalidades e gostos

Wolf  Parade – Expo 86

Ano: 2010
Nacionalidade: Canadá
Gravadora: Sub Pop
Produção: Howard Bilerman
Duração: 55:34

Cuidado! Expo 86, o terceiro álbum do Wolf Parade, pode ser a pérola indie rock mais viciante do ano até aqui. Depois de Spencer Krug e Dan Boeckner (os dois líderes da banda) terem se aventurado em seus respectivos projetos solos (o primeiro sempre mais experimental e aventureiro com o Sunset Rubdown e o segundo sempre mais na levada dos sintetizadores do Handsome Furs), chega o momento de trabalhar na banda base e compartilhar os novos conhecimentos. Nunca um álbum do Wolf Parade foi tão momento banda unida quanto esse. Primeiro que o título e a capa fazem referência ao ano em que os integrantes do grupo se conheceram, em uma exposição de ciência em 1986. Segundo que as forças criativas de Krug e Dan estão claramente persceptiveis na audição, e unidas de forma coesa e madura.

Enquanto que o disco anterior (At Mount Zoomer, de 2008) mostrava um Wolf Parade complexo, detalhista e cheio de peso, Expo 86 é o disco “pop” da banda. São 11 canções aceleradas, animadas, pra cima em ritmo de festa. Aquele tipo de álbum em que enxergamos claramente que os integrantes estão em boa fase e felizes uns com os outros. Para tudo isso, foi imprescindível a fusão das ideias mais loucas de Krug com os sintetizadores certeiros de Dan, o que pode ser claramente perceptível nas duas melhores canções do projeto: a grudenta “Ghost Pressure” e a linda “Oh You, Old Thing”. Alguns irão reclamar da falta de ideias diferenciadas, já que Expo 86 (diferentemente dos projetos paralelos de seus músicos) é claramente um disco que segue o padrão normal de fazer música, com começo, meio e fim. Porém, todas as canções são muito bem trabalhadas, marcantes e, principalmente, apaixonantes. Até sendo pop o Wolf Parade impressiona.

Tame Impala – Innerspeaker

Ano: 2010
Nacionalidade: Austrália
Gravadora: Modular
Produção: Kevin Parker
Duração: 53:17

Tudo faz parecer que Innerspeaker, o primeiro álbum da banda australiana Tame Impala, é um disco perdido da década de 60. Além da sonoridade típica da década sagrada do rock psicodélico, a grupo possuiu a eficiente qualidade de fazer boas simples composições e o vocalista Kevin Parker possuiu uma voz quase idêntica a de John Lennon. É mole? Logo, Teme Imapala é aquele primo bastardo de Beatles e Kinks, sem parecer copiado e forçado. Apesar de Innerspeaker respirar a psicodelia de um céu azul cheio de nuvens, a banda tem a proeza de parecer atual ao assimilar o seu som viajadão com o britpop coeso. É só reparar como uma canção vai levando a outra, e sempre em bom nível, que percebemos que o novo grupo sabe usar as suas referências em boas novas canções.

Foals – Total Life Forever

Ano: 2010
Nacionalidade: Inglaterra
Gravadora: Transgressive
Produção: Luke Smith
Duração: 50:21

Depois de aparecer de forma superestimada em 2008 com o fraco álbum de estréia Antidotes, o Foals (que veja bem, já foram rotulados pela imprensa inglesa como os salvadores do novo rock inglês) aparece até “surpreendendo”. Total Life Forever é uma clara evolução ao som indie do grupo inglês, mais bem trabalhado, mais maduro e que consegue até empregar certa emoção em alguns momentos, como na bela “Spanish Sahara” (que claro, também tem os seus momentos de clichê). Outro bom momento do álbum é o trabalho de percussão na cheia de virada e suingue “After Glow”. Pode não ser nada de mais, mas Total Life Forever consegue passar o tempo de forma eficaz.

Male Bonding – Nothing Hurts

Ano: 2010
Nacionalidade: Inglaterra
Gravadora: Sub Pop
Produção: Pete Lyman
Duração: 30:09

O Male Bonding é a cara das descobertas do selo americano Sub Pop. Por mais que o novo grupo seja inglês, a pequena grande gravadora percebeu que ali respirava o rock alternativo americano da década de 90. Um novo Nirvana, talvez? Nem tanto, mas exatamente aquilo que vem nos sendo apresentado quando se trata da redescoberta da sonoridade da década passada. O som é sempre o mesmo: rápido, curto, simples, de baixa fidelidade, muita guitarra, muita música grudenta e para ser digerida em abundância. Mas os grupos conseguem surpreender pelas composições. Daí vem o surgimento de tantas boas bandas do submundo como No Age, Vivian Girls, Japandroids, Dum Dum Girls e Wavves. O Male Bonding é mais um para entrar neste “seleto” grupo. Nada de novo, mas em 30 minutos vemos faixas tão eficientes e grudentas que é difícil imaginar outra coisa a não ser torcer para que a década de 90 ainda reine sobre os tempos atuais.

Thee Oh Sees – Warm Slime

Ano: 2010
Nacionalidade: EUA
Gravadora: In The Red
Produção: Thee Oh Sees
Duração: 30:38

E por falar da década de 90… O Thee Oh Sees está há muito mais tempo na estrada do que o Male Bonding (pra falar a verdade eles realmente surgiram na década de 90!), mas fazem bem menos barulho do que os novatos. Menos barulho em relação à divulgação, pois pela sonoridade percebemos o quanto é difícil ouvir falar no Thee Oh Sees. Depois de um maior aparecimento com o ótimo disco antecessor (Help, lançado no ano passado), a banda agora investe sua barulheira lo-fi com temperos psicodélicos de San Francisco em uma faixa que ocupa a metade do álbum. “Warm Slime”, a faixa título de 13 minutos, é puro exercício de improviso, uma jam session que mistura psicodelia, barulhos esquisitos , backing vocals repetitivos e riffs de guitarra. Uma beleza! As outras seis faixas também não fogem disso, riffs empolgantes em tamanho menor. Mas uma vez nada de novo, mas tudo muito bom. E por aí o Thee Oh Sees segue a sua vida…

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